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Preço de combustíveis: diesel cai na Petrobras, mas queda não chega ao consumidor no Brasil

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 22/12/2025 às 07:47 Atualizado em 22/12/2025 às 07:48
Preço de combustíveis: diesel cai na Petrobras, mas queda não chega ao consumidor no Brasil
Fonte: IA
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Preço de combustíveis segue alto no Brasil: diesel teve forte queda na Petrobras, mas desconto quase não chegou às bombas.

Apesar da sequência de cortes promovidos pela Petrobras desde 2023, o preço de combustíveis, especialmente do diesel, continua elevado para o consumidor final no Brasil.

Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, o valor do diesel vendido pela estatal às distribuidoras acumulou queda de 27,4%, enquanto, nas bombas, a redução foi de apenas 6,9%, segundo dados oficiais do Ministério de Minas e Energia.

A diferença expõe um descompasso causado por impostos, margens da cadeia de distribuição e aumento do biodiesel.

Diesel mais barato na Petrobras desde 2023

O primeiro reajuste autorizado no início do atual governo ocorreu em 7 de janeiro de 2023. Naquele momento, a Petrobras vendia o litro do diesel às distribuidoras por cerca de R$ 4,05. Desde então, a estatal realizou novos cortes, levando o preço para R$ 2,94 no último reajuste, em 6 de dezembro de 2025.

Assim, do ponto de vista da Petrobras, a queda foi expressiva. A política de preços buscou alinhar valores internos às condições do mercado internacional e reduzir a volatilidade. No entanto, o efeito prático para quem abastece caminhões, ônibus e veículos a diesel ficou bem abaixo do esperado.

Queda do diesel nas bombas é limitada

Enquanto o valor cobrado pela Petrobras recuou fortemente, o consumidor final sentiu pouco alívio. O preço médio nacional do litro do diesel caiu de R$ 6,51, em janeiro de 2023, para R$ 6,06 atualmente.

Isso representa uma queda de apenas 6,91% no período. Na prática, o preço de combustíveis segue pressionando custos de transporte, alimentos e produtos industriais em todo o Brasil.

Impostos federais voltaram a pesar

Parte dessa diferença está ligada à retomada da carga tributária. No fim do governo anterior, os impostos federais sobre o diesel haviam sido zerados para conter a escalada dos preços, que chegaram a R$ 7,67 por litro em julho de 2022.

Atualmente, a União voltou a arrecadar R$ 0,32 por litro em tributos federais. Portanto, mesmo com a queda no preço do diesel na Petrobras, o retorno dos impostos anulou parte do desconto ao consumidor.

ICMS uniforme elevou a carga nos estados

Além dos tributos federais, os estados ampliaram sua participação no preço final. Desde fevereiro de 2025, passou a vigorar a chamada tributação monofásica do ICMS sobre combustíveis, com valor único em todo o país.

No início de 2023, os estados cobravam cerca de R$ 0,79 por litro. Hoje, esse valor é de R$ 1,12, um aumento de 41,77%. Assim, o ICMS praticamente acompanhou o acréscimo da tributação federal, reduzindo o impacto da queda promovida pela Petrobras.

Produção pesa mais, mas não decide sozinha

Segundo especialistas, o preço de produção ainda é o maior componente do diesel, mas está longe de ser o único fator determinante.

“O preço final do diesel é uma combinação de diferentes fatores, sendo o preço de produção — a parcela da Petrobras — o maior componente”, explica Márcio D’Agosto, professor titular de engenharia de transporte da COPPE da UFRJ. “Outros fatores incluem impostos federais (PIS/Cofins) e estaduais (ICMS), o preço referente à adição de biodiesel, e a margem da distribuidora e a dos postos de combustíveis.”

Privatização da BR Distribuidora entra no debate

Para D’Agosto, a privatização da antiga BR Distribuidora, hoje Vibra Energia, está na raiz da distorção. “O governo perdeu o controle sobre os preços praticados pelas distribuidoras”, afirma.

Segundo ele, a mudança reduziu a concorrência e enfraqueceu instrumentos de política pública voltados ao preço de combustíveis, que envolvem não apenas economia, mas também segurança energética no Brasil.

Margem das distribuidoras segue pouco transparente

No modelo atual, as distribuidoras compram o diesel puro, arcam com impostos, custos de biodiesel e logística, e depois adicionam uma margem própria antes de repassar aos postos.

“Essa margem é um segredo comercial e, claro, não é divulgada pelas distribuidoras”, destaca D’Agosto. Isso dificulta o acompanhamento público e amplia a percepção de que a queda na Petrobras se perde ao longo da cadeia.

Biodiesel encarece o diesel final

Outro fator relevante é o aumento da mistura obrigatória de biodiesel. Entre 2023 e 2025, o percentual subiu de 10% para 15%.

Além disso, o preço do biodiesel passou de R$ 0,58 para R$ 0,88 por litro. “O biodiesel hoje é mais caro que o diesel fóssil”, explica Edmar Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio. “Isso eleva o preço médio final.”

Impacto direto no transporte e na economia

Em 2024, o Brasil consumiu cerca de 67 bilhões de litros de diesel. O combustível responde por até 40% dos custos operacionais de uma transportadora e influencia diretamente o preço do frete.

Como o transporte rodoviário movimenta cerca de 60% das mercadorias no país, o custo do diesel afeta toda a cadeia produtiva. Em média, o frete representa 30% do custo final dos produtos.

Reduzir impostos seria a única saída imediata

Segundo especialistas, a única forma rápida de baratear o preço de combustíveis seria reduzir impostos. No entanto, isso exigiria que governos abrissem mão de aproximadamente R$ 75 bilhões em arrecadação, sendo R$ 21 bilhões da União e R$ 53,6 bilhões dos estados.

Postos e transportadoras rebatem críticas

Do lado dos postos, a Fecombustíveis rejeita o papel de vilã. “As margens estão cada vez mais apertadas”, afirma James Thorp, presidente da entidade.

Já o setor de transporte também sente os efeitos. “O mercado está instável, com baixo volume de carga, o que dificulta aplicar reajustes”, diz Marcelo Rodrigues, presidente do SETCESP. Ele também aponta a privatização da BR Distribuidora como um dos entraves para uma queda mais significativa do diesel no Brasil.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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