História, poder militar e uma brecha na lei internacional explicam por que o encontro decisivo entre os líderes acontecerá no ponto mais próximo entre os dois países.
O Alasca foi o local escolhido para o aguardado sétimo encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, marcado para esta sexta-feira (15). O objetivo principal é discutir a guerra na Ucrânia. A decisão por Anchorage vai muito além da conveniência, envolvendo uma complexa teia de simbolismo histórico, demonstração de força e uma crucial proteção jurídica para o presidente russo.
A conexão histórica com a Rússia
Poucos se lembram, mas o Alasca já foi russo. O território foi comprado do Império Russo em 1867 por US$ 156 milhões, sendo oficialmente incorporado aos EUA apenas em 1959. Essa transação, no entanto, foi posteriormente criticada pelos russos, que alegaram ter recebido um “tratamento injusto”, adicionando uma camada simbólica ao encontro diplomático.
A estratégica base militar Elmendorf-Richardson
O encontro ocorrerá na base Elmendorf-Richardson, uma clara demonstração de poderio militar americano. Construída durante a Segunda Guerra Mundial e utilizada como linha de frente contra a ameaça russa na Guerra Fria, a base hoje abriga mais de 5.500 militares e civis, com uma infraestrutura avaliada em US$ 15 bilhões.
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O território seguro para Vladimir Putin
Um fator determinante para a escolha é a situação legal de Vladimir Putin. Ele está sujeito a um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por supostos crimes de guerra. Como o Brasil e a África do Sul são signatários do tratado que criou o tribunal, Putin não pode visitar esses países. No entanto, os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, o que significa que o líder russo não corre o risco de ser preso no Alasca.
A cartada final de Trump
O Alasca é o território americano mais próximo da Rússia, separado apenas pelo Estreito de Bering. A escolha logística foi elogiada pelo Kremlin. O encontro acontece sob forte pressão de Trump, que prometeu “consequências severas” se Moscou não concordar em encerrar o conflito na Ucrânia, ameaçando inclusive com novas e mais duras sanções.
