Novo contrato transforma uma relação comercial que já existia entre as duas petroleiras em compromisso de longo prazo, eleva o volume mínimo negociado e cria uma nova metodologia para calcular o preço do petróleo produzido no Rio Grande do Norte
A Brava Energia (BRAV3) garantiu uma fatia relevante da produção de petróleo da PetroReconcavo (RECV3) no Rio Grande do Norte pelos próximos anos. Segundo o InfoMoney, a partir das informações divulgadas pelas companhias, as duas empresas fecharam um novo contrato para compra e venda do petróleo cru produzido no Ativo Potiguar, com compromisso mínimo equivalente a 50% da produção líquida abrangida pelo acordo.
O contrato começa a valer em 1º de outubro de 2026 e segue até 31 de dezembro de 2030, transformando uma relação comercial que já vinha sendo renovada por meio de contratos e aditivos em uma parceria de duração superior a quatro anos.
Segundo comunicado da Brava ao mercado, o acordo consolida condições comerciais e operacionais negociadas entre as empresas e busca aumentar a previsibilidade dos fluxos de comercialização do petróleo.
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A mudança relevante, portanto, não está apenas na quantidade de óleo envolvida. Está no horizonte. Brava e PetroReconcavo deixam de depender exclusivamente de negociações de curto prazo para uma parcela importante da produção potiguar e passam a trabalhar com condições estabelecidas até o encerramento de 2030.
Brava terá compromisso de comprar pelo menos 50% da produção líquida prevista no acordo
O contrato estabelece um compromisso recíproco de compra e venda de, no mínimo, 50% da produção líquida de petróleo da PetroReconcavo proveniente dos campos do Ativo Potiguar.
Isso não significa que toda a produção da PetroReconcavo no Rio Grande do Norte ficará automaticamente destinada à Brava. O percentual divulgado representa um piso contratual para os volumes abrangidos pelo acordo, preservando espaço para outras estratégias de comercialização.
A própria PetroReconcavo destacou, ao apresentar seus resultados do segundo trimestre de 2026, que o novo desenho amplia a previsibilidade sem eliminar a flexibilidade comercial da companhia.
O percentual também mostra como a relação entre as duas empresas avançou.
Em fevereiro de 2025, aditivos assinados entre PetroReconcavo e Brava estabeleciam compromisso mínimo de compra e venda correspondente a 45% do volume de petróleo contemplado pelos contratos, condicionado a critérios de desempenho da compradora.
Agora, o piso sobe para 50% e deixa de ser parte apenas de um arranjo temporário para integrar um contrato com validade até o final de 2030.
O preço do petróleo não será definido apenas por uma referência simples ao Brent
Outro ponto importante está na fórmula utilizada para determinar quanto vale o petróleo negociado.
O novo contrato inclui aprimoramentos na metodologia de precificação, mantendo componentes vinculados a indicadores de mercado da atividade de refino e incorporando mecanismos destinados a refletir de forma mais adequada as características do óleo produzido no Ativo Potiguar.
Esse detalhe ajuda a explicar por que a negociação foi além de simplesmente definir um percentual de produção.
Em contratos anteriores, a comercialização já combinava referências ao petróleo Brent com componentes relacionados ao mercado de derivados. Em fevereiro de 2025, por exemplo, a PetroReconcavo informou que a fórmula continha uma parcela variável influenciada pelos spreads do querosene de aviação (QAV) e do diesel marítimo (MGO).
As regras foram novamente ajustadas em 2026.
No relatório do segundo trimestre, a PetroReconcavo afirmou que a nova metodologia de precificação melhora de acordo com os volumes entregues, mecanismo que cria um incentivo adicional para o fluxo comercial entre as duas empresas.
É um detalhe técnico, mas decisivo: para uma produtora, garantir comprador é apenas uma parte da equação. As condições pelas quais cada barril será valorizado ao longo de quatro anos podem ser tão importantes quanto o próprio volume comprometido.
Negociação começou antes do contrato definitivo e passou por uma etapa temporária
O acordo anunciado em agosto foi precedido por meses de negociação.
Em 7 de maio de 2026, a Brava informou que havia assinado novos aditivos para a compra do petróleo produzido pela PetroReconcavo na Bacia Potiguar e um Heads of Agreement (HoA), documento que reunia os principais parâmetros comerciais e operacionais que deveriam orientar a elaboração do contrato definitivo.
Naquele momento, ainda não havia garantia de que a negociação seria concluída.
Os aditivos estabeleciam condições temporárias enquanto as empresas discutiam um vínculo mais longo. A Brava chegou a informar ao mercado que, caso o novo contrato não fosse formalizado, as partes poderiam retornar às condições comerciais anteriormente aplicáveis.
Três meses depois, a negociação avançou para o contrato definitivo.
As condições anteriores permanecem válidas até 30 de setembro de 2026. No dia seguinte, entra em vigor o acordo de longo prazo.
A sequência revela que o contrato atual não surgiu de uma negociação isolada: ele é o desfecho de uma tentativa explícita das duas empresas de substituir arranjos temporários por uma estrutura comercial mais previsível.
Relação entre Brava e PetroReconcavo no Rio Grande do Norte vai além da venda de petróleo
A aproximação entre as empresas no estado não se limita ao óleo cru.
Em 2025, a PetroReconcavo adquiriu participação de 50% em ativos de midstream de gás natural anteriormente detidos integralmente por uma subsidiária da Brava no Rio Grande do Norte.
A operação envolveu unidades de processamento de gás natural, equipamentos auxiliares e infraestrutura utilizada para escoamento e processamento da produção regional. Mesmo após a transação, a Brava permaneceu como operadora dos ativos.
As companhias também estabeleceram relações comerciais envolvendo fornecimento de gás natural.
Essa integração ajuda a colocar o novo contrato de petróleo em perspectiva. Não se trata simplesmente de duas empresas que se encontram no mercado para negociar barris ocasionalmente. As operações das companhias passaram a compartilhar diferentes pontos da infraestrutura energética potiguar.
Ativo Potiguar permanece no centro da produção terrestre do Rio Grande do Norte
O Ativo Potiguar reúne campos terrestres de petróleo e gás no Rio Grande do Norte e ocupa posição relevante no portfólio da PetroReconcavo.
A companhia é especializada na operação e revitalização de campos maduros terrestres, modelo no qual instalações existentes recebem novos investimentos e intervenções para ampliar eficiência e recuperar volumes adicionais de hidrocarbonetos.
Para esse tipo de operação, produzir é apenas uma etapa.
O petróleo precisa ser armazenado, transportado, recebido por instalações adequadas e comercializado em condições capazes de preservar a rentabilidade do campo. Problemas em qualquer elo dessa cadeia podem limitar a produção mesmo quando os poços continuam tecnicamente capazes de produzir.
É justamente nesse ponto que contratos de longo prazo ganham importância: eles reduzem parte da incerteza sobre o destino do petróleo que continuará saindo dos campos nos anos seguintes.
Contrato atravessará mais de quatro anos de produção no Rio Grande do Norte
Quando o novo acordo entrar em vigor, em outubro de 2026, Brava e PetroReconcavo terão pela frente 51 meses de vigência contratual, até dezembro de 2030.
Durante esse período, pelo menos metade da produção líquida contemplada pelo contrato terá compromisso de compra e venda entre as companhias.
O comunicado não revela um valor financeiro total do contrato, nem informa antecipadamente quantos barris serão comercializados durante toda a vigência. Esses números dependerão, entre outros fatores, do comportamento futuro da produção e das condições previstas na fórmula de preços.
Assim, não é possível calcular com precisão, a partir das informações divulgadas, quanto o negócio movimentará até 2030.
O que já está definido é a estrutura: percentual mínimo de 50%, início em outubro de 2026, encerramento em dezembro de 2030 e uma metodologia de preços desenhada para acompanhar tanto características do petróleo quanto condições do mercado.
Para Brava e PetroReconcavo, a principal mudança é sair de uma sequência de ajustes comerciais periódicos para uma relação capaz de atravessar vários anos de produção no Ativo Potiguar.
