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Pneus mais resistentes podem sair de descoberta do MIT que faz o plástico quebrar do jeito certo, absorver impactos a 750 metros por segundo e reduzir desgaste ligado aos microplásticos

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 03/06/2026 às 15:20 Atualizado em 03/06/2026 às 15:30
MIT testa polímeros com ligações sacrificiais que absorvem impactos e podem ajudar a criar pneus mais duráveis.
MIT testa polímeros com ligações sacrificiais que absorvem impactos e podem ajudar a criar pneus mais duráveis.
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Estudo publicado na Nature mostra que pesquisadores do MIT conseguiram aumentar a resistência de polímeros ao inserir ligações químicas sacrificiais, uma estratégia que dissipou impactos supersônicos em testes de laboratório e pode orientar novas aplicações em capas de eletrônicos, solados, materiais industriais e pneus menos sujeitos ao desgaste.

Pneus podem ganhar uma nova geração de borrachas mais duráveis a partir de uma descoberta do MIT publicada em 3 de junho na Nature: polímeros comuns ficaram mais resistentes quando foram projetados para quebrar em pontos químicos específicos.

A pesquisa parte de um problema cotidiano. Quedas de celulares, colisões com objetos rígidos e derrapagens em rodovias concentram energia em áreas pequenas. Nos pneus, esse tipo de esforço pode liberar fragmentos minúsculos de borracha no ar.

Como os pesquisadores tornaram o plástico mais resistente

A equipe trabalhou com ligações químicas enfraquecidas, chamadas mecanóforos. Elas foram distribuídas em polímeros para funcionar como pontos de sacrifício. Quando uma fissura começa a avançar, essas ligações se rompem primeiro e desviam parte da energia.

Jeremiah Johnson, professor de Química A. Thomas Geurtin no MIT e integrante do Instituto Koch para Pesquisa Integrativa do Câncer, afirmou que os agentes de reticulação podem aumentar substancialmente a energia absorvida pelo material sob impacto balístico.

O ponto central é que o material não fica mais forte por ser simplesmente rígido. Ele ganha resistência porque aceita uma ruptura controlada em regiões específicas, mantendo a estrutura ao redor mais estável durante a deformação rápida.

Esse caminho surgiu de um estudo de 2023, no qual ligações fracas já haviam sido usadas para impedir a ruptura lenta de polímeros. A nova etapa adaptou a estratégia para choques súbitos e de alta velocidade.

Teste simulou impactos em velocidade supersônica

Para medir o efeito, os pesquisadores usaram o Teste de Impacto de Microprojéteis Induzido por Laser, conhecido pela sigla LIPIT. O sistema lançou pequenas esferas de sílica contra filmes finos de plástico modificado.

As microesferas atingiram os materiais a 750 metros por segundo, velocidade superior a 1.600 milhas por hora. Nessas condições, o poliestireno comum se estilhaçava ou era perfurado com facilidade.

O poliestireno reticulado por mecanóforos absorveu mais energia de impacto que o poliestireno padrão. Durante o choque, os pesquisadores observaram o aquecimento local do material e a formação de uma “zona móvel”.

Nessa zona, as ligações mecanóforas se rompem seletivamente pela ação da força. A energia destrutiva passa a ser consumida nessa quebra controlada, em vez de atravessar o material e provocar falhas maiores.

Keith Nelson, autor sênior do estudo, explicou que o método permitiu extrair informações das velocidades das partículas antes e depois da penetração em camadas finas, além de revelar padrões de deformação durante e após o impacto.

Pneus estão entre as aplicações em estudo

Depois dos testes com poliestireno, a equipe replicou o efeito na borracha de estireno-butadieno-estireno, conhecida como SBS. Esse material é usado em solados de calçados, asfalto e telhados.

Agora, os pesquisadores exploram a aplicação da estratégia em borracha de estireno-butadieno para pneus de veículos. A possibilidade interessa porque o desgaste dos pneus responde por pelo menos 10% dos microplásticos no mundo.

Se a tecnologia avançar, pneus mais resistentes poderiam sofrer menos desgaste e ter menor risco de estouros. O mesmo princípio também pode ser aplicado a capas protetoras de eletrônicos e objetos plásticos expostos a impacto.

A etapa seguinte será verificar se o comportamento observado nos filmes finos pode ser reproduzido em formulações maiores, compatíveis com usos industriais e exigências de segurança de desempenho contínuo.

Ainda se trata de uma linha de pesquisa em desenvolvimento, testada em laboratório com filmes finos e microprojéteis. O avanço, porém, mostra uma alternativa à busca tradicional por plásticos apenas mais duros.

Em vez de tentar impedir qualquer quebra, o MIT demonstrou que a quebra seletiva pode ser parte da solução. Para pneus e outros polímeros, a resistência pode depender justamente de saber onde o material deve ceder.

Clique aqui para ver mais informações.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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