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Ele carregava malas em hotel para pagar a faculdade, entrou no mercado de viagens corporativas e hoje comanda uma agência que faturou R$ 1,4 bilhão e atende Itaú, Nubank, iFood e Localiza

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 07/07/2026 às 20:09 Atualizado em 07/07/2026 às 20:11
Assista o vídeoLuiz Moura levou experiência em hotelaria para criar a Voll, agência de viagens corporativas que faturou R$ 1,4 bilhão em 2025
Luiz Moura levou experiência em hotelaria para criar a Voll, agência de viagens corporativas que faturou R$ 1,4 bilhão em 2025.
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A trajetória de Luiz Moura saiu da porta de um hotel em Belo Horizonte para o comando de uma plataforma de viagens corporativas que fechou 2025 com receita bilionária, 850 mil viajantes por mês e uma aposta pesada em inteligência artificial para reduzir custos de grandes empresas

Luiz Moura conheceu o setor de viagens por uma porta pouco glamourosa. Ainda estudante, trabalhava carregando malas em um hotel de luxo de Belo Horizonte, acompanhava hóspedes até os quartos e explicava onde ficavam os restaurantes.

Anos depois, o mineiro de 36 anos aparece como cofundador da Voll, empresa de viagens corporativas que fechou 2025 com R$ 1,4 bilhão em receita e mira R$ 2,2 bilhões em 2026.

A companhia atende nomes como Itaú, Nubank, iFood, Riachuelo e Localiza, segundo informações publicadas pela Exame em julho de 2026.

A história chama atenção porque não começa em uma sala de investimento, mas na operação diária de hotelaria. Moura passou por atendimento, eventos, agência de viagens e tecnologia antes de entrar no mercado que hoje tenta digitalizar uma das maiores despesas das grandes companhias.

O começo foi no hotel, mas a virada veio quando ele percebeu que empresa ainda comprava viagem como no passado

Filho de uma professora da rede pública e de um dono de fábrica de carrinhos de mão, Moura cresceu em Belo Horizonte vendo os pais trabalharem de forma constante. Aos 16 anos, durante um intercâmbio na Califórnia, conheceu uma executiva aposentada da Coca-Cola que havia viajado por dezenas de países a trabalho.

A resposta dela sobre os lugares que conheceu mudou o rumo da carreira do jovem. De volta ao Brasil, ele cursou Relações Públicas e bancou a faculdade trabalhando como carregador de malas em um hotel da capital mineira, onde aprendeu a lidar com o viajante antes de pensar em plataforma, aplicativo ou inteligência artificial.

Depois da formatura, em 2011, passou por uma pequena agência de comunicação e depois entrou na área de eventos de uma agência de viagens corporativas.

Foi ali que enxergou o gargalo: o setor ainda dependia de processos manuais, pouco escaláveis e lentos para empresas que precisavam controlar custos, política interna e atendimento ao colaborador.

Em 2017, um aplicativo de mobilidade corporativa virou a semente da Voll

Luiz Moura transforma experiência em hotel em negócio bilionário de viagens corporativas com a Voll no Brasil
Luiz Moura transforma experiência em hotel em negócio bilionário de viagens corporativas com a Voll no Brasil. (Foto: Maya PR / Forbes)

A Voll nasceu em 2017 dentro de uma agência de viagens, a partir de um projeto para gerenciar mobilidade corporativa. A ideia inicial conectava serviços como Uber e 99, em um momento em que o transporte por aplicativo ganhava força no Brasil.

O projeto cresceu até se separar da operação original em um spin-off. Depois vieram rodadas de investimento, a ampliação da plataforma para passagens aéreas e hotéis e a compra da própria agência de onde o negócio havia surgido.

Hoje, a empresa tem cerca de 700 funcionários, a maior parte em São Paulo, e mais de 850 mil viajantes corporativos usando o aplicativo por mês. A base deixa claro que a Voll não disputa apenas reservas de hotel ou passagens, mas a gestão completa da viagem feita por funcionários de grandes companhias.

O mercado ajuda a explicar por que bancos, varejistas e aplicativos entraram na mira

O Brasil está entre os dez maiores mercados globais de viagens corporativas. Dados do Business Travel Index Outlook 2025, divulgados pela Global Business Travel Association, estimam que o país movimentaria US$ 30,4 bilhões no setor em 2025, atrás de economias como Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Coreia do Sul, Índia e Itália.

Esse tamanho torna o segmento atraente, mas também mais difícil de operar. Em grandes empresas, viagem corporativa envolve política interna, centros de custo, aprovação, segurança da informação, reembolso, suporte ao funcionário e negociação com companhias aéreas e hotéis.

No caso de bancos, a barreira é ainda maior. Atender instituições financeiras exige certificações, controle técnico e padrões rígidos de segurança.

Para a Voll, essa exigência funciona como filtro: quem consegue atender clientes regulados ganha uma validação difícil de replicar.

A empresa se vende como uma companhia de inteligência artificial aplicada a viagens

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O plano de crescimento da Voll não se apoia apenas em vender passagens. A empresa passou a defender a ideia de ser uma companhia de inteligência artificial aplicada à gestão de viagens corporativas, com agentes capazes de monitorar tarifas, identificar oportunidades de economia e agir sem depender de uma equipe acompanhando cada reserva manualmente.

Em 2025, a companhia colocou no ar três agentes de IA voltados a reduzir custos. O modelo monitora preços de voos e hotéis em tempo real para tentar reservar ou reemitir opções mais baratas sem alterar o roteiro de quem viaja a trabalho.

A própria Voll informou que, entre janeiro e maio de 2026, seus clientes economizaram R$ 38,1 milhões em passagens aéreas nacionais com uso de inteligência artificial na gestão de viagens. No mesmo período de 2025, o valor havia sido de R$ 4,8 milhões.

Outro dado operacional mostra o peso dessa automação. No primeiro trimestre de 2026, o AirSave, um dos agentes da plataforma, monitorou mais de 5.900 reservas e gerou economia média de 15,29% sobre o volume emitido. Já o ExpenseHelper processou mais de 12 mil comprovantes e identificou 4.500 anomalias no mesmo período.

Mesmo com IA, a operação ainda depende de gente quando o voo cancela ou o hotel falha

A aposta digital não eliminou o atendimento humano. A Voll mantém cerca de 250 agentes de viagens em atendimento 24 horas por dia, em 13 idiomas, para lidar com situações que um aplicativo ainda não resolve sozinho.

Esse ponto é decisivo no turismo corporativo. Um voo cancelado, um hotel com overbooking ou uma conexão perdida pode comprometer uma reunião, uma venda ou a segurança de um funcionário em deslocamento.

Moura costuma defender que o produto digital melhora o controle e reduz custo, mas ainda não substitui a sensação de acompanhamento em momentos críticos. A combinação entre software, dados e atendimento humano virou uma das bases do posicionamento da empresa.

A meta agora é crescer sem perder controle em um setor de margem pressionada

A meta de chegar a R$ 2,2 bilhões em receita em 2026 depende da expansão entre grandes corporações. Esse tipo de cliente gera volume, mas cobra disponibilidade, segurança, auditoria e estabilidade operacional.

A empresa também atraiu capital relevante. A Forbes publicou em maio de 2026 que a Voll recebeu um aporte de R$ 700 milhões liderado pela Warburg Pincus, movimento que marcou uma nova fase de governança e expansão tecnológica da companhia.

O desafio é crescer em um setor afetado por tarifa aérea, hospedagem cara, câmbio, deslocamentos internos e pressão por corte de despesas. Para empresas grandes, a promessa é simples: viajar quando for necessário, gastar menos quando houver alternativa e manter o funcionário assistido quando algo sai do roteiro.

A trajetória de Luiz Moura mostra como uma experiência operacional, iniciada carregando malas em hotel, virou base para uma empresa bilionária em um mercado ainda pouco visível para o público geral. Você acha que a inteligência artificial vai reduzir de fato os custos das viagens corporativas ou o atendimento humano continuará sendo o maior diferencial? Deixe sua opinião nos comentários.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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