O porta-aviões Fujian foi incorporado à Marinha chinesa em cerimônia presidida por Xi Jinping, possui 316 metros de comprimento, três catapultas eletromagnéticas e capacidade para mais de 50 aeronaves, incluindo caças furtivos de quinta geração
Em 7 de novembro de 2025, o presidente Xi Jinping presidiu a cerimônia que incorporou oficialmente o porta-aviões Fujian à Marinha do Exército de Libertação Popular da China. Com 80 mil toneladas de deslocamento e 316 metros de comprimento, o navio entrou para a categoria dos super porta-aviões.
O Fujian é o terceiro porta-aviões chinês e o primeiro projetado inteiramente na China. Seus antecessores, o Liaoning e o Shandong, usavam rampas de salto para lançar aeronaves. O Fujian abandonou esse sistema.
No lugar das rampas, a China instalou três catapultas eletromagnéticas conhecidas como EMALS. Essa tecnologia permite lançar caças mais pesados, com tanque cheio de combustível e carga máxima de armamentos.
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Segundo a Força Aérea, o porta-aviões Fujian representa uma nova era para a aviação naval chinesa.
Catapultas eletromagnéticas do porta-aviões Fujian superam a taxa de lançamento americana
As três catapultas EMALS do Fujian conseguem realizar 12,5 lançamentos de aeronaves por hora. Esse número supera a média de 10 lançamentos por hora dos porta-aviões americanos da classe Ford.
Essa diferença pode parecer pequena, mas em operações de combate representa 25% mais sortidas aéreas no mesmo período. Mais aeronaves no ar significam mais poder de projeção.
O Fujian é apenas o segundo porta-aviões do mundo a usar catapultas eletromagnéticas. O primeiro foi o USS Gerald R. Ford, comissionado em 2017 pela Marinha dos Estados Unidos.

Diferentemente das catapultas a vapor usadas por décadas nos navios americanos, as EMALS causam menos estresse nas aeronaves, ocupam menos espaço e exigem menos manutenção.
Relatórios do Pentágono citados pela Opera Mundi indicam que a versão chinesa das EMALS demonstrou confiabilidade superior à americana. Essa avaliação preocupa analistas militares dos EUA.
A ala aérea do Fujian comporta mais de 50 aeronaves. Entre elas estão os caças J-35, que possuem tecnologia furtiva stealth, os J-15T de combate pesado, os J-15D de guerra eletrônica e o KJ-600 de alerta aéreo antecipado.
Porta-aviões Fujian versus USS Gerald Ford: como a China se compara à maior potência naval do mundo
O Fujian pesa entre 80 e 85 mil toneladas. O USS Gerald R. Ford alcança 100 mil toneladas. A diferença existe porque o navio americano usa propulsão nuclear, enquanto o chinês opera com turbinas a vapor convencionais.
Em comprimento, o Fujian mede 316 metros contra 337 metros do Ford. Já em largura, ambos se aproximam: 76 metros para o chinês.

O Ford carrega 75 aeronaves contra 50 do Fujian, mas o chinês lança mais caças por hora. Enquanto a frota americana tem 4 catapultas EMALS, o Fujian opera com 3.
A tripulação do Fujian conta com 2.500 membros. O navio alcança velocidade máxima entre 29 e 31 nós, impulsionado por motores com potência total de 280 mil cavalos.
Outros navios de guerra que a China construiu nos últimos anos incluem cargueiros gigantes de 400 metros, consolidando a posição do país como maior potência naval em construção do planeta.
O nome Fujian não é coincidência: a província fica do outro lado do estreito de Taiwan
O governo chinês batizou o porta-aviões com o nome da província de Fujian. Essa escolha carrega peso simbólico. A província de Fujian fica exatamente do outro lado do Estreito de Taiwan.
A construção do navio começou em 2018 no estaleiro Jiangnan Shipyard, subsidiária da China State Shipbuilding Corporation. A montagem dos blocos principais do casco ocorreu em meados de 2020.
O lançamento oficial aconteceu em 17 de junho de 2022. Já os primeiros testes de mar ocorreram em maio de 2024, no estuário do rio Yangtzé.

Com a capacidade operacional plena prevista para 2026, o Fujian altera o equilíbrio de forças no Indo-Pacífico. A China passa a ter um porta-aviões capaz de operar longe de suas costas, projetando poder em águas disputadas.
Segundo a Global Military, o navio conta com sistemas de defesa Type 1130 CIWS e mísseis superfície-ar HQ-10 para proteção próxima.
Conforme reportou a BE Horizon, o Fujian representa “uma nova era para a aviação naval chinesa”, com capacidade de operar uma ala aérea diversificada que inclui drones leves lançados pelas catapultas eletromagnéticas.
O USS Gerald Ford enfrentou recentemente um incêndio no Mar Vermelho que deixou feridos e expôs vulnerabilidades operacionais. Enquanto isso, o Fujian avança sem incidentes públicos.
Contudo, é importante ressalvar que a propulsão convencional do Fujian limita sua autonomia comparada a navios nucleares como o Ford. Além disso, as datas de capacidade plena são projeções — testes reais de combate ainda não ocorreram, e a capacidade de 50 aeronaves é uma estimativa que pode variar na prática.
O porta-aviões Fujian transforma a China de uma potência naval costeira em uma força capaz de operar em oceanos distantes. Para os próximos anos, analistas esperam que o navio realize treinamentos em águas distantes, validando sua capacidade operacional e consolidando a posição chinesa como a segunda maior marinha do mundo.
