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Pouca gente sabe, mas alguns prédios desabam no Brasil por conta de um método de construção antigo, e o caso do edifício Kátia Melo em Pernambuco mostra por que isso ainda é um risco

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 17/03/2026 às 20:20
alguns prédios desabam no Brasil por conta de um método de construção antigo, e o caso do edifício Kátia Melo em Pernambuco
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O edifício Kátia Melo na região de Jabotão dos Guararapes exemplifica por que prédios desabam no Brasil e como erros comuns em métodos de construção antigos podem colocar moradores em perigo

Na manhã de 6 de maio de 2025, parte do edifício Kátia Melo desabou em Pernambuco e chamou atenção para um problema que muita gente ignora, por que prédios desabam mesmo sem aviso aparente.

O prédio já tinha sinais claros de risco e foi, então, interditado menos de 48 horas antes. Os moradores saíram a tempo, o que evitou uma tragédia maior. Ainda assim, o caso acendeu um alerta importante para quem vive em condomínio.

A ocorrência foi registrada pela Defesa Civil, órgão que monitora riscos e segurança de construções nas cidades, que já havia identificado problemas graves na estrutura.

O que aconteceu com o edifício Kátia Melo

O prédio não caiu do nada. Antes do desabamento, já havia sinais visíveis de que algo estava errado.

Moradores e técnicos perceberam rachaduras nas paredes, piso afundando e partes se soltando. Esses são sinais que indicam que a estrutura está sofrendo.

Mesmo assim, ao longo dos anos, o prédio passou por mudanças e não recebeu os cuidados necessários. Isso fez o problema crescer até chegar ao colapso.

O tipo de construção que pode aumentar o risco

O edifício era do tipo conhecido como prédio-caixão, um modelo antigo de construção.

Esse tipo de prédio pode funcionar bem, mas precisa de cuidado constante. Quando não há manutenção, ele pode se tornar mais frágil com o tempo.

O problema aparece quando esse tipo de estrutura sofre mudanças sem controle, como reformas feitas sem orientação de engenheiro.

Prédio Katia Melo, em Pernambuco, chama atenção após cenário que levanta alerta sobre segurança estrutural

Reformas simples podem virar um grande problema

Muita gente acha que mexer dentro do apartamento não afeta o prédio todo, mas isso não é verdade.

No caso do edifício, alguns moradores fizeram mudanças como abrir buracos para ar condicionado, retirar paredes e fazer furos nas estruturas.

Essas mudanças alteram o peso que o prédio precisa suportar. Com o tempo, isso cria pontos fracos que podem levar ao desabamento.

Cada pequena alteração pode parecer inofensiva, mas juntas elas enfraquecem toda a construção.

Falta de manutenção acelera o desgaste

Outro problema importante foi a falta de manutenção ao longo dos anos. Com o tempo, qualquer prédio sofre desgaste natural. Sem cuidado, começam a aparecer sinais como rachaduras, infiltrações e partes soltando da parede.

A Defesa Civil, órgão que monitora riscos e segurança de construções nas cidades, já havia identificado esses sinais no prédio antes do desabamento.

Quando esses avisos são ignorados, o risco aumenta muito.

A influência do mar também pode afetar os prédios

O edifício ficava perto do litoral, onde o ar tem sal. Esse sal pode entrar nas estruturas e causar corrosão no aço que fica dentro do concreto, deixando o prédio mais fraco com o tempo.

Existe uma norma chamada ABNT NBR-6118, que define como construir e proteger prédios em ambientes assim.

Mesmo quando esse não é o principal problema, ele ajuda a acelerar os danos quando não há manutenção.

Outros casos mostram que isso não é raro

Esse não foi um caso isolado. Outros desabamentos já aconteceram por motivos parecidos. Nos anos 1990, prédios ligados ao empresário Sérgio Naya caíram por problemas na construção.

Em 2012, três prédios no Rio de Janeiro desabaram depois que uma parte importante foi retirada durante uma reforma. Esse caso levou à criação da ABNT NBR 16.280, que controla reformas em prédios.

Desabamento no centro do Rio expõe risco oculto em reformas: tragédia de 2012 mudou regras e deu origem à norma que hoje tenta evitar novos colapsos

Em 2021, um prédio nos Estados Unidos também caiu, mostrando que esse tipo de problema acontece no mundo todo.

Ainda existem muitos prédios em risco

Estimativas apontam que ainda existem muitos prédios com problemas na região metropolitana do Recife.

Análises indicam que pelo menos cem edifícios estão em situação mais grave de risco. Entre 1977 e 2023, tiveram registros 18 desabamentos desse tipo, com várias mortes.

Esses números mostram, portanto, que o problema continua atual e precisa de atenção.

O papel dos síndicos e moradores

Outro ponto importante é a organização dos condomínios. Muitos prédios não têm um plano de manutenção. Sem isso, fica difícil saber o que precisa ter conserto e quando agir.

Síndicos relatam que, em alguns casos, nem existe documentação completa do prédio.

Sem controle e sem cuidado, pequenos problemas podem, assim, crescer sem ninguém perceber.

O desabamento do edifício Kátia Melo mostra, então, que prédios dão sinais antes de cair. Rachaduras, barulhos estranhos e mudanças na estrutura não devem ser ignorados.

Cuidar da manutenção e evitar reformas sem orientação técnica pode fazer toda a diferença para evitar acidentes.

Se você mora em prédio, já viu algo parecido ou conhece alguém que passou por isso, compartilhe este conteúdo e ajude mais pessoas a entender esse risco.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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