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A IA também depende de eletricistas, refrigeração e obras: o que existe por trás dos data centers

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 03/10/2026 às 13:57 Atualizado em 03/10/2026 às 13:58
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Palco do Data Center World, evento global da Informa, em Washington (EUA), em abril de 2026. A edição brasileira será de 6 a 8 de outubro, em São Paulo.
Palco do Data Center World, evento global da Informa, em Washington (EUA), em abril de 2026. A edição brasileira será de 6 a 8 de outubro, em São Paulo. Foto: Data Center World/Flickr
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Os data centers da IA pedem engenheiros eletricistas, refrigeração e obras de energia, tema da 1ª edição do Data Center World Brasil, em São Paulo, de 6 a 8 de outubro de 2026.

Os data centers de IA exigem engenheiros eletricistas e refrigeração, segundo o Data Center World Brasil, que estreia em São Paulo em 6 de outubro de 2026. Racks de IA podem superar 100 kW, contra 5 a 15 kW, afirma o evento, e a energia lidera as interrupções de maior impacto, aponta o Uptime Institute.

Por que os data centers precisam de eletricistas e engenheiros?

Porque construir e operar data centers envolve várias especialidades, informa o release do Data Center World Brasil, de setembro de 2026.

Saguão da edição de Washington (EUA) do Data Center World, em abril de 2026.
Saguão da edição de Washington (EUA) do Data Center World, em abril de 2026. Foto: Data Center World/Flickr

Entre os profissionais, destaca o texto, estão engenheiros eletricistas e mecânicos, técnicos e operadores. Há ainda especialistas em refrigeração, automação, redes, segurança e manutenção de ambientes críticos.

O texto registra que o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP) vê oportunidades em projetos de subestações e qualidade de energia. Também há oportunidades em automação e integração de fontes renováveis, na visão do conselho.

“Estamos falando de uma infraestrutura que depende de profissionais com diferentes especializações, desde a construção até a operação”, afirmou Leonardo Benedicto, diretor do evento.

Em 7 de outubro, às 11h30, um painel debate a formação desses profissionais. Participam Pierre Lucena (Porto Digital), Roberta Piozzi (Brasscom) e Andrea Matsui (Generation Brasil).

Quando e onde acontece o Data Center World Brasil?

O Data Center World Brasil é a versão nacional de uma plataforma global de conteúdo e negócios para o setor, explica a organização. A plataforma é feita pela Informa Markets. A 1ª edição será de 6 a 8 de outubro de 2026, no São Paulo Expo.

Plateia na sessão principal da edição de Washington (EUA) do Data Center World, em abril de 2026.
Plateia na sessão principal da edição de Washington (EUA) do Data Center World, em abril de 2026. Foto: Data Center World/Flickr

A feira abre das 10h às 20h, e o congresso funciona das 10h30 às 17h30, informa o site do evento. O Data Center World Brasil ocorre junto com o Futurecom, de conectividade, e um único ingresso vale para os dois.

Entre os expositores previstos, segundo a organização, há empresas de projeto e construção de data centers e de prevenção e supressão de incêndios. Outras atuam em energia, UPS, baterias, geradores e resfriamento de precisão.

Por que a IA muda a refrigeração dos data centers?

Porque o processamento de IA concentra mais calor em menos espaço nos data centers. Racks tradicionais trabalham, em geral, entre 5 kW e 15 kW, destaca o release sobre refrigeração líquida. Configurações de IA já podem superar 100 kW.

Durante décadas, a refrigeração a ar predominou. A refrigeração líquida retira o calor direto dos componentes de maior potência, explica o release.

A TrendForce estima a refrigeração líquida em 53% dos chips de IA em 2026, ante cerca de 33% em 2025, informa o release.

O ar não desaparece. Sistemas híbridos podem combinar tecnologias e receber equipamentos novos nos data centers atuais sem trocar toda a infraestrutura, afirma o release.

O painel “Data centers AI-ready: densidade, energia e novos requisitos de infraestrutura” será em 8 de outubro, às 14h. Há representantes de CIAg, Sicoob, Schneider Electric, ABDC e Essencial Energia.

O que o Uptime Institute diz sobre as falhas de energia em data centers?

A energia segue como a principal causa das interrupções de maior impacto, e, entre essas falhas, predominam as de UPS, chaves de transferência e geradores, informa o Uptime Institute. O relatório Annual Outage Analysis 2026 foi anunciado em 13 de maio de 2026.

Restrições na rede elétrica e cargas de alta densidade criam novos pontos de pressão nos data centers, destaca o instituto.

Na pesquisa de 2025, 57% dos respondentes disseram que a última grande interrupção custou mais de US$ 100 mil. Um em cada cinco relatou mais de US$ 1 milhão.

A frequência de falhas por local caiu pelo quinto ano seguido, mas o ritmo de melhora diminuiu.

O relatório mostra que descumprir procedimentos estabelecidos segue como a principal causa de interrupções por erro humano. Processos pouco claros e erros de instalação também aparecem.

Em 6 de outubro, às 16h, há um painel sobre como se preparar para falhas, crises e eventos extremos. Quem apresenta é Fabiano Tatsugawa Duarte, diretor de Infraestrutura de Missão Crítica da Claro Brasil.

O que são os Tiers que classificam um data center?

São quatro níveis do Uptime Institute que definem critérios de manutenção, energia, refrigeração e tolerância a falhas.

Conforme o instituto, o Tier I tem capacidade básica e para por completo na manutenção. O Tier II traz componentes redundantes de energia e refrigeração.

O Tier III permite manutenção sem desligar a operação, com caminhos de distribuição redundantes. O Tier IV tolera falhas, com sistemas independentes e isolados fisicamente, e exige refrigeração contínua.

Os Tiers definem critérios, não tecnologias. O instituto afirma que um Tier IV não é melhor que um Tier II: cada nível atende a uma operação diferente.

O Uptime Institute afirma ter emitido mais de 4.300 certificações em mais de 120 países.

Qual o peso da energia na expansão dos data centers em São Paulo?

A capacidade instalada nos quatro maiores mercados latino-americanos chegou a 1.045 MW no primeiro trimestre de 2026, alta de 41,3% em um ano, informa o release do evento, com base em relatório da CBRE. São Paulo lidera, com 536,7 MW.

Para o Brasil, o release registra 106 MW de nova capacidade no primeiro semestre e outros 134 MW previstos até dezembro, em relatório da JLL.

Em 6 de outubro, às 11h30, há a mesa “Energia como gargalo estrutural: disponibilidade, intermitência e viabilidade real”. O debate trata de armazenamento por baterias, geração dedicada e contratos de compra de energia.

Em 7 de outubro, às 16h30, ocorre o Latam Leaders Panel “Data centers na América Latina: investimento, expansão e decisões de arquitetura”. Ele compara Brasil, México, Chile e Colômbia em energia, regulação, custos e conectividade.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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