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Goiás fecha acordo bilionário de 575 milhões de dólares com os Estados Unidos para explorar terras raras e minerais críticos em solo brasileiro numa corrida global para acabar com a dependência da China

Publicado em 24/03/2026 às 16:49
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Goiás fecha acordo de 575 milhões de dólares com os Estados Unidos para explorar terras raras e minerais críticos e reduzir a dependência da China.
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O governador Ronaldo Caiado assinou parceria com os Estados Unidos envolvendo 575 milhões de dólares para exploração de terras raras e minerais críticos em Goiás, em meio à corrida do Ocidente para reduzir a dependência da China nesses materiais estratégicos.

O governo de Goiás assinou nesta quarta-feira (18) um acordo de cooperação com os Estados Unidos para a exploração de terras raras e minerais críticos em solo goiano. O investimento previsto é de 575 milhões de dólares, e a parceria foi firmada pelo governador Ronaldo Caiado em meio a um fórum sobre minerais estratégicos que reuniu representantes do governo Donald Trump e empresários americanos e brasileiros em São Paulo.

O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para reduzir sua dependência da China no fornecimento de materiais essenciais à indústria tecnológica.O Brasil abriga a segunda maior reserva de terras raras e minerais críticos do planeta, e Goiás é um dos estados com maior concentração desses elementos, usados na fabricação de semicondutores, baterias de carros elétricos e painéis solares.

O que prevê o acordo de 575 milhões de dólares entre Goiás e os Estados Unidos

O acordo assinado entre o governo de Goiás e os Estados Unidos estabelece uma cooperação para a exploração e o processamento de terras raras e minerais críticos encontrados em território goiano. A intenção declarada pelo governador Ronaldo Caiado é que o estado não seja apenas exportador de matéria-prima bruta, mas que desenvolva localmente as tecnologias de separação e beneficiamento desses materiais, agregando valor antes da exportação.

O investimento de 575 milhões de dólares representa um dos maiores aportes estrangeiros já direcionados ao setor mineral de um estado brasileiro.

Os minerais visados incluem lítio, cobalto, níquel e elementos de terras raras, todos considerados insumos indispensáveis para a transição energética e para cadeias produtivas de alta tecnologia.

A expectativa é que o acordo gere empregos, atraia novas indústrias e posicione Goiás como polo estratégico na cadeia global de minerais críticos.

Por que os Estados Unidos buscam terras raras e minerais críticos no Brasil

A corrida americana por terras raras e minerais críticos fora de seu próprio território tem uma explicação direta: a dependência da China.

Atualmente, a China detém a tecnologia dominante de separação e processamento desses materiais e utiliza esse controle como instrumento de pressão geopolítica, restringindo exportações quando há tensões comerciais ou tarifárias.

O interesse dos Estados Unidos não é exclusivo. A Europa e outras economias ocidentais enfrentam o mesmo problema e também buscam fornecedores alternativos. Nesse contexto, países como o Brasil, o Chile e a Argentina se tornam parceiros estratégicos por abrigarem reservas significativas desses materiais.

Goiás, com sua concentração elevada de minerais críticos, aparece como um dos destinos prioritários para investimentos americanos nessa área.

O fórum em São Paulo e a ausência do governo federal

O acordo entre Goiás e os Estados Unidos foi assinado no mesmo dia em que ocorreu um fórum sobre minerais críticos em São Paulo, com a presença de representantes do governo Trump e de empresários dos dois países. O evento chamou atenção pela ausência de representantes do governo federal brasileiro, o que gerou questionamentos considerando que a exploração mineral no Brasil depende de licenciamento concedido pela Agência Nacional de Mineração, já que o subsolo e suas riquezas pertencem à União.

A ausência pode ter relação com um episódio diplomático paralelo.O Itamaraty revogou o visto de entrada no Brasil de Daren Beat, assessor do governo dos Estados Unidos, após considerar que houve falta de sinceridade no motivo declarado para a visita.

Beat havia informado que participaria do fórum de minerais, o que foi negado pelos organizadores. Paralelamente, ele também solicitara autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, pedido que foi inicialmente autorizado e depois negado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Os desafios para explorar terras raras e minerais críticos em Goiás

Apesar do acordo bilionário, a exploração de terras raras e minerais críticos em Goiás depende de etapas que envolvem diferentes esferas de governo. O licenciamento mineral é competência da União, enquanto o licenciamento ambiental cabe aos governos estaduais e locais. Isso significa que governo federal e governo estadual precisam trabalhar em conjunto para que o investimento de 575 milhões de dólares se torne realidade.

Há ainda um desafio estrutural mais amplo. Especialistas presentes no fórum apontaram que, embora exista demanda global crescente por esses materiais, o mercado internacional de terras raras e minerais críticos ainda não está plenamente consolidado.

Criar uma cadeia produtiva que vá da extração ao processamento final exige não apenas capital, mas também transferência de tecnologia e construção de infraestrutura especializada. Perguntado sobre o não comparecimento à assinatura do acordo, o Ministério de Minas e Energia não se manifestou.

O que a disputa global por minerais estratégicos significa para o Brasil

O acordo entre Goiás e os Estados Unidos não é um evento isolado. Ele se insere numa disputa geopolítica global em que o controle sobre terras raras e minerais críticos se tornou tão estratégico quanto o domínio sobre petróleo nas décadas anteriores. A dependência da China nesse setor preocupa governos ocidentais, e a busca por alternativas está remodelando alianças comerciais e diplomáticas em todo o mundo.

Para o Brasil, a oportunidade é significativa, mas exige cautela. Exportar matéria-prima bruta sem desenvolver capacidade local de processamento repetiria erros históricos. O desafio está em garantir que acordos como o firmado por Goiás resultem em transferência real de tecnologia, geração de empregos qualificados e fortalecimento da indústria nacional, e não apenas em extração de riquezas para benefício externo.

O acordo de 575 milhões de dólares entre Goiás e os Estados Unidos coloca o Brasil no centro da disputa global por terras raras e minerais críticos. Se o investimento se concretizar com transferência de tecnologia e geração de valor local, pode representar um marco para a economia goiana e para a posição do país na cadeia global de materiais estratégicos.

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Com informações do Canal do SBT.

O que você pensa sobre esse acordo? Acredita que o Brasil conseguirá usar suas reservas de terras raras e minerais críticos de forma estratégica, ou corre o risco de repetir o ciclo de exportação de matéria-prima sem beneficiamento? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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