Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, entrará em uma das maiores intervenções industriais do período, com serviços até a segunda quinzena de novembro em unidades responsáveis por gasolina, diesel e GLP
A Petrobras (PETR4) vai investir cerca de R$ 800 milhões em uma grande parada programada de manutenção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. A intervenção começa em 5 de outubro e está prevista para seguir até a segunda quinzena de novembro, colocando mais de mil equipamentos sob inspeção, manutenção ou modernização.
A dimensão da operação vai muito além de desligar temporariamente algumas unidades da refinaria. No pico dos trabalhos, aproximadamente 6 mil trabalhadores deverão estar mobilizados dentro do complexo industrial, segundo informações divulgadas pela própria Petrobras e repercutidas pelo Money Times, com reportagem da Reuters.
Entre os pontos mais sensíveis estão estruturas ligadas à produção de gasolina, diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP). Mesmo com parte dessas instalações em manutenção, a estatal afirma ter preparado uma operação logística para preservar o abastecimento dos mercados atendidos pela Repar.
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A escala ajuda a explicar os R$ 800 milhões. Trata-se de uma intervenção realizada dentro de uma refinaria capaz de processar 33 mil metros cúbicos de petróleo por dia e que tem papel importante no fornecimento de combustíveis para quatro estados brasileiros.
Mais de mil equipamentos entrarão na manutenção da refinaria
Os trabalhos estarão concentrados principalmente na Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido e nas unidades de Hidrotratamento de Diesel e de Gasolina, além de estruturas auxiliares.
Mais de mil equipamentos deverão passar por inspeções e intervenções durante a parada.
Parte do investimento também será direcionada à implantação de projetos de modernização e aumento da eficiência energética. A Petrobras afirma que as mudanças buscam preparar a Repar para um novo ciclo operacional, além de elevar a confiabilidade dos equipamentos e a segurança da unidade.
É nesse ponto que uma parada industrial dessa dimensão deixa de ser apenas uma manutenção periódica.
Em uma refinaria, equipamentos trabalham continuamente sob altas temperaturas, pressões elevadas e contato com diferentes hidrocarbonetos. Interromper determinadas unidades de maneira planejada permite acessar equipamentos e componentes que dificilmente poderiam receber intervenções profundas durante a operação normal.
Segundo o gerente-geral da Repar, Felipe Leonardo Gomes, os serviços também deverão contribuir para a competitividade e o desempenho operacional da refinaria após a retomada das unidades.
Cerca de 6 mil trabalhadores serão mobilizados no pico da operação
Outro número mostra o tamanho do trabalho previsto para Araucária: aproximadamente 6 mil pessoas deverão atuar no pico da parada programada.
Esse contingente envolve profissionais de diferentes especialidades necessárias para executar inspeções, desmontagens, reparos, testes e remontagens dentro de uma instalação industrial de grande porte.
A Petrobras informou que empresas contratadas para a operação priorizaram a contratação de trabalhadores da região. A companhia também relaciona a mobilização ao programa Autonomia e Renda, iniciativa voltada à qualificação profissional.
Por isso, os R$ 800 milhões não ficam restritos à troca de componentes dentro da refinaria. Uma parada dessa escala cria temporariamente uma cadeia de demanda por mão de obra, serviços especializados, transporte, alimentação, hospedagem e diferentes fornecedores industriais na região de Araucária.
A concentração de milhares de trabalhadores por algumas semanas transforma a manutenção em uma operação logística própria dentro da refinaria.
Repar abastece Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul
A importância da operação também aparece quando se observa para onde vai a produção da unidade.
A Repar tem capacidade para processar aproximadamente 33 mil metros cúbicos de petróleo por dia.
Seu portfólio inclui diesel, gasolina, GLP, querosene de aviação (QAV), asfalto, coque, propeno, óleo combustível e óleo marítimo.
Segundo a Petrobras, cerca de 85% da produção da refinaria é destinada aos mercados do Paraná, Santa Catarina, sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O restante pode seguir para outras regiões brasileiras ou para exportação.
Isso explica por que a logística durante a manutenção é um dos elementos mais importantes da operação.
As unidades relacionadas à produção de GLP e gasolina estarão entre aquelas submetidas aos serviços. Mesmo assim, a Petrobras afirma ter realizado um planejamento integrado para manter o atendimento à demanda durante o período.
O Money Times, em matéria publicada em 2 de outubro, destacou também que a parada ocorre em um momento de atenção ao mercado de combustíveis e ao suprimento de diesel. A Petrobras havia informado anteriormente que já havia garantido importações consideradas necessárias para outubro, mês tradicionalmente marcado por aumento sazonal da demanda de diesel ligado ao plantio da safra de verão.
Parada deve seguir até a segunda quinzena de novembro
O cronograma divulgado pela Petrobras prevê que os serviços avancem até a segunda quinzena de novembro de 2026.
Há uma pequena divergência de data que merece registro. A comunicação oficial da Petrobras informa início em 5 de outubro, enquanto a reportagem do Money Times/Reuters afirma que a atividade começaria na “próxima segunda-feira (6)”. Como 2 de outubro de 2026 caiu em uma sexta-feira, a segunda-feira seguinte é 5 de outubro, data apresentada diretamente pela estatal.
Até o encerramento da parada, equipes deverão percorrer mais de mil equipamentos enquanto projetos de modernização são implantados nas unidades selecionadas.
Quando esse ciclo terminar, o resultado esperado não será simplesmente colocar a refinaria novamente em funcionamento. O investimento de R$ 800 milhões pretende devolver à operação equipamentos revisados, instalações modernizadas e unidades com ganhos de eficiência energética para o próximo ciclo de produção.
Em uma refinaria responsável por boa parte do abastecimento do Sul do país, esse é justamente o ponto central da operação: parar uma parcela relevante da estrutura por algumas semanas para reduzir riscos e preparar anos de funcionamento posteriores.
