A Petrobras lança a P-91 em meio a uma disputa inesperada: data centers globais estão comprando em massa turbogeradores, dificultando o acesso da estatal a equipamentos essenciais para o pré-sal
A Petrobras iniciou o processo de contratação da P-91, sua 12ª e última plataforma flutuante de produção no Campo de Búzios. Mas, ao anunciar a licitação, a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi, chamou atenção para um desafio inusitado: a estatal agora compete com data centers globais pela compra de geradores de energia.
Segundo a executiva, fornecedores de turbogeradores têm priorizado encomendas maciças do setor de tecnologia, que consome volumes cada vez maiores de eletricidade para manter servidores ativos. “Um data center me pediu 15 turbinas, e a Petrobras apenas uma. Para quem você acha que o fabricante vai dar prioridade?”, relatou Renata.
Plataformas bilionárias pressionadas pela falta de equipamentos
O novo FPSO, chamado P-91 ou Búzios 12, terá capacidade de produzir 180 mil barris de petróleo por dia e ainda funcionará como hub de distribuição de gás natural. Mas, além do desafio tecnológico, o maior obstáculo atual é garantir o fornecimento de equipamentos básicos, como turbinas, disputados por setores muito distintos.
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A busca frenética pelo domínio tecnológico do planeta – por consequência, econômico e militar – acirrou a disputa pelas chamadas ‘terras raras’, por parte das superpotências Estados Unidos e China, o que coloca o Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial, no epicentro da sanha internacional.
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Essa corrida por geradores tem impacto direto no custo final das plataformas. O FPSO Almirante Tamandaré, entregue recentemente, custou cerca de R$ 45 bilhões (US$ 8 bilhões). Ao ser questionada sobre o valor da P-91, Renata brincou: “É 1 bilhão de dólares. Quero ver quem vai conseguir entregar por isso.”

Data centers e petróleo: a mesma batalha energética
O que chama atenção é que, pela primeira vez, a Petrobras enfrenta concorrência de um setor fora da indústria pesada. Os gigantes de tecnologia, ao ampliarem seus centros de dados, passaram a encomendar dezenas de turbinas de grande porte, pressionando a cadeia global de suprimentos.
Esse cenário mostra como a transição energética e a digitalização mundial começam a afetar diretamente a indústria do petróleo. Plataformas que antes competiam apenas com estaleiros e fornecedores navais agora também disputam com a nuvem digital.
Caminho até 2033
Apesar da disputa, a Petrobras mantém o plano de consolidar Búzios como seu maior campo produtor, com pico previsto de 1,8 milhão de barris por dia em 2033. A P-91 será construída no modelo BOT (Build, Operate and Transfer), em que a empresa contratada assume a operação inicial antes de transferi-la para a estatal.
O contrato prevê 25% de conteúdo local, mas cabe ao operador decidir se essa fatia será atendida com módulos, integração em estaleiros brasileiros ou compra de equipamentos nacionais, como os produzidos pela WEG.
As empresas interessadas terão 180 dias para apresentar propostas. A entrega da P-91 ocorrerá apenas após 2030, ficando fora do Plano de Negócios 2026-2030. Até lá, outros FPSOs já contratados reforçarão a produção do campo.
