1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. James Webb encontra pistas de colisões entre corpos do tamanho de Marte em sistemas estelares jovens
Faça um comentário 5 min de leitura

James Webb encontra pistas de colisões entre corpos do tamanho de Marte em sistemas estelares jovens

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 03/10/2026 às 13:46 Atualizado em 03/10/2026 às 13:47
Google News
Ilustração artística de uma colisão em um disco de detritos extremo. O James Webb não flagrou o impacto: ele mediu a poeira.
Ilustração artística de uma colisão em um disco de detritos extremo. O James Webb não flagrou o impacto: ele mediu a poeira. Foto: Arte: NASA, ESA, CSA, Joseph Olmsted (STScI)
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Estudo divulgado pela NASA em 1º de outubro de 2026 usou o James Webb e o telescópio Spitzer para analisar a poeira de 21 sistemas estelares. A composição dessa poeira indica a energia de colisões entre corpos do tamanho de Marte e da Lua, e traz um paralelo com a formação da Lua.

Em 1º de outubro de 2026, a NASA divulgou um estudo com dados dos telescópios James Webb e Spitzer sobre 21 discos de detritos extremos ao redor de estrelas jovens. A poeira desses discos indica a energia de colisões entre corpos do tamanho de Marte e da Lua, mas nenhum dos telescópios viu uma batida.

O trabalho saiu na The Astrophysical Journal. Segundo o comunicado da NASA, esse tipo de colisão ajuda a entender o Sistema Solar, que teria passado por impactos parecidos, entre eles o da formação da Lua.

O que são os discos de detritos extremos?

São sistemas com muita poeira quente perto da estrela, na faixa onde orbitam os planetas rochosos do Sistema Solar, descreve a NASA. Pense numa obra em que, em vez de erguer, os corpos se demolem e deixam entulho quente em volta.

Vega, citada pela NASA como exemplo de disco de detritos frio, diferente dos extremos, vista pelo James Webb em 2024. O ponto preto central é falta de dados por saturação.
Vega, citada pela NASA como exemplo de disco de detritos frio, diferente dos extremos, vista pelo James Webb em 2024. O ponto preto central é falta de dados por saturação. Foto: Imagem: NASA, ESA, CSA, STScI, S. Wolff (University of Arizona), K. Su (University of Arizona), A. Gáspár (University of Arizona)
Gráfico da NASA: discos ricos em sílica (círculos brancos) aparecem em estrelas mais jovens, e os pobres em sílica (pontos roxos) em várias idades.
Gráfico da NASA: discos ricos em sílica (círculos brancos) aparecem em estrelas mais jovens, e os pobres em sílica (pontos roxos) em várias idades. Foto: Gráfico: NASA, ESA, CSA, Joseph Olmsted (STScI)

O Spitzer, telescópio espacial já aposentado da NASA, descobriu essa subclasse. Os discos de detritos extremos são raros: os cientistas estimam, segundo a NASA, que só cerca de 1% das estrelas jovens mostre sinais dessa fase.

A equipe de Kate Su, do Space Science Institute, em Boulder (Colorado), juntou 21 discos: 16 observados pelo James Webb, 12 deles inéditos, e 5 do arquivo do Spitzer.

“Sabíamos que eles são estranhos e muito diferentes dos discos de detritos frios típicos que conhecemos, como Vega e Fomalhaut”, disse Su, autora principal do estudo.

O que o James Webb realmente observou nesses sistemas?

O James Webb não filmou planetas se chocando. Ele e o Spitzer mediram espectros no infravermelho médio, que revelam de quais minerais a poeira é feita.

A equipe confirmou três traços comuns, relata a NASA: grãos menores que os de discos comuns, muita poeira quente e variações irregulares de brilho.

“Ver a emissão no infravermelho médio e as lindas feições espectrais com o James Webb, que permitiram identificar as composições, foi o mais empolgante”, disse Agnes Kospal, do Observatório Konkoly, em Budapeste, coautora. Para ela, não há outro jeito de estudar esses embriões planetários diretamente, porque são pequenos demais.

Como a sílica mostra a energia de uma colisão?

A composição da poeira dos discos de detritos extremos indica o tipo de impacto que a produziu, segundo a NASA. A equipe dividiu os discos em ricos e pobres em sílica.

Um exemplo terrestre de material rico em sílica é o vidro vulcânico, como a obsidiana. Já a forsterita, pobre em sílica, aparece como grãos de areia verde em algumas praias do Havaí, citou a NASA.

Cerca de um terço da amostra é rica em sílica. Isso sugere impactos de alta energia entre corpos do tamanho de Marte, com boa parte do material vaporizada.

Os outros dois terços são pobres em sílica e apontam colisões menos energéticas, como as de raspão, entre corpos do tamanho da Lua.

No estudo publicado, 8 dos 21 discos (38%) são ricos em sílica, e os outros 13 (62%), pobres: é o terço e os dois terços citados pela NASA.

Qual é a idade dos discos ricos e dos pobres em sílica?

Os discos ricos em sílica aparecem só ao redor de estrelas com menos de 300 milhões de anos, afirma a agência. Os pobres em sílica surgem em várias idades e costumam variar mais de brilho, o que a equipe propõe explicar pela rápida evolução dos detritos novos.

“Esperamos que não haja sistemas ricos em sílica entre os discos extremos mais antigos”, disse Attila Moor, do Observatório Konkoly, também coautor. Só três discos da amostra têm essa idade, afirmou ele, e seria bom observar mais para confirmar a hipótese.

O que isso tem a ver com a formação da Lua?

A teoria diz que a formação da Lua começou quando um corpo do tamanho de Marte, chamado Theia, bateu na Terra recém-nascida, segundo a NASA. A batida vaporizou muita rocha e a lançou ao espaço, e parte dela virou a Lua.

Simulações citadas pela NASA indicam que planetas rochosos se formam nas primeiras centenas de milhões de anos de um sistema. Isso combina com a idade dos discos de detritos extremos ricos em sílica.

É com esse impacto, o da formação da Lua, que a NASA abre o comunicado sobre o estudo. Da próxima vez que olhar para a Lua, lembre que, pela teoria, ela é o que sobrou de uma batida.

O que o estudo diz sobre o bombardeio que teria atingido o Sistema Solar?

Diz que o quadro seria compatível com a hipótese do Late Heavy Bombardment, segundo a NASA. É a ideia de uma onda de asteroides sobre o Sistema Solar interno há cerca de 4 bilhões de anos.

A condição é que os discos pobres em sílica mais antigos reflitam instabilidade orbital. O ponto de apoio são os discos antigos da amostra do James Webb e do Spitzer.

Nessa hipótese, os planetas gigantes migraram por distâncias grandes, bagunçaram as órbitas de corpos menores e provocaram colisões catastróficas. Elas teriam gerado fases curtas e cheias de poeira, como as dos discos de detritos extremos.

“Como os planetas rochosos se formaram e como os gigantes evoluíram são partes da história mais ampla da formação do Sistema Solar. É tudo uma história só”, disse Kate Su.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x