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Ponte de R$ 379 milhões vai substituir balsa que há décadas é a única forma de cruzar o Rio Uruguai entre SC e RS e promete encurtar viagem em até 100 quilômetros e quase duas horas

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 20/04/2026 às 11:54
Atualizado em 20/04/2026 às 12:03
A ponte de R$ 379 milhões na BR-163 vai substituir a balsa sobre o Rio Uruguai entre SC e RS. O DNIT aprovou o projeto que encurta viagem em até 100 quilômetros.
A ponte de R$ 379 milhões na BR-163 vai substituir a balsa sobre o Rio Uruguai entre SC e RS. O DNIT aprovou o projeto que encurta viagem em até 100 quilômetros.
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O DNIT aprovou o projeto de uma ponte de 1,2 km na BR-163 sobre o Rio Uruguai, estrutura de R$ 379 milhões entre Itapiranga (SC) e Barra do Guarita (RS) que vai aposentar a balsa usada há décadas e encurtar o percurso em até 100 quilômetros.

A ponte na BR-163 sobre o Rio Uruguai é um projeto de R$ 379 milhões que o DNIT acaba de aprovar em sua etapa de engenharia básica, abrindo caminho para a futura contratação da obra. Hoje, quem precisa cruzar o rio entre Itapiranga (SC) e Barra do Guarita (RS) tem duas opções: esperar pela balsa com capacidade restrita ou fazer desvios que acrescentam entre 88 e 160 quilômetros ao percurso, dependendo da rota escolhida. As travessias alternativas com estrutura fixa ficam distantes, tanto pela BR-158 na altura de Palmitos quanto pela SC-480 e RS-406 na região de Chapecó, obrigando motoristas e transportadores a percursos que consomem tempo e combustível. A nova ponte eliminará esses contornos e criará uma ligação direta, encurtando o trajeto em até 100 quilômetros e economizando entre uma hora e 1h45 no deslocamento.

A construção é uma demanda com mais de meio século de história na região. O movimento organizado em defesa da travessia ganhou corpo em 2018, reunindo empresários, lideranças municipais e políticos dos dois estados sob a coordenação de Rodrigo Locatelli, que define a obra como um sonho compartilhado por milhares de moradores ao longo de gerações. Em 2021, prefeitos da macrorregião do Extremo Oeste catarinense reforçaram o pedido formalmente, apontando que a ausência da ponte trava o crescimento econômico e impõe custos logísticos evitáveis a produtores e consumidores dos dois lados do rio.

O que o DNIT já aprovou e o que falta para a ponte sair do papel

A ponte de R$ 379 milhões na BR-163 vai substituir a balsa sobre o Rio Uruguai entre SC e RS. O DNIT aprovou o projeto que encurta viagem em até 100 quilômetros.

O Departamento Nacional de Infraestrutura confirmou a aprovação do projeto de engenharia, etapa que valida o traçado, as especificações técnicas e o orçamento da ponte. O processo entra agora numa fase de procedimentos internos que precede a publicação do edital de contratação da construtora. No entanto, o avanço da licitação depende de uma condição que ainda não foi cumprida: a finalização dos estudos ambientais, incluindo a avaliação de impacto e o relatório correspondente, documentos que continuam sendo preparados.

O licenciamento ambiental é o fator que pode acelerar ou atrasar a ponte. Locatelli avalia o cenário com otimismo e afirma que até o momento não surgiram obstáculos que indiquem recusa da licença, mas reconhece que essa etapa é historicamente a mais imprevisível em obras sobre cursos d’água. O contrato para os estudos técnicos e projetos foi assinado em 2022, e o trabalho incluiu levantamentos geológicos, análise de viabilidade e escolha do melhor posicionamento para a estrutura, com a versão final entregue no encerramento de 2025.

As dimensões da ponte e os acessos que serão construídos

A ponte de R$ 379 milhões na BR-163 vai substituir a balsa sobre o Rio Uruguai entre SC e RS. O DNIT aprovou o projeto que encurta viagem em até 100 quilômetros.

O DNIT projetou uma travessia com extensão aproximada de 1,2 quilômetro cruzando o Rio Uruguai. Do lado catarinense, a ponte se conectará à rodovia por meio de uma via de acesso com aproximadamente 7 quilômetros partindo da comunidade de Santa Fé Alta, no município de Itapiranga. No lado gaúcho, o acesso terá cerca de 4,5 quilômetros a partir da localidade de Remanço do Uruguai, em Barra do Guarita.

O orçamento de R$ 379 milhões cobre não apenas a ponte, mas também contornos viários e obras de integração com o sistema rodoviário existente. Esses acessos complementares são fundamentais para que a travessia absorva o volume de tráfego esperado sem transferir congestionamentos para vias secundárias. A ponte sozinha resolve o problema da transposição do rio, mas sem conexões adequadas com as rodovias o ganho logístico ficaria comprometido.

Como a ponte vai mudar o transporte de cargas entre SC e RS

A faixa entre o Extremo Oeste catarinense e o Noroeste gaúcho concentra agroindústrias, cooperativas e produtores que movimentam grãos, carnes e derivados lácteos em volumes expressivos. A ponte na BR-163 permitirá que caminhões de carga pesada cruzem o Rio Uruguai sem as restrições de horário, capacidade e condições climáticas que a balsa impõe, eliminando um gargalo que encarece o frete e reduz a competitividade dos produtos regionais. A economia de até 100 quilômetros por viagem se traduz diretamente em menos combustível, menos desgaste mecânico e menos horas pagas ao motorista.

Para os municípios do entorno, o impacto vai além da logística. Comunidades que hoje sofrem com o isolamento provocado pela ausência da ponte devem se beneficiar de novos fluxos comerciais, acesso facilitado a serviços de saúde e educação do estado vizinho e potencial atração de investimentos que hoje migram para regiões com infraestrutura mais desenvolvida. Moradores de Itapiranga, em Santa Catarina, e de Barra do Guarita, no Rio Grande do Sul, vivem separados por poucos minutos de água, mas por terra a distância se multiplica de forma absurda, realidade que a ponte vai corrigir definitivamente.

O que a ponte da BR-163 representa para a região após décadas de espera

A travessia fixa sobre o Rio Uruguai nesse trecho é mais do que uma obra rodoviária: é a correção de uma lacuna que segregou comunidades vizinhas por gerações inteiras. A balsa que por décadas foi o único recurso disponível será aposentada, e o rio deixará de funcionar como barreira para se tornar apenas a paisagem que os motoristas observarão ao cruzar a estrutura de concreto. O DNIT já validou o projeto, os estudos técnicos estão concluídos e o licenciamento ambiental avança sem sinais de impedimento.

A pergunta que resta é o cronograma. Entre a publicação do edital de licitação, a seleção da construtora, a assinatura do contrato e o início efetivo das obras, o caminho ainda pode levar meses ou anos, e a população que aguarda desde a década de 1970 sabe que burocracia não respeita urgência. Ainda assim, a aprovação do projeto pelo DNIT é o avanço mais concreto que a ponte da BR-163 já teve em mais de meio século de reivindicação.

E você, conhece essa região e já precisou usar a balsa para cruzar o Rio Uruguai? Acha que a ponte deveria ter sido construída décadas atrás? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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