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Prata salta mais de 200%, supera o ouro e reflete tensões na economia global

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 26/01/2026 às 10:54
Prata supera o ouro com alta acima de 200%, impulsionada por tensões globais, incertezas na economia e decisões dos Estados Unidos.
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Prata supera o ouro com alta acima de 200%, impulsionada por tensões globais, incertezas na economia e decisões dos Estados Unidos.

A prata registrou uma valorização histórica superior a 200% em apenas um ano, superando com folga o desempenho do ouro e chamando a atenção de investidores em meio a um cenário de fortes incertezas na economia, tensões geopolíticas e decisões controversas dos Estados Unidos.

O movimento, observado entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, reflete a busca global por proteção patrimonial, mas também revela diferenças estruturais entre os principais metais preciosos.

Em 22 de janeiro de 2025, a prata era negociada a cerca de US$ 31. Um ano depois, atingiu US$ 102, acumulando alta de 224,98%.

No mesmo período, o ouro avançou 75,65%, passando de US$ 2.797 para US$ 4.913 por onça, segundo levantamento da Elos Ayta.

Apesar de ambos figurarem como ativos defensivos, especialistas explicam que o papel de cada metal na economia global é distinto.

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Metais preciosos ganham força como proteção em tempos de incerteza

Historicamente, metais preciosos, especialmente o ouro, são utilizados por investidores e bancos centrais como reserva de valor. No entanto, a recente escalada de preços não decorre de um único fator.

Pelo contrário, resulta da convergência de riscos geopolíticos, mudanças na política monetária e maior cautela dos grandes gestores globais.

De acordo com especialistas, sempre que há risco de escalada militar ou instabilidade em regiões estratégicas para a economia internacional, ocorre uma migração de capital para ativos considerados “porto seguro”.

Esse comportamento ganhou força diante de episódios recentes, como a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, os conflitos envolvendo o Irã e as tensões diplomáticas em torno da Groenlândia.

Para Patrícia Palomo, economista da Arau Consultoria, esses eventos funcionam como gatilhos clássicos de proteção.

“Eles elevam a demanda por ativos que não dependem do desempenho econômico de um país específico, não carregam risco de crédito soberano e são historicamente percebidos como reserva de valor.”

Juros mais baixos e bancos centrais impulsionam o ouro

Além do ambiente geopolítico, fatores financeiros também sustentam o rali dos metais. A expectativa de juros reais mais baixos no médio prazo reduz o custo de oportunidade de manter ouro em carteira.

“Como o ouro não gera fluxo de caixa, o custo de oportunidade de mantê-lo em carteira diminui quando o mercado passa a precificar cortes. Esse efeito torna o metal relativamente mais atrativo em comparação a títulos de renda fixa”, explica Palomo.

Esse movimento é reforçado pela atuação dos bancos centrais. Segundo Marco Harbich, CIO da Gordon Capital, países como China, Índia e diversas economias emergentes ampliaram de forma significativa suas reservas de ouro.

“Esse comportamento está ligado à tentativa de diversificação das reservas cambiais e à redução da dependência do dólar”, afirma.

Por que a prata sobe mais, mas é mais volátil

Apesar de frequentemente associada ao ouro, a prata desempenha um papel diferente na economia global. Para Harbich, o metal prateado também atua como proteção, mas possui um componente adicional relevante: o uso industrial.

“Uma parcela significativa de sua demanda vem de setores como energia solar, semicondutores, eletrônica e tecnologia. Isso faz com que seu preço seja mais volátil do que o do ouro.”

A expansão acelerada da energia solar em países como China, Estados Unidos e Índia elevou de forma expressiva a demanda por prata, essencial na fabricação de painéis fotovoltaicos.

Ao mesmo tempo, limitações na oferta e dificuldades para abertura de novas minas pressionaram os preços.

Segundo Palomo, em cenários de aversão a risco, a prata pode acompanhar o ouro. No entanto, em desacelerações econômicas mais profundas, sua ligação com a atividade industrial pode resultar em oscilações mais intensas.

“O ouro tende a cumprir melhor a função de amortecedor de risco em cenários extremos”, avalia.

Ouro atinge recordes históricos com crise de confiança nos Estados Unidos

Enquanto a prata surpreende pela intensidade da alta, o ouro segue ampliando um rali histórico. O metal ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 5.100 por onça, acumulando alta de 64% em 2025, o maior ganho anual desde 1979, e mais de 18% apenas neste ano.

O avanço é atribuído à demanda por refúgio seguro, à flexibilização da política monetária dos Estados Unidos, às compras consecutivas dos bancos centrais — com destaque para a China — e à entrada recorde de recursos em fundos negociados em bolsa.

“O mais recente catalisador é efetivamente essa crise de confiança na administração dos Estados Unidos e nos ativos dos Estados Unidos”, afirmou Kyle Rodda, analista sênior de mercado da Capital.com.

Segundo ele, decisões erráticas do governo americano intensificaram a corrida pelo ouro como alternativa de proteção.

Como investir em prata, ouro e outros metais preciosos

Para o investidor pessoa física, existem diferentes formas de acesso aos metais preciosos. A compra física, em barras ou moedas, é possível, mas envolve custos de custódia e riscos de segurança. Por isso, costuma ser menos recomendada.

Uma alternativa mais prática são ETFs e BDRs negociados na bolsa, que oferecem exposição ao ouro e à prata com maior liquidez.

“Para quem busca simplicidade operacional, esses ativos permitem acompanhar a variação do metal e, em muitos casos, o efeito cambial”, recomenda Palomo.

Harbich ressalta que o ponto central é compreender o papel desses ativos na carteira.

“Metais preciosos não devem ser vistos como instrumentos de ganho rápido, mas como ferramentas de diversificação e proteção patrimonial, especialmente em cenários de incerteza, inflação persistente ou perda de confiança em moedas.”

Dessa forma, embora a prata tenha superado o ouro em valorização recente, ambos seguem desempenhando funções complementares na economia global.

Em um ambiente marcado por instabilidade, decisões políticas controversas nos Estados Unidos e riscos geopolíticos crescentes, os metais preciosos continuam no centro das estratégias de proteção dos investidores.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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