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Petróleo impulsiona cidades ao topo do PIB per capita no Brasil; destaque para Saquarema, no Rio de Janeiro, que lidera a lista

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 19/12/2025 às 10:29
Cidades produtoras de petróleo lideram o PIB per capita no Brasil em 2023, segundo o IBGE, com destaque para Saquarema e Maricá, enquanto capitais voltam a ganhar participação na economia nacional.
Cidades produtoras de petróleo lideram o PIB per capita no Brasil em 2023, segundo o IBGE, com destaque para Saquarema e Maricá, enquanto capitais voltam a ganhar participação na economia nacional.
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Cidades produtoras de petróleo lideram o PIB per capita no Brasil em 2023, segundo o IBGE, com destaque para Saquarema e Maricá, enquanto capitais voltam a ganhar participação na economia nacional.

A presença do petróleo segue como um fator decisivo na formação das maiores rendas por habitante do Brasil. Dados referentes a 2023, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que municípios com forte atuação na indústria extrativa ocupam as primeiras posições no ranking de PIB per capita. 

O destaque absoluto é Saquarema, no Rio de Janeiro, que lidera a lista nacional.

Além de Saquarema, aparecem entre os maiores PIBs per capita cidades como São Francisco do Conde, na Bahia, Maricá, no estado do Rio de Janeiro, Paulínia, em São Paulo, Presidente Kennedy, no Espírito Santo, e Ilhabela, também em território paulista. 

Em comum, esses municípios têm economias diretamente ligadas à extração e ao refino de petróleo, o que amplia significativamente a geração de riqueza quando comparada ao número de habitantes.

Indústria extrativa concentra riqueza em poucos municípios

A dinâmica observada nos números revela uma concentração econômica relevante. Segundo o IBGE, a indústria extrativa é o principal motor que eleva o PIB per capita dessas cidades. Ainda que o volume de produção tenha crescido, o comportamento dos preços internacionais influenciou o desempenho do setor em 2023.

Muito dessa influência tem referência à concentração dessas atividades em poucos municípios”, afirma Luiz Antonio de Sá, analista de contas regionais do IBGE.

O especialista explica que, apesar do avanço da produção, o recuo nos preços globais teve peso no resultado final. “Nas indústrias extrativas, o efeito da redução dos preços internacionais do petróleo e do minério de ferro foi predominante no resultado, porque a queda de preços [de 22,7%] foi superior ao aumento do volume [de 9,2%]”, diz Sá.

Mesmo diante desse cenário, os municípios fortemente ligados ao petróleo mantiveram posições de destaque no ranking nacional de renda por habitante.

Royalties do petróleo fortalecem cofres municipais

Outro ponto central para entender a liderança dessas cidades está na arrecadação de royalties do petróleo. Em 2023, Saquarema e Maricá foram os municípios que mais receberam recursos provenientes dessa fonte. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que Saquarema arrecadou R$ 1,33 bilhão, enquanto Maricá recebeu R$ 1,03 bilhão.

Esses valores representam uma parcela expressiva dos R$ 6,04 bilhões distribuídos entre todos os municípios brasileiros no período. A entrada desses recursos reforça investimentos públicos e amplia o valor agregado da economia local, impactando diretamente o PIB per capita.

Ranking dos maiores PIBs per capita do Brasil em 2023

A lista divulgada pelo IBGE evidencia o peso do petróleo, mas também mostra exceções relevantes. Confira os municípios com os maiores PIBs per capita do país:

  • Saquarema (RJ) – R$ 722.441,52
  • São Francisco do Conde (BA) – R$ 684.319,23
  • Maricá (RJ) – R$ 679.714,48
  • Paulínia (SP) – R$ 606.740,73
  • Presidente Kennedy (ES) – R$ 537.982,68
  • Ilhabela (SP) – R$ 424.535,26
  • Santa Rita do Trivelato (MT) – R$ 409.443,67
  • Louveira (SP) – R$ 388.732,46
  • São João da Barra (RJ) – R$ 382.417,42
  • Extrema (MG) – R$ 377.790,63

No caso de Santa Rita do Trivelato, no Mato Grosso, o destaque não vem do petróleo, mas do agronegócio. O município é um dos polos agrícolas do país, com produção intensa de soja, milho e algodão, o que sustenta um PIB per capita elevado.

PIB per capita nacional segue distante da realidade dos líderes

Enquanto alguns municípios apresentam rendas per capita superiores a R$ 700 mil, a média brasileira permanece bem abaixo desse patamar. Em 2023, o PIB per capita do Brasil foi de R$ 51.693,92.

O cálculo considera a divisão do PIB total do país, que alcançou R$ 10,9 trilhões, pela população estimada em 207,8 milhões de habitantes. Assim como ocorre no âmbito municipal, o indicador reflete a relação entre produção de bens e serviços e o contingente populacional.

Apesar do alto PIB per capita, cidades fortemente atreladas à extração de petróleo perderam espaço relativo na economia brasileira. Todos os sete municípios que reduziram participação no PIB nacional têm economias ligadas à indústria extrativa.

Maricá lidera essa queda, com recuo de 1,6% para 1,2% na participação do PIB do Brasil. Em seguida, aparecem Niterói, Saquarema, Ilhabela, Campos dos Goytacazes, Paulínia e Itajaí. O movimento indica que, embora o petróleo gere alta renda local, sua contribuição relativa para o conjunto da economia pode oscilar conforme preços e demanda.

Capitais retomam protagonismo após perdas recentes

Enquanto cidades petrolíferas enfrentaram retração relativa, as capitais brasileiras voltaram a ganhar espaço na economia nacional. Entre 2020 e 2022, essas cidades haviam perdido 2,2 pontos percentuais de participação, caindo de 29,7% para 27,5%. Em 2023, o índice subiu para 28,3%, embora ainda abaixo do nível pré-pandemia.

Em 2002, as capitais respondiam por 36,1% do PIB brasileiro. O ponto mais baixo dessa participação foi registrado em 2022.

Já tínhamos um cenário de desconcentração até 2020, mas nos dois anos seguintes percebemos uma intensificação da perda de participação das capitais, em função do contexto de redução da circulação de pessoas e das atividades presenciais”, analisa Luiz Antonio de Sá.

Ao observar um horizonte mais longo, apenas duas capitais ampliaram participação no PIB nacional entre 2002 e 2023. Porto Velho, em Rondônia, cresceu 2,1%, enquanto Maceió, em Alagoas, avançou 0,5%.

Nas duas exceções, observamos um ganho relacionado a atividades industriais. No caso de Porto Velho, com a geração hidrelétrica, e, em Maceió, oriundo da indústria de transformação”, explica Sá.

Esses casos mostram que, além do petróleo, outros setores industriais também podem impulsionar economias locais quando há concentração produtiva.

São Paulo lidera participação no PIB brasileiro

No recorte das maiores contribuições individuais ao PIB nacional, São Paulo manteve a liderança em 2023. A capital paulista respondeu por 9,7% de toda a produção de bens e serviços do país, alta de 0,3 ponto percentual em relação a 2022.

Na sequência aparecem Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Manaus e outras grandes cidades. Entre os municípios com forte presença do petróleo, Maricá também figura entre os maiores valores absolutos de PIB.

Maiores participações no PIB nacional em 2023

  • São Paulo (SP) – R$ 1,07 trilhão (9,75%)
  • Rio de Janeiro (RJ) – R$ 418,5 bilhões (3,82%)
  • Brasília (DF) – R$ 365,7 bilhões (3,34%)
  • Maricá (RJ) – R$ 134,1 bilhões (1,23%)
  • Belo Horizonte (MG) – R$ 130,2 bilhões (1,19%)
  • Manaus (AM) – R$ 127,6 bilhões (1,17%)
  • Curitiba (PR) – R$ 120,1 bilhões (1,1%)
  • Osasco (SP) – R$ 119,4 bilhões (1,09%)
  • Porto Alegre (RS) – R$ 104,7 bilhões (0,96%)
  • Guarulhos (SP) – R$ 97,5 bilhões (0,89%)

Os dados reforçam que o petróleo segue como elemento central na formação de riqueza de vários municípios brasileiros, ao mesmo tempo em que o cenário econômico nacional continua marcado por movimentos de concentração e redistribuição regional da atividade produtiva.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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