Cientistas da University of Maryland descobriram uma placa oceânica da era dos dinossauros presa entre 410 e 660 km de profundidade no manto da Terra, revelando que a zona de transição pode reter material por milhões de anos.
Uma descoberta surpreendente revelou que parte de uma placa tectônica que afundou na Terra durante a era dos dinossauros ainda está presa no interior do planeta. O fragmento foi identificado entre 410 e 660 quilômetros de profundidade, na chamada zona de transição do manto, e parece estar se movendo muito mais lentamente do que os modelos geológicos previam.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da University of Maryland (Estados Unidos) e publicado em setembro de 2024 na revista científica Science Advances. Utilizando técnicas modernas de tomografia sísmica — uma espécie de tomografia computadorizada do interior da Terra baseada em ondas de terremotos —, os cientistas conseguiram visualizar um pedaço antigo de crosta oceânica que mergulhou no manto há centenas de milhões de anos.
A descoberta indica que essa camada intermediária do manto pode funcionar como uma barreira natural que retém material por dezenas ou até centenas de milhões de anos, mudando a forma como os geólogos entendem a dinâmica profunda do planeta.
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O que acontece quando uma placa tectônica afunda na Terra
O fenômeno responsável por levar crosta oceânica para o interior do planeta é chamado de subducção. Esse processo ocorre quando duas placas tectônicas colidem e a placa oceânica — mais densa — acaba mergulhando sob outra placa. Ao longo de milhões de anos, esse material afunda gradualmente dentro do manto.
Modelos geológicos tradicionais indicam que essas placas subductadas continuam descendo lentamente até atingir regiões profundas do manto, onde acabam sendo reabsorvidas e recicladas pelo calor interno da Terra.
Mas o fragmento recém-descoberto não seguiu esse comportamento esperado. Em vez de continuar afundando, ele parece ter ficado “preso” em uma camada intermediária do interior do planeta.
A zona de transição do manto: uma fronteira invisível dentro da Terra
A estrutura onde a placa foi encontrada é conhecida como zona de transição do manto, localizada entre aproximadamente 410 km e 660 km de profundidade. Essa região marca a divisão entre duas partes importantes do interior do planeta:
- O manto superior, mais próximo da superfície
- O manto inferior, que se estende até quase 3.000 km de profundidade
A zona de transição é caracterizada por mudanças na estrutura dos minerais que compõem o manto, provocadas pelas pressões gigantescas existentes nessa profundidade.
Essas mudanças alteram propriedades físicas das rochas, como densidade, rigidez e viscosidade, criando uma espécie de camada intermediária com comportamento próprio dentro da Terra. E é justamente nessa região que os pesquisadores encontraram o antigo fragmento de placa tectônica.
Um pedaço do fundo do mar da era dos dinossauros
Os dados sísmicos indicam que o material encontrado provavelmente pertence a uma placa oceânica que começou a afundar há cerca de 250 milhões de anos, quando os primeiros dinossauros começavam a dominar os ecossistemas terrestres.
Com o passar do tempo, essa crosta oceânica mergulhou no interior do planeta por meio da subducção. Mas, em vez de seguir diretamente para o manto profundo, parte dela acabou retida na zona de transição.
Para os cientistas, esse fragmento funciona como um verdadeiro “fóssil geológico” preservado no interior da Terra. Ele representa uma espécie de registro congelado da dinâmica tectônica que ocorria no planeta durante a era dos dinossauros.
A placa está se movendo muito mais devagar do que o esperado
Outro resultado surpreendente do estudo foi a velocidade com que esse material está se deslocando. Modelos geológicos sugerem que placas subductadas costumam afundar no manto a velocidades próximas de 1 centímetro por ano.
Mas os dados indicam que o fragmento identificado está se movendo a aproximadamente metade dessa velocidade. Isso significa que a zona de transição do manto pode funcionar como uma camada viscosa que desacelera o movimento das placas tectônicas subductadas.
Em vez de descer livremente pelo interior do planeta, algumas placas podem ficar presas nessa região por dezenas ou até centenas de milhões de anos.
O interior da Terra pode guardar muitos outros “fósseis tectônicos”
A descoberta levanta uma possibilidade fascinante para os geólogos: o interior da Terra pode conter muitos outros fragmentos antigos de placas tectônicas preservados no manto. Essas estruturas podem funcionar como registros da história geológica do planeta, revelando detalhes sobre a movimentação das placas ao longo de centenas de milhões de anos.
Com técnicas cada vez mais avançadas de imagem sísmica, os cientistas acreditam que novas descobertas desse tipo podem surgir nos próximos anos. Cada uma delas ajudará a reconstruir a história profunda da Terra — um passado que permanece invisível, escondido centenas de quilômetros abaixo da superfície.
Uma descoberta que muda a visão sobre o funcionamento do planeta
Encontrar um fragmento de placa tectônica da era dos dinossauros ainda preservado no manto mostra que o interior da Terra é muito mais complexo do que se imaginava. Em vez de um sistema simples onde as placas afundam continuamente até desaparecer, o manto parece possuir camadas que podem retardar ou até armazenar material por longos períodos geológicos. Esse comportamento pode influenciar diversos processos fundamentais do planeta, como:
- Circulação de calor no interior da Terra
- Formação de vulcões
- Dinâmica das placas tectônicas
- Evolução da crosta terrestre
No futuro, entender melhor essas camadas profundas poderá ajudar os cientistas a explicar fenômenos geológicos que ainda permanecem sem resposta. E tudo indica que, no interior da Terra, ainda existem muitos segredos esperando para ser descobertos.

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