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Por que estão usando 30 toneladas de gelo na obra de um bunker com paredes de 2,2 m de espessura no Paraná, projetado para conter a radiação?

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 25/10/2025 às 22:17
Bunker, Gelo, Hospital
Paredes do bunker possuem até 2,20 metros de espessura — Foto: Valdecir Galvan/RPC
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Nos Campos Gerais do Paraná, engenheiros da Santa Casa de Ponta Grossa usaram 30 toneladas de gelo no concreto de um bunker hospitalar para evitar fissuras e garantir segurança em tratamento radioativo contra o câncer

Nos Campos Gerais do Paraná, uma técnica curiosa tem chamado atenção na construção de um bunker hospitalar: o uso de 30 toneladas de gelo misturadas ao concreto. O método foi adotado pela Santa Casa de Ponta Grossa para evitar fissuras na estrutura que vai abrigar um equipamento radioativo destinado ao tratamento de câncer.

Gelo contra o calor do concreto

A adição do gelo tem um propósito técnico preciso: reduzir a temperatura da mistura e impedir que o concreto retraia durante o processo de secagem.

Segundo a engenheira Luani Cristine Basso Faversani, essa retração ocorre pela perda de umidade, o que poderia comprometer a resistência da obra. “A gente coloca gelo para controlar a retração”, explica.

O trabalho envolveu cerca de 800 metros cúbicos de concreto, transportados em mais de 95 viagens de caminhão.

Foram necessários controles rigorosos em todas as etapas, porque o material precisa atingir densidade mínima capaz de conter a radiação emitida pelo equipamento que será instalado.

Estrutura projetada para conter radiação

De acordo com a engenheira civil Julia Senger Marin, o controle de densidade do concreto é essencial. “A radiação precisa bater na parede e ficar dentro da sala, não sair”, destaca.

Por isso, as paredes do bunker têm até 2,20 metros de espessura, garantindo o isolamento adequado.

A construção integra a transformação do antigo Hospital Evangélico, fechado desde 2016, em um novo centro de referência em oncologia.

O investimento total ultrapassa R$ 20 milhões, somando recursos da Itaipu Binacional, do Governo do Estado e de emendas parlamentares.

Equipamento inédito na América do Sul

O bunker vai abrigar um acelerador linear equipado com inteligência artificial. O aparelho emite radiação diretamente no tumor, poupando tecidos saudáveis e oferecendo maior precisão no tratamento.

A Santa Casa afirma que o modelo é o primeiro desse tipo na América do Sul.

Entrega prevista e impacto regional

As obras começaram em abril e devem ser concluídas até março de 2026. Com o novo centro, a capacidade de atendimento oncológico de Ponta Grossa deve dobrar, alcançando mais de sete mil consultas e dois mil procedimentos mensais, beneficiando pacientes de 28 cidades da região.

Saiba mais sobre o equipamento e bunker

Além da complexidade estrutural, a construção do bunker hospitalar simboliza um avanço significativo na infraestrutura médica dos Campos Gerais.

O ambiente é projetado para abrigar com total segurança o acelerador linear — um dos equipamentos mais sofisticados da radioterapia moderna.

Essa tecnologia utiliza feixes de elétrons acelerados a altas energias para atingir e destruir células cancerígenas com extrema precisão.

Diferente dos aparelhos convencionais, o modelo escolhido pela Santa Casa é dotado de sistemas de inteligência artificial capazes de ajustar, em tempo real, a intensidade e o ângulo da radiação conforme o movimento do paciente ou a variação do tumor.

Isso reduz efeitos colaterais, aumenta a eficácia do tratamento e permite sessões mais curtas e confortáveis.

Por que o bunker?

O uso de um bunker é obrigatório porque o acelerador linear emite radiação ionizante, potencialmente perigosa para pessoas fora da sala de tratamento.

Por essa razão, o ambiente precisa ser completamente isolado, com paredes de concreto de alta densidade, portas blindadas e sistemas de monitoramento e ventilação controlada.

O isolamento impede qualquer vazamento de radiação, garantindo que apenas o alvo terapêutico receba a dose necessária.

Além das paredes de 2,20 metros, o local contará com tetos e pisos reforçados, revestimentos especiais e corredores técnicos destinados a inspeção e manutenção segura.

O acesso ao interior será feito por meio de antecâmaras que impedem a entrada direta de profissionais durante a operação do equipamento.

Segundo a equipe responsável, a precisão do concreto é tão importante quanto a do próprio acelerador. Por isso, cada etapa do processo passou por medições constantes de densidade, temperatura e umidade, com acompanhamento de engenheiros e técnicos especializados.

O gelo, que no total somou 30 toneladas, funciona como regulador térmico para evitar trincas internas e garantir uniformidade estrutural — condição indispensável para manter o bunker hermeticamente vedado.

Com o funcionamento previsto para 2026, o novo centro oncológico não apenas ampliará o número de atendimentos, mas também colocará Ponta Grossa entre as cidades com tecnologia médica de ponta no país.

A expectativa é que pacientes de toda a região tenham acesso a tratamentos antes disponíveis apenas em grandes capitais, marcando um novo capítulo na história da saúde pública do Paraná.

Com informações de G1.

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W sas
W sas
26/10/2025 20:28

Essa técnica foi usada durante a obra (concretagem) da Ponte Rio Niterói
Nada de novo no processo de concretizem

Roberto Ferreira
Roberto Ferreira
26/10/2025 15:58

Em 1973 acompanhei a construção do Ginásio de Esportes de Rolândia -PR, onde foi usada a técnica de Concreto Protendido Congelado, naquela época, 52 anos atrás, era novidade.

Edmilson
Edmilson
26/10/2025 05:16

Sem qualquer sentimento de bairrismo, entre SP e RS é um outro mundo dentro do Brasil. Cada Qual com seus problemas e vantagens, viver nessa região é sensacional.

Saulo David
Saulo David
Em resposta a  Edmilson
26/10/2025 22:26

Eu moro no Nordeste e realmente é mais tranquilo, aqui tenho acesso a Internet de alta velocidade 1GB/S, Universidades, Atendimento bom no SUS, fora varias clínicas particulares e hospitais de qualidade, sol e chuva e clima na temperatura certa, sem enchentes, criminalidade controlada. Comida de todo tipo temos acesso, frutas diversas. Muito bom.

Astolfo
Astolfo
Em resposta a  Saulo David
27/10/2025 09:32

Faltou dizer onde, exatamente

Otavio da Silva
Otavio da Silva
Em resposta a  Astolfo
27/10/2025 13:11

Pq colocar imagens de mulheres com capacete branco?
Esqueceram oque aconteceu no túnel do metro de SP ?

Henrique
Henrique
Em resposta a  Otavio da Silva
27/10/2025 16:38

Astolfo, as duas mulheres da foto são respectivamente a responsável técnica de execução e a arquiteta do projeto.
A foto foi tirada no bunker. Estive lá na semana passada, a propósito.
Muito sextista de sua parte.

Última edição em 7 meses atrás por Henrique
Marco
Marco
Em resposta a  Henrique
27/10/2025 20:50

Eu teria muito mais confiança se fossem dois homens.

Ernesto Tomas Lohmann
Ernesto Tomas Lohmann
Em resposta a  Marco
27/10/2025 21:29

Então case com homem, ou dois homens.

Romário Pereira de Carvalho

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