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Preço da ureia disparou quase 60% em apenas 3 semanas e a China cortou exportações de fertilizantes para o Brasil: agronegócio brasileiro entra em estado de alerta com guerra no Oriente Médio ameaçando a próxima safra

Publicado em 24/03/2026 às 17:12
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Alta dos fertilizantes com a guerra no Oriente Médio pressiona o agronegócio. Ureia subiu 60% e a próxima safra está ameaçada. Entenda o cenário.
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A alta nos preços dos fertilizantes causada pela guerra no Oriente Médio pressiona o agronegócio brasileiro, que depende de 85% de importação desses insumos. Com a China restringindo exportações e a ureia subindo quase 60%, produtores temem impactos na próxima safra.

O setor de fertilizantes é um dos mais atingidos pela escalada do conflito no Oriente Médio, e os efeitos já chegam ao campo brasileiro. A ureia, principal fertilizante nitrogenado usado na agricultura, saltou de US$ 350 para US$ 550 por tonelada em apenas três semanas, uma alta de quase 60%. Ao mesmo tempo, a China, maior fornecedora de fertilizantes para o Brasil, restringiu suas exportações, agravando um cenário que preocupa todo o agronegócio nacional.

O Brasil importa em média 85% dos fertilizantes que consome e, no caso dos nitrogenados, a dependência externa chega a 95%. A combinação entre guerra, restrição de oferta e alta do petróleo cria um efeito dominó que pode encarecer a produção agrícola, pressionar os preços dos alimentos e comprometer a rentabilidade dos produtores na próxima safra.

Como a guerra no Oriente Médio está afetando o mercado de fertilizantes

O conflito no Oriente Médio atinge diretamente a cadeia global de fertilizantes porque a região concentra grandes produtores de ureia e amônia, elaboradas a partir de gás natural e petróleo. O Irã, um dos principais exportadores mundiais de fertilizantes nitrogenados, está no centro do conflito, e o estrangulamento no fornecimento de matérias-primas já se reflete nos preços internacionais.

Além da ureia, o fertilizante fosfatado MAP (fosfato monoamônico) também registrou alta expressiva, saindo de US$ 520 para US$ 710 por tonelada. O aumento generalizado nos preços dos fertilizantes acompanha a escalada do petróleo, insumo fundamental na produção desses compostos. Em algumas regiões do interior do Brasil, já há relatos de escassez de óleo diesel, sinalizando que os efeitos do conflito vão além do setor agrícola.

A dependência brasileira de fertilizantes importados

O agronegócio brasileiro cresceu de forma impressionante nos últimos 30 anos, liderando rankings mundiais de produtividade agrícola e pecuária. Nesse mesmo período, porém, a dependência de fertilizantes importados aumentou drasticamente. Na média geral, o Brasil depende de 85% de importação para os três tipos básicos de fertilizantes, o NPK: nitrogênio, fósforo e potássio.

O quadro é ainda mais grave nos fertilizantes nitrogenados. Em 2000, o Brasil produzia 39% da ureia que consumia. Em 2020, essa fatia caiu para apenas 4,3%. A dependência externa em nitrogenados chegou a 95% porque fábricas nacionais foram sendo fechadas ao longo dos anos, inclusive pela Petrobras, sob o argumento de que o custo de produção nacional é cerca de quatro vezes maior do que o de países como Irã e Rússia.

O Plano Nacional de Fertilizantes e a falta de continuidade

Diante dessa vulnerabilidade, em 2021 foi apresentado o Plano Nacional de Fertilizantes, com a meta de elevar a produção nacional de fertilizantes para 50% do consumo interno até 2050. O plano foi criado durante o governo Bolsonaro, sob a gestão da ministra Tereza Cristina, e recebeu amplo apoio do setor produtivo.

No entanto, com a mudança de governo, o plano foi deixado de lado. A falta de continuidade em políticas estratégicas de longo prazo é um problema recorrente no Brasil, e agora a crise dos fertilizantes provocada pela guerra no Oriente Médio expõe com clareza as consequências dessa descontinuidade. A cada novo conflito internacional, o país fica refém de fornecedores externos e sujeito a oscilações de preço que comprometem a competitividade do agronegócio.

Como a alta dos fertilizantes pode afetar os preços dos alimentos

O impacto da alta dos fertilizantes não se limita ao campo. O encarecimento dos insumos agrícolas tende a pressionar toda a cadeia produtiva, do milho à ração, da ração ao frango, do frango ao consumidor final. Culturas como milho e trigo estão entre as mais expostas, já que dependem fortemente de adubação nitrogenada.

O cenário, porém, tem nuances. O milho, por exemplo, está com preço internacional relativamente baixo por conta de estoques globais elevados. Se os Estados Unidos produzirem uma grande safra, o preço pode continuar contido, e os agricultores brasileiros terão que absorver o aumento de custo dos fertilizantes sem repassá-lo.

Se o preço do milho reagir, o repasse virá, mas será sentido em toda a cadeia, inclusive pelo consumidor. O primeiro relatório de plantio da safra norte-americana, previsto para o final de março, deve dar sinais mais claros sobre a direção dos preços.

O que o agronegócio pode esperar nos próximos meses

O agronegócio brasileiro enfrenta um momento de incerteza que combina fatores externos incontroláveis com fragilidades internas acumuladas ao longo de décadas. A guerra no Oriente Médio elevou o preço dos fertilizantes, a China restringiu exportações, e o Brasil se vê exposto por não ter investido de forma consistente na produção nacional desses insumos.

As próximas semanas serão decisivas. O comportamento dos preços internacionais de fertilizantes e do petróleo dependerá da evolução do conflito. Se a guerra se prolongar, a tendência é de pressão contínua sobre custos de produção, com reflexos diretos na rentabilidade dos produtores e nos preços dos alimentos para o consumidor brasileiro.

A lição que a crise está expondo é clara: uma nação agrícola do porte do Brasil não pode depender de 85% de importação de fertilizantes sem pagar um preço alto por isso.

A crise dos fertilizantes provocada pela guerra no Oriente Médio coloca o agronegócio brasileiro diante de uma realidade incômoda: o país que lidera a produtividade agrícola mundial depende quase inteiramente de outros países para adubar suas lavouras. Sem investimento consistente na produção nacional de fertilizantes, cada novo conflito internacional se transforma em ameaça direta à safra e ao bolso do consumidor.

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Com informações do Canal do SBT.
O que você acha dessa situação? Acredita que o Brasil deveria retomar o Plano Nacional de Fertilizantes com urgência, ou a dependência externa é inevitável? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe com quem acompanha o agronegócio brasileiro.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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