Primeira rodada prevê até US$ 1,4 bilhão em subsídios para oito empresas, com investimentos em instalações, guindastes e automação para ampliar a produção e enfrentar a escassez de trabalhadores
O Japão começou a colocar em prática uma estratégia para recuperar sua indústria naval, com previsão de US$ 6,4 bilhões em investimentos públicos e privados ao longo de uma década. A meta é dobrar a capacidade anual de construção de navios até 2035. Na primeira rodada, o governo aprovou até 213,1 bilhões de ienes, aproximadamente US$ 1,4 bilhão, em subsídios, conforme reportagem publicada pelo BE News em 8 de setembro de 2026.
O apoio contempla três grupos liderados por Imabari Shipbuilding, Japan Marine United e Namura Shipbuilding, reunindo oito empresas. Os projetos incluem ampliação de instalações e modernização de equipamentos.
Assim, o país pretende recuperar capacidade industrial e fortalecer sua posição no mercado. A iniciativa também procura enfrentar dificuldades internas, como o envelhecimento da mão de obra e a falta de profissionais especializados.
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Primeira etapa pode mobilizar US$ 3,8 bilhões em investimentos
Os subsídios representam apenas parte dos recursos previstos. Somados aos aportes das empresas, os projetos aprovados deverão mobilizar cerca de 600 bilhões de ienes, equivalentes a US$ 3,8 bilhões, ao longo de dez anos.
Segundo a reportagem, essa primeira etapa pode elevar em aproximadamente 50% a capacidade conjunta dos grupos beneficiados. Já a meta de dobrar a capacidade considera o conjunto da indústria japonesa.
Portanto, os valores correspondem a diferentes níveis do programa. Os US$ 1,4 bilhão são o limite de apoio público aprovado nesta rodada, enquanto os US$ 6,4 bilhões representam a ambição mais ampla de investimento público e privado.
A distribuição dos subsídios prevê até 113,8 bilhões de ienes para o grupo da Imabari, 49,4 bilhões para o grupo da Japan Marine United e 49,9 bilhões para Namura e Hakodate Dock.
Robôs e equipamentos modernos devem aumentar a produtividade
Entre as prioridades estão grandes galpões industriais, guindastes e equipamentos de automação. O objetivo é ampliar a produção sem depender de um crescimento proporcional do número de trabalhadores.
Além disso, o governo japonês desenvolve iniciativas de robótica com inteligência artificial para tarefas como soldagem e conformação de chapas. Em setembro, o ministério responsável pelo setor divulgou uma cooperação com os Estados Unidos nessa área.
O trabalho conjunto prevê testes com estruturas que reproduzem cascos de navios, desenvolvimento de sensores e simulações de operações em estaleiros.
Japão quer passar de 9 milhões para 18 milhões de toneladas brutas
A estratégia busca elevar a capacidade anual de aproximadamente 9 milhões para 18 milhões de toneladas brutas até 2035.
Nesse contexto, tonelagem bruta é uma medida relacionada ao volume interno das embarcações. Portanto, a meta não significa produzir navios com 18 milhões de toneladas de peso nem transportar esse volume de carga.
O plano surge após décadas de perda de participação japonesa na construção naval. Primeiro, os fabricantes enfrentaram o avanço sul-coreano. Depois, a China ampliou sua presença.
Transporte marítimo coloca o setor no centro da segurança econômica
Segundo o BE News, cerca de 99,6% do comércio exterior japonês em volume depende do transporte marítimo. Por isso, manter uma base doméstica de construção naval tem importância para o abastecimento e a logística do país.
O programa também inclui formação de trabalhadores, embarcações de menor emissão e cooperação internacional. A proposta combina recuperação industrial com preparação para novas exigências do transporte marítimo.
No Japão, novas rodadas de apoio deverão depender da análise de outros projetos. A primeira aprovação inicia a execução de uma estratégia cujo horizonte principal é 2035.
