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Petrobras testa blockchain Cardano para rastrear combustível sustentável de aviação e Diesel R, evitar dupla contagem de emissões e registrar toda a trajetória dos combustíveis

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Escrito por Carla Teles Publicado em 15/10/2026 às 11:27 Atualizado em 15/10/2026 às 11:40
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Petrobras testa blockchain Cardano para rastrear combustível sustentável de aviação e Diesel R, evitar dupla contagem de emissões e registrar toda a trajetória dos combustíveis (1)
Petrobras testa Cardano para rastrear SAF e Diesel R, registrar emissões e evitar dupla contagem de benefícios ambientais.
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Petrobras testa blockchain Cardano para rastrear SAF e Diesel R, registrar a trajetória dos combustíveis e evitar dupla contagem de benefícios ambientais ligados às emissões.

A Petrobras está testando a blockchain Cardano em dois projetos de pesquisa voltados à rastreabilidade de combustíveis com menor intensidade de carbono. Um deles acompanha benefícios ambientais relacionados ao combustível sustentável de aviação, o SAF, enquanto o outro propõe registrar informações do Diesel R ao longo das etapas de produção, transporte e uso.

As informações foram publicadas pelo CoinDesk em 30 de setembro de 2026, com base em projetos anunciados pela Fundação Cardano. As iniciativas buscam criar registros verificáveis sobre origem, transferência e utilização de atributos ambientais, reduzindo o risco de que uma mesma redução de emissões seja contabilizada por mais de uma empresa. Os dois projetos ainda estão em fase de pesquisa e não possuem cronograma divulgado para adoção em larga escala.

Petrobras testa Cardano em duas frentes de rastreabilidade

A primeira iniciativa da Petrobras está relacionada ao combustível sustentável de aviação e ao chamado sistema book-and-claim. Nesse modelo, o combustível físico pode ser utilizado em um local, enquanto seu benefício ambiental é adquirido por uma empresa ou passageiro em outro ponto da cadeia.

A separação entre o combustível e o benefício ambiental exige um sistema capaz de registrar quem recebeu determinado atributo, quando ele foi reivindicado e de qual lote original ele surgiu. É justamente nessa trilha de informações que a blockchain Cardano está sendo avaliada.

O segundo projeto envolve o Diesel R, combustível da Petrobras produzido parcialmente com matérias-primas renováveis, como óleos vegetais ou gorduras animais.

Blockchain tenta evitar dupla contagem de benefícios ambientais

Petrobras testa Cardano para rastrear SAF e Diesel R, registrar emissões e evitar dupla contagem de benefícios ambientais.
Imagem: Reprodução.

Um dos problemas do modelo book-and-claim é impedir que duas organizações reivindiquem a mesma redução de emissões.

Se um determinado volume de SAF gera um benefício ambiental que é adquirido separadamente do combustível físico, esse atributo precisa ser identificado e transferido de maneira controlada. Caso contrário, existe o risco de a mesma vantagem ambiental aparecer em mais de um relatório.

A proposta testada pela Petrobras utiliza a infraestrutura da Cardano para registrar a origem do benefício, quem o recebeu e o momento em que foi reivindicado.

A blockchain funcionaria, nesse caso, como uma camada de rastreabilidade e registro, e não como responsável por determinar por si só quanto carbono foi efetivamente reduzido.

Passageiro poderia receber certificado ligado ao SAF original

No projeto relacionado ao combustível sustentável de aviação, a aplicação prevê uma experiência que chega até o passageiro.

Segundo a descrição apresentada, uma pessoa poderia informar os aeroportos de origem e destino de uma viagem, calcular a quantidade correspondente de benefício de combustível sustentável e receber um certificado associado ao registro original.

Esse certificado serviria para conectar a alocação ambiental à origem correspondente dentro do sistema.

A Petrobras e os parceiros do projeto buscam, dessa maneira, manter uma cadeia verificável entre produção, benefício ambiental e usuário final, mesmo quando o combustível físico não é utilizado diretamente no voo daquele passageiro.

Diesel R teria histórico desde produção até uso

No segundo projeto, o objetivo é diferente. A proposta para o Diesel R é registrar informações em várias etapas da cadeia.

Dados de produção, transporte e utilização poderiam ser associados em um histórico contínuo, criando uma espécie de trajetória digital do combustível.

Isso permitiria acompanhar como o Diesel R se movimenta ao longo da cadeia e quais empresas participaram de cada etapa.

A intenção é tornar a origem e o percurso do combustível mais fáceis de verificar, especialmente quando dados importantes estão distribuídos entre fornecedores, transportadores, clientes e outras empresas.

Projeto pode ajudar empresas a acompanhar emissões de Escopo 3

A rastreabilidade também pode ter aplicação em relatórios de emissões indiretas.

As chamadas emissões de Escopo 3 incluem impactos associados a fornecedores, clientes e outras atividades que não acontecem diretamente dentro das instalações da empresa.

Esses dados costumam ser particularmente difíceis de reunir porque dependem de informações mantidas por diversas organizações.

Ao criar uma sequência de registros sobre o Diesel R, o projeto da Petrobras pode facilitar o acompanhamento de informações utilizadas nesse tipo de relatório, embora a fonte não afirme que a tecnologia elimine sozinha as dificuldades de contabilização.

Diesel R utiliza parte de matérias-primas renováveis

O Diesel R é descrito como um combustível produzido parcialmente a partir de materiais renováveis, incluindo óleos vegetais e gorduras animais.

A matéria não detalha a proporção desses componentes em cada produto nem informa volumes abrangidos pelo teste com Cardano.

Por isso, o projeto deve ser entendido como uma iniciativa de rastreabilidade digital, e não como anúncio de nova capacidade produtiva ou expansão comercial do combustível.

A mesma cautela vale para o SAF. A notícia aborda o sistema de registro dos atributos ambientais, e não um novo volume de produção de combustível sustentável de aviação pela Petrobras.

Cardano aposta em rastreabilidade e origem dos dados

A Fundação Cardano apresenta a tecnologia como uma ferramenta capaz de registrar origem e proveniência de informações ao longo de cadeias empresariais.

Frederik Gregaard, CEO da organização, destacou ao CoinDesk o interesse crescente de instituições brasileiras pela infraestrutura da Cardano e citou iniciativas anteriores envolvendo entidades públicas e industriais.

Para a Petrobras, o interesse está diretamente ligado à possibilidade de manter registros rastreáveis em setores nos quais diferentes participantes precisam compartilhar informações sobre combustíveis e atributos ambientais.

A adoção, porém, ainda está sendo avaliada em pesquisa. A existência de um teste não significa que a blockchain já tenha sido incorporada aos processos comerciais cotidianos da estatal.

Tecnologia não substitui medição de emissões

O uso de blockchain pode ajudar a preservar registros e identificar transferências de atributos, mas não resolve automaticamente todas as etapas de comprovação ambiental.

A quantidade real de emissões evitadas continua dependendo de metodologias, dados de produção, fatores de emissão e regras de contabilização aplicáveis a cada combustível e operação.

Assim, o papel da Cardano está concentrado principalmente no histórico das informações e no controle de quem reivindicou determinado benefício.

Essa distinção é importante porque rastreabilidade digital e redução física de emissões são questões relacionadas, mas não equivalentes.

Projetos ainda não têm escala comercial definida

Os dois trabalhos permanecem em fase de pesquisa. O projeto ligado ao Diesel R é descrito como uma proposta e não há divulgação de volumes de combustível envolvidos.

Também não foi informado quando as soluções poderiam migrar para uma operação comercial em escala.

A Petrobras ainda precisará avaliar desempenho, integração com sistemas existentes, governança dos dados e viabilidade de implantação antes de qualquer expansão mais ampla.

Por enquanto, o teste mostra uma tentativa de aplicar blockchain a um problema concreto da transição energética: acompanhar benefícios ambientais e evitar que a mesma redução de emissões seja reivindicada duas vezes.

Petrobras aproxima blockchain da cadeia de combustíveis

A iniciativa coloca a tecnologia blockchain em uma aplicação distante da especulação com criptomoedas. No caso dos projetos da Petrobras, a finalidade é registrar proveniência, transferências e histórico de combustíveis e de seus atributos ambientais.

Se os testes avançarem, SAF e Diesel R poderão ganhar uma camada adicional de rastreabilidade digital, conectando produção, transporte, uso e reivindicações ambientais em registros verificáveis.

Ainda não há previsão para adoção comercial, mas os projetos indicam como ferramentas digitais podem ganhar espaço na gestão de combustíveis de menor intensidade de carbono. Nos comentários, registre sua avaliação sobre o uso de blockchain para rastrear combustíveis e controlar benefícios ambientais ao longo da cadeia.

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Carla Teles

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