São 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos, 60 anos de promessas não cumpridas, R$ 11 bilhões de investimento e um consórcio chinês que já despachou 800 toneladas de equipamentos — a maior ponte sobre água da América Latina começa a sair do papel em junho de 2026
Segundo o Tribunal de Contas do Estado da Bahia, as fundações da Ponte Salvador–Itaparica começam oficialmente em 4 de junho de 2026.
A obra vai conectar Salvador à Ilha de Itaparica, cruzando 12,4 quilômetros de água na Baía de Todos-os-Santos.
Quando pronta, será a maior ponte sobre lâmina d’água da América Latina — com vão central de 400 metros de largura e 85 metros de altura livre para a passagem de navios.
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O investimento é de R$ 11 bilhões segundo o governo baiano, embora o presidente Lula tenha mencionado R$ 14 bilhões em declaração recente.
Sessenta anos de promessas que nunca saíram do papel
A ideia de ligar Salvador a Itaparica por uma ponte existe desde a década de 1960.
Por seis décadas, o projeto foi anunciado, engavetado, retomado e engavetado de novo por diferentes governos.
Dessa vez, no entanto, há sinais concretos de que é diferente.
Conforme reportou o Jornal Grande Bahia, um navio com mais de 800 toneladas de equipamentos chineses deve chegar à Bahia na segunda quinzena de maio de 2026.
O projeto executivo foi iniciado em dezembro de 2025. A plataforma provisória sobre a água começa em maio. E as fundações da ponte em si começam em 4 de junho.
Mateus Simões Dias, superintendente de Planejamento da Secretaria de Infraestrutura da Bahia, afirmou: “Estamos avançando nas etapas preparatórias da obra. Mantemos o prazo contratual para início das fundações em 4 de junho de 2026.”

A maior ponte sobre água da América Latina em números
O projeto é dividido em cinco trechos que vão além da ponte em si.
- 12,4 km de ponte sobre lâmina d’água — a maior da América Latina
- 400 metros de vão central para navegação
- 85 metros de altura livre sob o tabuleiro
- R$ 11 bilhões de investimento (R$ 14 bilhões segundo o presidente Lula)
- 60 meses de prazo de construção (junho 2026 a junho 2031)
- 5 trechos: acessos em Salvador, ponte, ligação à ilha, duplicação da BA-001 e nova via em Vera Cruz
De acordo com o Governo da Bahia, o financiamento vem de uma combinação entre União, BNDES e Banco dos Brics.
O consórcio responsável é liderado pela CCCC — a China Communications Construction Company — em parceria público-privada com o governo estadual.

O que muda para 10 milhões de pessoas na Bahia
Atualmente, quem precisa ir de Salvador a Itaparica depende do sistema de ferry boats.
A travessia é lenta, sujeita a filas, condições climáticas e horários limitados.
Com a ponte, o trajeto que hoje leva horas — entre espera e travessia — passará a ser feito em minutos por via rodoviária.
Além disso, o impacto vai muito além da mobilidade. A ponte deve transformar o eixo de crescimento urbano da Região Metropolitana de Salvador e do Recôncavo Baiano.
A Ilha de Itaparica, com cerca de 100 mil habitantes, passará a estar conectada ao continente por terra pela primeira vez em sua história.
Para o presidente Lula, que anunciou o início das obras em entrevista à TV Itapoan, a ponte terá “quase 13 km” e será concluída em “4 a 5 anos”.

O desafio que permanece após 60 anos
Apesar dos avanços concretos, a Ponte Salvador-Itaparica ainda carrega o peso de seis décadas de frustrações.
As licenças ambientais para as etapas iniciais foram concedidas, mas fases finais do licenciamento continuam em tramitação.
Além disso, há uma discrepância não explicada entre o custo de R$ 11 bilhões apresentado ao TCE e os R$ 14 bilhões mencionados pelo presidente.
A ponte de 12 km sobre o mar, com investimento bilionário, já era um dos projetos mais esperados do Brasil quando publicamos sobre ela anteriormente.
Agora, com equipamentos chineses a caminho e data marcada para junho, a Bahia está mais perto do que nunca de ver sair do papel uma obra que quatro gerações de baianos esperaram ver pronta.
Além disso, a ponte terá impacto direto na economia imobiliária da Ilha de Itaparica, que deve se valorizar significativamente com a conexão terrestre permanente ao continente.
Nesse sentido, urbanistas já alertam para a necessidade de planejamento urbano na ilha antes da chegada da ponte — sem o qual, a valorização pode gerar especulação imobiliária e expulsão de comunidades tradicionais.
Da mesma forma, o fluxo de veículos que hoje depende do ferry terá que ser absorvido pelas vias de acesso em Salvador e na ilha, exigindo investimentos complementares em rodovias locais.
Portanto, o projeto da ponte não pode ser visto isoladamente. São cinco trechos que incluem acessos viários, túneis, viadutos e uma nova via expressa em Vera Cruz — sem os quais a ponte seria apenas uma estrutura bonita com engarrafamentos nas duas pontas.
Contudo, se tudo sair conforme o planejado, a Ponte Salvador-Itaparica será muito mais do que uma obra de engenharia. Será a transformação definitiva de uma região que por décadas dependeu de balsas para se conectar ao resto do estado.
Sobretudo, para os moradores da ilha, a ponte representa algo que vai além da mobilidade — representa a inclusão numa economia metropolitana da qual sempre estiveram à margem, separados por 12 quilômetros de água que pareciam intransponíveis.
Resta saber se dessa vez as promessas vão se concretizar — ou se a ponte vai se juntar à longa lista de megaprojetos brasileiros que começaram e nunca terminaram, como o trem-bala São Paulo-Rio.

Devemos lembrar que o início marcado são para a estruturas. Mas a dois anos que está ocorrendo os estudos de solo e de maré. Então a ponte é uma real realidade.
E não desmerecendo os comentários anteriores, e não fazendo propaganda política, os últimos governos no Estado da Bahia vêm realizando uma transformação na mobilidade de nossa cidade.
Bom ponto, Luis. Os estudos batimétricos e geotécnicos da ponte Salvador-Itaparica de fato começaram antes da ordem de serviço — etapa silenciosa mas indispensável em obra de 12,4 km sobre lâmina d’água. Acompanhar de perto vai ser importante.
Um diz que é 11 o outro diz que são 14 bi. Só acredito quando estiver construída. Se o atual governo não se eleger, aguardem a desculpa de problemas de conclusão adiada devido a maré subir demais e os cálculos estarem defasados. Aguardem a próxima desculpa! Já aviso antes
Bom ponto sobre os números, Silvio — o range de R$ 11-14 bi tem causado dúvida mesmo. Depende da fase considerada (engenharia básica vs executiva, contingências, valores em real corrigido). A maré de Salvador chega a 3,2 m, e os cálculos hidrodinâmicos já foram revisados antes mesmo do início da obra. O critério prático é ver o canteiro operando — anúncio não constrói ponte.
Campanha eleitoral em julho para e vão dizer que ñ continuaram por conta das eleições, se realmente estivessem interessados em fazer já teriam começado a tempos, depois desse governo eleito esqueçam ponte Salvador/Itaparica fica pra o próximo candidato já são 20 anos essa turma enganando está na hora de colocar essa turma pra fora do poder.
É um ponto válido, Cláudio. A matéria registra que o consórcio CCCC já desembarcou 800 toneladas de equipamentos — sinal de que desta vez a obra física começou. A próxima checagem será o ritmo nos primeiros 6 meses.