Adeus Torre Montparnasse! Em Paris, arquitetos de Nouvelle AOM aprovaram uma reforma de 300 milhões de euros na torre de 210 metros para reduzir seu impacto visual no centro histórico, provocando debate entre especialistas e chamando atenção de moradores e autoridades urbanísticas.
Por mais de 50 anos, um prédio de 210 metros dominou o horizonte de Paris de forma controversa. A Torre Montparnasse, inaugurada em 1973, se tornou um símbolo de um experimento urbano que muitos parisienses prefeririam esquecer.
Único arranha-céu dentro do centro histórico da capital francesa, o edifício contrasta com o tradicional cenário de construções baixas e fachadas de pedra calcária que marcam a identidade da cidade.
Agora, após décadas de críticas, a cidade decidiu não demolir a torre. Em vez disso, aprovou um plano radical para transformá-la quase por completo.
-
Cerca de 700 moradores vivem dentro da cratera de um vulcão ainda ativo em Cabo Verde, casas e vinhas se espalham sobre a lava já solidificada e, a cada erupção que enterra a aldeia, a população volta e reconstrói tudo no mesmo lugar, num dos assentamentos mais extremos do planeta
-
Poucos sabem que o uniforme canarinho foi criado por um adolescente de 18 anos num concurso nacional lançado para apagar a dor do Maracanaço, a maior tragédia do futebol brasileiro
-
Trabalhadores retiraram painéis antigos de um farol escocês e encontraram uma garrafa escondida com uma mensagem de 1892, nomes de engenheiros, faroleiros e detalhes de uma lente usada para guiar navios
-
Seu filho pode ser superdotado e você nem desconfia: especialistas alertam que até as notas baixas e o desinteresse na escola podem esconder altas habilidades por trás do tédio
A construção de 210 metros que mudou as regras urbanísticas de Paris
Quando foi concluída no início da década de 1970, a Torre Montparnasse rompeu com tudo o que definia o padrão arquitetônico de Paris.
Com mais de seis vezes a altura dos prédios haussmannianos de seis e sete andares ao seu redor, ela passou a interferir em vistas icônicas da cidade, como a Torre Eiffel, Les Invalides e a Champs Élysées.
A reação foi imediata.
A insatisfação pública foi tão forte que, apenas quatro anos após a inauguração, em 1977, o governo francês impôs um limite de altura de 25 metros para construções no centro da cidade. Na prática, arranha céus foram proibidos na região histórica.
O impacto dessa decisão molda o horizonte parisiense até hoje.
O plano Maine Montparnasse que tentou modernizar a capital francesa
Nos anos 1950, Paris enfrentava dificuldades estruturais. Parte significativa dos edifícios estava envelhecida, superlotada e pouco adaptada a uma economia em transformação.
Enquanto cidades como Nova York e Londres investiam na verticalização, a capital francesa mantinha oficinas, estúdios e espaços comerciais de pequena escala.
A região da estação Montparnasse foi escolhida para um experimento ambicioso.
Em 1959, o então alto funcionário do governo Edgard Pisani apresentou o plano Maine Montparnasse, dividido em quatro fases. O projeto previa novas moradias, um centro comercial, a reconstrução da estação e uma torre de escritórios que serviria como marco visual.
O objetivo era atrair trabalhadores de volta ao centro e mostrar que Paris poderia competir com grandes centros globais.
O que parecia um símbolo de modernidade acabou se tornando alvo de rejeição.
Engenharia desafiadora: 56 estacas a 60 metros e metrô passando sob a base
Construir a torre não foi simples.
Uma das linhas mais movimentadas do metrô de Paris, a Linha 6, passava exatamente sob o terreno escolhido.
A solução foi ousada: erguer o arranha céu diretamente sobre o túnel, distribuindo o peso para ambos os lados.
Para isso, o túnel recebeu reforços com paredes e vigas de concreto capazes de sustentar dezenas de milhares de toneladas.
Ao todo, 56 estacas profundas foram cravadas até 60 metros de profundidade para alcançar uma camada de argila estável, já que o solo havia sido fragilizado por séculos de extração de calcário.
Mais de 12 mil metros cúbicos de concreto, mais de um quarto do total utilizado na obra, ficaram enterrados no subsolo.
Durante a construção, técnicas consideradas inovadoras na época foram aplicadas, como a moldagem contínua do núcleo de concreto, que permitiu crescimento de cerca de 30 centímetros por dia.
Do ponto de vista técnico, foi um sucesso. Do ponto de vista público, um desastre.
Limite de 25 metros e concentração de arranha céus fora do centro histórico
Depois da imposição do limite de 25 metros em 1977, nenhum outro prédio de grande altura voltou a ser erguido no centro histórico.
Tentativas posteriores de flexibilizar as regras enfrentaram resistência política e popular, como ocorreu com o projeto da Tour Triangle.
A verticalização acabou concentrada no distrito empresarial de La Défense, a aproximadamente nove quilômetros do centro e além do anel viário periférico.
A Torre Montparnasse permaneceu isolada, literalmente e simbolicamente.
Reforma de 300 milhões de euros quer fazer a torre quase desaparecer
Em 2017, a prefeitura de Paris aprovou uma renovação avaliada em 300 milhões de euros, desenvolvida pelo coletivo de arquitetos Nouvelle AOM.
A proposta é transformar radicalmente o edifício.
A torre será reduzida à sua estrutura principal e esqueleto de aço. A fachada escura dará lugar a painéis transparentes de vidro. Jardins suspensos serão integrados à estrutura para suavizar o impacto visual.
A ventilação natural também foi incorporada ao projeto. Aberturas externas foram planejadas para aproveitar os ventos intensos em grandes alturas.
A intenção não é transformá-la em um novo ícone arquitetônico, mas diminuir sua presença visual na paisagem urbana.
As obras devem começar em 2026.
Especialistas apontam que a intervenção pode representar uma reconciliação histórica entre Paris e seu único arranha-céu central. Outros questionam se a reforma apagará um capítulo importante do período pós-guerra.
O resultado ainda é incerto. Mas, pela primeira vez em meio século, a cidade tenta resolver o problema não com demolição, e sim com transformação.
Paris decidiu que, em vez de celebrar sua torre mais polêmica, talvez seja melhor torná-la quase invisível.
Esse caso mostra como uma única construção pode alterar leis, influenciar gerações e redefinir o horizonte de uma das cidades mais conhecidas do mundo. Você acredita que a reforma vai mudar a percepção dos moradores?


Eu acho melhor demolir ele de vez e construir outro no lugar depois com uma estrutura mais adequada para o ambiente e tamanho novo do prédio.
Coitado do prédio 🏢 depois de 50 anos vai diminuir de tamanho oxi… Estou com pena dele primeiro porque autorizaram a construção dele no centro da cidade deveriam ter pensado que ele cortaria a vista da cidade que tem vários edifícios baixos para nao estragar a vista da cidade. Quem construiu o edifício não pensou na vista da cidade e nem o porque todos os edifício são baixos na cidade.
Não, o melhor e menos dispendioso será demolir totalmente o prédio.