O porta-aviões Fujian é o maior navio de guerra já construído na Ásia e o primeiro da China com catapultas eletromagnéticas para lançar caças diretamente do convés.
O lançamento do porta-aviões Fujian (Type 003) representa um marco na evolução naval da China. Construído no estaleiro Jiangnan Shipyard, em Xangai, o navio é o terceiro porta-aviões da Marinha do Exército de Libertação Popular e o mais avançado já desenvolvido pelo país. Com cerca de 316 metros de comprimento e deslocamento estimado em aproximadamente 80.000 toneladas, o Fujian é o maior navio de guerra já construído na Ásia e coloca a China em uma nova etapa na corrida tecnológica dos porta-aviões.
Diferentemente dos dois primeiros porta-aviões chineses — Liaoning e Shandong — o Fujian não utiliza rampa inclinada para lançar aeronaves. Em vez disso, ele adota um sistema muito mais avançado: catapultas eletromagnéticas, conhecidas pela sigla EMALS (Electromagnetic Aircraft Launch System). Essa tecnologia permite lançar aeronaves mais pesadas, com maior carga de combustível e armamentos, aumentando significativamente o alcance e a capacidade operacional do grupo aéreo embarcado.
O maior navio de guerra já construído na Ásia
O tamanho do Fujian chama atenção mesmo quando comparado a outros grandes navios militares. Entre os principais dados técnicos conhecidos do porta-aviões estão:
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- Comprimento: cerca de 316 metros
- Deslocamento: aproximadamente 80.000 toneladas
- Propulsão: convencional (não nuclear)
- Sistema de lançamento: catapultas eletromagnéticas
- Capacidade de aeronaves: estimada entre 60 e 70 aeronaves
Essas dimensões colocam o navio próximo da categoria dos chamados superporta-aviões, embora ele ainda seja ligeiramente menor que os gigantes americanos da classe Nimitz ou Gerald R. Ford, que ultrapassam 100.000 toneladas.
Mesmo assim, o Fujian representa um salto tecnológico significativo em relação aos porta-aviões chineses anteriores.
A importância das catapultas eletromagnéticas
O sistema EMALS é considerado uma das tecnologias mais avançadas já aplicadas em porta-aviões. Nos porta-aviões mais antigos, o lançamento de aeronaves era feito por meio de catapultas a vapor ou por rampas inclinadas conhecidas como ski-jump.
As catapultas eletromagnéticas funcionam de maneira diferente. Em vez de vapor pressurizado, o sistema utiliza campos eletromagnéticos para acelerar a aeronave ao longo do convés, permitindo que ela atinja velocidade suficiente para decolar. Essa tecnologia oferece diversas vantagens:
- lançamento mais suave e controlado
- menor desgaste estrutural das aeronaves
- capacidade de lançar aeronaves mais pesadas
- maior eficiência operacional
Até recentemente, apenas os Estados Unidos utilizavam esse sistema em porta-aviões, especialmente na classe USS Gerald R. Ford, considerada a mais moderna da Marinha americana.
Com o Fujian, a China se torna o segundo país a operar porta-aviões equipados com catapultas eletromagnéticas.
Diferenças em relação aos porta-aviões chineses anteriores
Antes do Fujian, a China operava dois porta-aviões principais. O primeiro foi o Liaoning, originalmente construído pela União Soviética e adquirido pela China após o colapso soviético. O navio foi reformado e entrou em serviço em 2012.
O segundo foi o Shandong, primeiro porta-aviões construído integralmente pela China, baseado no projeto do Liaoning. Ambos utilizam o sistema ski-jump, que consiste em uma rampa inclinada na proa do navio. Esse método permite a decolagem de aeronaves sem catapultas, mas impõe limitações importantes:
- menor peso de decolagem
- menor quantidade de combustível e armamentos
- menor alcance operacional
Com o Fujian, essas limitações são reduzidas, pois as catapultas eletromagnéticas permitem lançar aeronaves mais pesadas com maior eficiência.
Grupo aéreo embarcado
Embora detalhes oficiais ainda sejam limitados, espera-se que o Fujian opere um grupo aéreo moderno composto por diferentes tipos de aeronaves.
Entre os principais candidatos estão:
- J-15T – versão aprimorada do caça embarcado chinês
- KJ-600 – aeronave de alerta antecipado semelhante ao E-2 Hawkeye americano
- drones de reconhecimento e ataque
- helicópteros de guerra antissubmarino
A presença de aeronaves de alerta antecipado é particularmente importante, pois amplia o alcance do radar da frota e melhora a coordenação das operações aéreas.
O papel estratégico do Fujian
A construção do Fujian reflete a estratégia chinesa de expandir sua presença naval além das águas costeiras. Nas últimas décadas, a China tem investido fortemente na modernização de sua marinha, com foco em navios de grande porte, submarinos avançados e sistemas de mísseis de longo alcance.

Os porta-aviões desempenham papel central nessa estratégia. Esses navios funcionam como bases aéreas móveis, capazes de projetar poder militar a milhares de quilômetros de distância do território nacional.
Com um porta-aviões em operação, um país pode deslocar rapidamente caças, helicópteros e aeronaves de vigilância para regiões estratégicas do oceano.
Testes e entrada em operação
O Fujian foi lançado ao mar em junho de 2022 durante uma cerimônia oficial na cidade de Xangai. Após o lançamento, o navio iniciou uma longa fase de testes e ajustes técnicos.
Esse processo inclui:
- verificação dos sistemas de propulsão
- testes de radar e sensores
- avaliação das catapultas eletromagnéticas
- testes de navegação em mar aberto
Somente após essas etapas o navio poderá iniciar testes de operação com aeronaves embarcadas. Especialistas estimam que o porta-aviões poderá atingir plena capacidade operacional ao longo da segunda metade da década de 2020.
Um símbolo da evolução naval chinesa
A construção do Fujian representa um avanço importante para a engenharia naval chinesa. Ao desenvolver internamente um porta-aviões com catapultas eletromagnéticas, a China demonstra capacidade de dominar tecnologias complexas tradicionalmente associadas às marinhas mais avançadas do mundo.
Embora ainda existam diferenças significativas em comparação com a frota americana, o Fujian mostra que o país está investindo fortemente na expansão de sua presença marítima.
Com dimensões impressionantes e sistemas tecnológicos avançados, o navio simboliza uma nova fase na evolução da marinha chinesa e reforça a importância estratégica dos porta-aviões no equilíbrio naval do século XXI.

