O Brasil desenvolve um medicamento inovador a partir da planta quebra-pedra, potencialmente disponível no SUS e apoiado por pesquisa e parcerias científicas.
O Brasil está prestes a lançar um medicamento inovador derivado da planta quebra-pedra para uso no Sistema Único de Saúde (SUS), unindo conhecimento tradicional e pesquisa moderna.
A iniciativa, parte do Programa Fitoterápicos, envolve órgãos federais, instituições de pesquisa e organizações internacionais para transformar essa erva popular em um produto padronizado e seguro para a população.
O objetivo é oferecer uma alternativa terapêutica eficaz para problemas relacionados ao trato urinário e outras condições de saúde.
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Planta quebra-pedra: Tradição milenar vira ciência pautada em evidências
A planta quebra-pedra (Phyllanthus niruri) é usada há décadas na medicina popular, especialmente em forma de chá para auxiliar no alívio de distúrbios urinários e na prevenção de cálculos renais.
Pesquisas realizadas por universidades brasileiras já demonstraram que a quebra-pedra pode reduzir a formação de cálculos em pacientes que a utilizaram por semanas.
Esse tipo de base científica é um dos pilares que sustentam o desenvolvimento do novo medicamento.
O desenvolvimento desse fitoterápico é resultado de uma cooperação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, entre outros.
O programa recebeu um investimento de cerca de R$ 2,4 milhões, que serão aplicados em equipamentos, adequações técnicas, serviços e estudos laboratoriais, todos seguindo as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Do laboratório ao SUS: os próximos passos
O processo de transformar a planta quebra-pedra em medicamento passa por várias etapas. Inicialmente, serão produzidos lotes-piloto e realizados testes de estabilidade para garantir que o produto seja seguro e eficaz.
Só depois dessa fase é que o dossiê poderá ser submetido à avaliação da Anvisa, etapa necessária para que o medicamento seja oficialmente liberado.
Estima-se que, após aprovação regulatória, o fitoterápico poderá ser disponibilizado na rede pública em até dois anos.
Benefícios potenciais da planta quebra-pedra
Embora o fitoterápico ainda esteja em fase de desenvolvimento, os estudos existentes sobre a planta quebra-pedra apontam diversos benefícios associados ao seu uso tradicional.

Entre eles:
- Potencial para reduzir a formação de cálculos renais.
- Possível ação antioxidante e hepatoprotetora, graças a compostos como flavonoides e triterpenos encontrados na planta.
- Efeito diurético, que pode ajudar na eliminação de líquidos e no funcionamento do trato urinário.
Esses benefícios são amplamente discutidos tanto na literatura científica quanto em comunidades que usam a planta há gerações.
Inovação terapêutica enraizada no conhecimento tradicional
Para os pesquisadores envolvidos, a ideia de transformar uma planta tradicional em medicamento representa um avanço importante na política de fitoterápicos brasileira.
A iniciativa não só potencializa o uso sustentável da biodiversidade, como também fortalece a cadeia produtiva nacional e incentiva a pesquisa científica alinhada às necessidades de saúde pública.
O projeto também respeita a legislação sobre acesso ao conhecimento tradicional, garantindo que as comunidades que detêm esse saber sejam reconhecidas e beneficiadas pela inovação.
Expectativas e impacto para pacientes
Caso aprovado, o medicamento derivado da planta quebra-pedra poderá oferecer uma alternativa acessível e segura no SUS, especialmente para pessoas com histórico de litíase urinária ou que buscam apoio complementar ao tratamento convencional.
Especialistas, no entanto, lembram que a incorporação do fitoterápico deve ser acompanhada de orientação médica, já que o uso de ervas e fitoterápicos não substitui cuidados clínicos e pode interagir com outras terapias.
Se aprovado, esse medicamento baseado na planta quebra-pedra abre caminho para uma nova era na integração entre conhecimento tradicional e medicina moderna, ampliando as opções terapêuticas disponíveis para a população brasileira.
Além disso, a iniciativa fortalece a pesquisa em fitoterapia e pode inspirar futuros desenvolvimentos com outras espécies da biodiversidade nacional.
Fonte: UOL
