Morte no Monte Everest: guia nepalês morre durante trajeto ao acampamento base e caso acende alerta sobre riscos.
A temporada de escaladas de 2026 no Monte Everest teve início com o registro de uma morte no domingo (3), no Nepal. O guia de alta altitude Lakpa Dende Sherpa, de 52 anos, morreu após perder a consciência enquanto seguia em direção ao acampamento base.
O incidente aconteceu no trajeto entre Gorak Shep e a base da montanha e está sendo investigado pelas autoridades. Trata-se da primeira fatalidade confirmada do ano na principal rota do Everest.
Trajetória experiente e reconhecimento no montanhismo
Antes mesmo do início oficial dos trabalhos na temporada, Lakpa Dende já se preparava para atuar como guia, função que desempenhava há décadas.
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Desde 2001, ele participou de cerca de 30 expedições em montanhas do Nepal. Entre os principais marcos de sua carreira está a chegada ao topo do Everest em 2017.
Além disso, acumulava passagens por outras montanhas relevantes da região, como Manaslu e Makalu. A empresa Seven Summits Treks, responsável por sua contratação, destacou sua importância em comunicado oficial.
“Lakpa Dende fazia parte da nossa família. Trabalhou conosco por mais de uma década”, afirmou o diretor Thaneswar Guragai.

Indenização prevista e realidade dos guias
A legislação do Nepal prevê o pagamento de US$ 15 mil (cerca de R$ 75 mil) à família de trabalhadores que morrem durante atividades em expedições. Esse valor será destinado aos familiares de Lakpa Dende por meio de seguro.
Guias de alta altitude desempenham papel essencial nas escaladas, sendo responsáveis por orientar alpinistas, transportar equipamentos e garantir o funcionamento das operações.
Por outro lado, estão entre os mais expostos aos riscos, já que percorrem a montanha diversas vezes ao longo da temporada, enfrentando condições extremas.
Monte Everest: morte ocorreu durante deslocamento essencial
O incidente aconteceu em um trecho bastante conhecido por quem participa de expedições. Lakpa Dende percorria cerca de 3,2 quilômetros entre Gorak Shep e o acampamento base quando sofreu o mal súbito.
Gorak Shep está situada a aproximadamente 5.164 metros de altitude e é considerada o último ponto habitado antes do Everest. Já o acampamento base fica a cerca de 5.334 metros acima do nível do mar.
Apesar da curta distância, o trajeto exige esforço significativo por conta da baixa concentração de oxigênio. Esse fator pode provocar complicações mesmo em pessoas acostumadas à altitude.
O corpo foi removido de helicóptero e levado até Lukla no mesmo dia. Informações iniciais indicam causas naturais, mas a polícia nepalesa abriu investigação para esclarecer o caso.

Debate após morte Monte Everest
A fatalidade registrada no início da temporada trouxe novamente à tona uma discussão antiga entre especialistas: quais mortes devem ser consideradas nas estatísticas do Everest.
Os critérios variam conforme a interpretação:
- Alguns contabilizam apenas mortes acima do acampamento base
- Outros incluem também ocorrências no trajeto até a montanha
- Há ainda quem considere todas as fatalidades ligadas às expedições
Essa diferença de metodologia impacta diretamente os números divulgados a cada ano.
Em 2025, por exemplo, dois trabalhadores morreram no acampamento base — um devido ao mal de altitude e outro por hemorragia cerebral — reforçando a complexidade desse tipo de registro.
O primeiro registro fatal de 2026 ocorre justamente no começo do período de escaladas, quando as equipes ainda estão em fase de organização e adaptação.
O episódio evidencia que, mesmo nas etapas iniciais, o Everest apresenta desafios significativos. A combinação de altitude elevada, esforço físico intenso e fatores imprevisíveis exige atenção constante.
Assim, a morte do guia nepalês não apenas marca o início da temporada, mas também serve como alerta para todos os envolvidos nas expedições que se estenderão ao longo das próximas semanas.
Fonte: último segundo

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