Ex-HMS Ocean, o NAM Atlântico tem 208 metros, leva até 18 aeronaves e já foi usado pela Marinha em missões humanitárias no Brasil.
O NAM Atlântico (A-140) é hoje a capitânia da Esquadra brasileira e uma das plataformas mais relevantes da Marinha do Brasil. Antes de navegar com a bandeira brasileira, o navio serviu à Marinha Real Britânica como HMS Ocean e foi adquirido pelo Brasil em fevereiro de 2018, com incorporação em junho do mesmo ano.
Mais do que um grande navio militar, o Atlântico concentra funções que normalmente exigiriam mais de um meio naval. A embarcação reúne convoo, hangar, capacidade anfíbia e espaço para grande volume de pessoal embarcado, o que explica por que ela passou a ocupar posição central nas operações brasileiras no mar e também em missões de apoio à população.
Ex-HMS Ocean virou o NAM Atlântico e devolveu ao Brasil uma plataforma aeronaval de grande porte
Uma publicação oficial da Marinha registra que o navio, originalmente chamado HMS Ocean, foi construído em meados dos anos 1990, comprado pela Marinha do Brasil em 2018 e comissionado poucos meses depois.
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Inicialmente classificado como Porta-Helicópteros Multipropósito, ele passou a receber, em 12 de novembro de 2020, a denominação de Navio-Aeródromo Multipropósito, em razão da possibilidade de operar também com aeronaves remotamente pilotadas e aeronaves turboélice de pouso vertical.
A chegada do Atlântico preencheu uma lacuna importante para a Marinha brasileira ao recolocar em serviço uma plataforma com foco em operações aéreas embarcadas e apoio anfíbio. Desde então, o navio passou a ocupar o posto de principal embarcação da Esquadra e a concentrar parte relevante da capacidade de mobilidade e presença naval do país.
Navio-aeródromo multipropósito de 208 metros concentra convoo, hangar e transporte de tropas em uma única plataforma
Segundo a Agência Marinha de Notícias, o Atlântico tem 208,12 metros de comprimento, capacidade para transportar 18 aeronaves entre hangar e convoo, tripulação de 432 militares e possibilidade de embarcar até 1.400 militares em missão. Esses números ajudam a dimensionar o porte da embarcação dentro da estrutura naval brasileira.

Outra publicação oficial da Marinha destaca que o navio pode transportar tropas com até 800 Fuzileiros Navais, reforçando sua vocação anfíbia e expedicionária. Na prática, isso faz do Atlântico uma plataforma desenhada para combinar mobilidade aérea, transporte de pessoal e apoio a operações de projeção no mar e sobre terra.
O peso estratégico do navio está justamente nessa combinação de funções. Em vez de servir apenas como convoo para helicópteros, o Atlântico reúne capacidade aérea, logística e de transporte militar em um único casco, o que amplia sua utilidade tanto em cenários operacionais quanto em ações de apoio do Estado.
NAM Atlântico já saiu da lógica de combate para atuar como hospital de campanha em tragédia no litoral de São Paulo
Em fevereiro de 2023, a Marinha enviou o Atlântico ao litoral norte de São Paulo para apoiar as ações da Defesa Civil após as fortes chuvas que atingiram a região.
Na ocasião, a força informou que o navio atuaria como reforço ao atendimento médico dos desabrigados, ajudando a desafogar os hospitais locais e levando apoio logístico às vítimas.
A operação mobilizou uma estrutura ampla embarcada. De acordo com a Marinha, o navio seguiu para a missão com seis helicópteros, embarcações de desembarque, equipe de pronto emprego do Centro de Medicina Operativa e um grupamento de 180 Fuzileiros Navais, além de profissionais de saúde de diferentes especialidades.
Esse emprego mostrou uma das faces menos conhecidas do Atlântico. Embora seja uma embarcação de caráter militar, o navio também funciona como plataforma de resposta rápida em calamidades, especialmente quando é preciso levar atendimento, logística e mobilidade para áreas afetadas em pouco tempo.
Capitânia da Esquadra reforça a presença naval brasileira e amplia a capacidade de resposta em missões complexas
Desde que entrou em serviço no Brasil, o Atlântico passou a simbolizar a combinação entre presença naval, mobilidade e versatilidade operacional.
Seu porte, a capacidade de embarcar aeronaves e tropas e o espaço interno disponível fazem da embarcação uma peça central para tarefas que exigem comando, deslocamento de pessoal e apoio a diferentes tipos de missão.
A trajetória brasileira do navio também mostra que o valor de uma grande plataforma naval não se mede apenas por sua função militar direta.
No caso do Atlântico, a mesma estrutura que sustenta operações aéreas e anfíbias também já foi usada para levar assistência médica, apoio logístico e presença do Estado em momentos críticos dentro do território nacional.

