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Batizado com o nome da província mais próxima de Taiwan, o terceiro porta-aviões da China pesa 80 mil toneladas, carrega 50 aeronaves furtivas e usa catapultas eletromagnéticas que lançam 12 caças por hora

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 15/04/2026 às 06:15
Atualizado em 15/04/2026 às 21:52
Porta-aviões Fujian da marinha chinesa navegando em mar aberto com 80 mil toneladas e 316 metros de comprimento
Com 80 mil toneladas e 316 metros, o Fujian é o primeiro porta-aviões chinês com catapultas eletromagnéticas e capacidade para mais de 50 aeronaves.
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O porta-aviões Fujian foi incorporado à Marinha chinesa em cerimônia presidida por Xi Jinping, possui 316 metros de comprimento, três catapultas eletromagnéticas e capacidade para mais de 50 aeronaves, incluindo caças furtivos de quinta geração

Em 7 de novembro de 2025, o presidente Xi Jinping presidiu a cerimônia que incorporou oficialmente o porta-aviões Fujian à Marinha do Exército de Libertação Popular da China. Com 80 mil toneladas de deslocamento e 316 metros de comprimento, o navio entrou para a categoria dos super porta-aviões.

O Fujian é o terceiro porta-aviões chinês e o primeiro projetado inteiramente na China. Seus antecessores, o Liaoning e o Shandong, usavam rampas de salto para lançar aeronaves. O Fujian abandonou esse sistema.

No lugar das rampas, a China instalou três catapultas eletromagnéticas conhecidas como EMALS. Essa tecnologia permite lançar caças mais pesados, com tanque cheio de combustível e carga máxima de armamentos.

Segundo a Força Aérea, o porta-aviões Fujian representa uma nova era para a aviação naval chinesa.

Catapultas eletromagnéticas do porta-aviões Fujian superam a taxa de lançamento americana

As três catapultas EMALS do Fujian conseguem realizar 12,5 lançamentos de aeronaves por hora. Esse número supera a média de 10 lançamentos por hora dos porta-aviões americanos da classe Ford.

Essa diferença pode parecer pequena, mas em operações de combate representa 25% mais sortidas aéreas no mesmo período. Mais aeronaves no ar significam mais poder de projeção.

O Fujian é apenas o segundo porta-aviões do mundo a usar catapultas eletromagnéticas. O primeiro foi o USS Gerald R. Ford, comissionado em 2017 pela Marinha dos Estados Unidos.

Caça militar sendo lançado por catapulta eletromagnética do porta-aviões Fujian

Diferentemente das catapultas a vapor usadas por décadas nos navios americanos, as EMALS causam menos estresse nas aeronaves, ocupam menos espaço e exigem menos manutenção.

Relatórios do Pentágono citados pela Opera Mundi indicam que a versão chinesa das EMALS demonstrou confiabilidade superior à americana. Essa avaliação preocupa analistas militares dos EUA.

A ala aérea do Fujian comporta mais de 50 aeronaves. Entre elas estão os caças J-35, que possuem tecnologia furtiva stealth, os J-15T de combate pesado, os J-15D de guerra eletrônica e o KJ-600 de alerta aéreo antecipado.

Porta-aviões Fujian versus USS Gerald Ford: como a China se compara à maior potência naval do mundo

O Fujian pesa entre 80 e 85 mil toneladas. O USS Gerald R. Ford alcança 100 mil toneladas. A diferença existe porque o navio americano usa propulsão nuclear, enquanto o chinês opera com turbinas a vapor convencionais.

Em comprimento, o Fujian mede 316 metros contra 337 metros do Ford. Já em largura, ambos se aproximam: 76 metros para o chinês.

Dois porta-aviões navegando em formação no oceano em vista aérea

O Ford carrega 75 aeronaves contra 50 do Fujian, mas o chinês lança mais caças por hora. Enquanto a frota americana tem 4 catapultas EMALS, o Fujian opera com 3.

A tripulação do Fujian conta com 2.500 membros. O navio alcança velocidade máxima entre 29 e 31 nós, impulsionado por motores com potência total de 280 mil cavalos.

Outros navios de guerra que a China construiu nos últimos anos incluem cargueiros gigantes de 400 metros, consolidando a posição do país como maior potência naval em construção do planeta.

O nome Fujian não é coincidência: a província fica do outro lado do estreito de Taiwan

O governo chinês batizou o porta-aviões com o nome da província de Fujian. Essa escolha carrega peso simbólico. A província de Fujian fica exatamente do outro lado do Estreito de Taiwan.

A construção do navio começou em 2018 no estaleiro Jiangnan Shipyard, subsidiária da China State Shipbuilding Corporation. A montagem dos blocos principais do casco ocorreu em meados de 2020.

O lançamento oficial aconteceu em 17 de junho de 2022. Já os primeiros testes de mar ocorreram em maio de 2024, no estuário do rio Yangtzé.

Sala de comando naval com mapa estratégico do Indo-Pacífico projetado em tela

Com a capacidade operacional plena prevista para 2026, o Fujian altera o equilíbrio de forças no Indo-Pacífico. A China passa a ter um porta-aviões capaz de operar longe de suas costas, projetando poder em águas disputadas.

Segundo a Global Military, o navio conta com sistemas de defesa Type 1130 CIWS e mísseis superfície-ar HQ-10 para proteção próxima.

Conforme reportou a BE Horizon, o Fujian representa “uma nova era para a aviação naval chinesa”, com capacidade de operar uma ala aérea diversificada que inclui drones leves lançados pelas catapultas eletromagnéticas.

O USS Gerald Ford enfrentou recentemente um incêndio no Mar Vermelho que deixou feridos e expôs vulnerabilidades operacionais. Enquanto isso, o Fujian avança sem incidentes públicos.

Contudo, é importante ressalvar que a propulsão convencional do Fujian limita sua autonomia comparada a navios nucleares como o Ford. Além disso, as datas de capacidade plena são projeções — testes reais de combate ainda não ocorreram, e a capacidade de 50 aeronaves é uma estimativa que pode variar na prática.

O porta-aviões Fujian transforma a China de uma potência naval costeira em uma força capaz de operar em oceanos distantes. Para os próximos anos, analistas esperam que o navio realize treinamentos em águas distantes, validando sua capacidade operacional e consolidando a posição chinesa como a segunda maior marinha do mundo.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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