Atriz de Hollywood desenvolveu sistema de salto de frequência em 1942, tecnologia que hoje sustenta redes sem fio usadas em todo o mundo
Uma história que conecta cinema e ciência voltou ao centro das discussões ao revelar como Hedy Lamarr ajudou a construir a base das telecomunicações modernas. Ainda durante a Segunda Guerra Mundial, na década de 1940, a atriz desenvolveu um sistema inovador de comunicação, que, posteriormente, daria origem a tecnologias como Wi-Fi, Bluetooth e GPS. Além disso, conforme estudos históricos, como os de Lisa A. Marovich, a invenção foi considerada avançada demais para sua época, o que retardou sua aplicação prática e reconhecimento.
Origem de Hedy Lamarr e primeiros sinais de genialidade
Inicialmente, Hedy Lamarr nasceu em 9 de novembro de 1914, em Viena, na então Áustria-Hungria, e, desde cedo, demonstrava forte interesse por ciência e engenharia. No entanto, apesar desse talento, ela foi direcionada a seguir padrões sociais voltados à estética e à vida artística, realidade comum para mulheres naquele período.
Posteriormente, nos anos 1930, ela iniciou sua carreira no cinema europeu, ganhando notoriedade com o filme “Êxtase” (1933), dirigido por Gustav Machatý. Consequentemente, o sucesso a levou à fama internacional e, em seguida, ao casamento com Fritz Mandl, empresário do setor armamentista.
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Entretanto, embora vivesse em um ambiente de luxo, Lamarr teve acesso direto a discussões sobre tecnologia militar e armamentos, o que ampliou sua visão técnica. Assim, em 1937, diante do avanço do antissemitismo na Europa, ela decidiu deixar o continente e se mudar para os Estados Unidos, onde sua trajetória ganharia novos rumos.
Ascensão em Hollywood e atuação paralela na ciência
Logo depois, conforme registros da indústria cinematográfica, Lamarr foi contratada pela MGM após conhecer Louis B. Mayer durante uma viagem transatlântica. Em seguida, já em 1938, com o filme “Argel”, ela se consolidou como uma das grandes estrelas da Era de Ouro de Hollywood, participando de diversas produções de sucesso.
No entanto, paralelamente à fama, ela mantinha um interesse constante por invenções tecnológicas, trabalhando discretamente em ideias que poderiam ter aplicação prática. Nesse contexto, com o início da Segunda Guerra Mundial em 1939, Lamarr passou a buscar soluções para problemas militares, especialmente relacionados à segurança das comunicações.
A criação do salto de frequência e a patente de 1942
Diante desse cenário, em 1940, Lamarr conheceu o compositor George Antheil, que também demonstrava interesse por tecnologia. A partir dessa parceria, eles desenvolveram o conceito de “salto de frequência”, que consiste na mudança constante de sinais de rádio para evitar interferências externas.
Além disso, a ideia foi pensada para impedir que torpedos controlados por rádio fossem interceptados ou bloqueados por inimigos, como as forças alemãs durante a guerra. Em 1942, conforme registros do National Inventors Council, a dupla registrou a patente do “Sistema de Comunicações Secretas”, consolidando formalmente a inovação.
Entretanto, apesar do potencial, a Marinha dos Estados Unidos optou por não utilizar a tecnologia naquele momento, principalmente porque ela estava além das capacidades técnicas disponíveis na época.

Do uso militar à base das tecnologias modernas
Posteriormente, durante a Guerra Fria, o conceito desenvolvido por Lamarr e Antheil voltou a ser analisado pelas forças armadas dos Estados Unidos. Segundo Kenneth T. Klima e Adriana Klima, na década de 1960 o salto de frequência passou a ser incorporado em sistemas militares, ampliando sua relevância estratégica.
Além disso, como a tecnologia permaneceu classificada até os anos 1980, o reconhecimento público da invenção foi significativamente atrasado. Ainda assim, com o avanço das telecomunicações, o conceito evoluiu para aplicações civis amplamente utilizadas, incluindo:
• Wi-Fi
• Bluetooth
• GPS
Portanto, embora pouco reconhecida inicialmente, a contribuição de Lamarr tornou-se fundamental para a comunicação global moderna, estando presente em bilhões de dispositivos ao redor do mundo.
Reconhecimento tardio e impacto histórico
Apesar disso, durante décadas, Hedy Lamarr não recebeu créditos, royalties ou reconhecimento proporcional à importância de sua invenção, enquanto sua carreira cinematográfica entrava em declínio nas décadas de 1950 e 1960.
Somente posteriormente, já no final do século XX, ela passou a ser reconhecida pela comunidade científica, sendo homenageada junto a George Antheil. Conforme registros oficiais, Lamarr foi incluída no Hall da Fama dos Inventores Nacionais dos Estados Unidos, após sua morte em 2000.
Paralelamente, em 2015, a ONU instituiu o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, reforçando a importância de trajetórias como a dela.
Dessa forma, sua história evidencia como uma invenção criada em meio à guerra acabou moldando a comunicação global por décadas, levantando uma reflexão inevitável: quantas contribuições essenciais ainda permanecem invisíveis na história da ciência?
