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Petrobras e UFC instalaram blocos de concreto em forma de “casulos” no mar de Guamaré para apoiar pescadores artesanais no RN, e quatro anos depois o que parecia obra submersa arriscada virou estrutura intacta, monitorada e pouco conhecida da engenharia costeira brasileira

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 12/07/2026 às 18:41 Atualizado em 12/07/2026 às 18:53
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Blocos de concreto em forma de casulos foram instalados no mar de Guamaré em um projeto que uniu Petrobras e UFC para apoiar pescadores artesanais e testar uma solução submersa pouco conhecida, com monitoramento científico e resultados estruturais que chamam atenção pela simplicidade da intervenção.

Blocos de concreto moldados em forma de “casulos” foram instalados no mar de Guamaré, no Rio Grande do Norte, em um projeto criado para apoiar a pesca artesanal e testar estruturas artificiais no ambiente costeiro brasileiro.

Na iniciativa, Petrobras e Universidade Federal do Ceará reuniram engenharia, monitoramento científico e uso tradicional do mar em uma experiência conduzida no litoral potiguar, onde a relação entre comunidades costeiras e atividade pesqueira tem forte presença regional.

Conhecida como Projeto Marambaia, a experiência foi descrita em artigo publicado na revista Arquivos de Ciências do Mar, da Universidade Federal do Ceará, que registrou a instalação das estruturas de concreto e o acompanhamento técnico realizado no período analisado.

Segundo o estudo, as peças foram colocadas no mar como parte de uma ação voltada ao apoio da pesca artesanal em Guamaré, município potiguar marcado por atividades costeiras e pela presença estratégica da Petrobras no Rio Grande do Norte.

Entre os pontos que mais chamam atenção está o tipo de material utilizado, já que o projeto não recorreu a plataformas metálicas, embarcações adaptadas ou estruturas improvisadas, mas a peças de concreto chamadas de casulos.

Pelo próprio formato, os casulos foram pensados para permanecer no fundo do mar e funcionar como pontos artificiais de apoio à atividade pesqueira artesanal, em uma intervenção submersa que uniu prática tradicional e acompanhamento científico.

Casulos de concreto no mar de Guamaré

No litoral nordestino, já existia tradição de construção de estruturas conhecidas como marambaias, pesqueiros ou caiçaras, práticas usadas por comunidades costeiras para criar referências e pontos de apoio ligados à pesca artesanal.

Em Guamaré, essa lógica ganhou uma escala técnica, com participação de uma universidade pública, envolvimento de uma empresa estatal e acompanhamento científico voltado a observar o comportamento das estruturas ao longo dos anos.

De acordo com o artigo da UFC, o Projeto Marambaia foi iniciado pela Petrobras em parceria com a Universidade Federal do Ceará em 1999, dentro de uma proposta voltada à instalação e avaliação de estruturas artificiais.

Durante quatro anos de monitoramento, a pesquisa acompanhou o comportamento dos casulos desde a instalação no mar até 2004, observando a permanência das peças e suas condições estruturais no ambiente costeiro de Guamaré.

Para a engenharia costeira, o dado mais relevante foi a estabilidade das peças, já que as estruturas dos casulos não apresentaram modificação estrutural durante o período monitorado, conforme registrado no estudo da universidade.

Esse resultado mostra que os blocos de concreto resistiram às condições do ambiente marinho sem alteração relevante na forma física acompanhada pelos pesquisadores, ponto essencial para avaliar a viabilidade de intervenções submersas desse tipo.

Engenharia costeira e monitoramento científico

Manter estruturas no fundo do mar exige que o material suporte correntes, movimentação de sedimentos e exposição prolongada à água salgada, especialmente em áreas costeiras usadas por trabalhadores que dependem da previsibilidade do espaço marítimo.

No caso de Guamaré, o concreto não foi tratado como descarte, entulho ou improviso, mas como estrutura planejada, instalada e monitorada dentro de um programa associado ao apoio da pesca artesanal.

Essa diferença separa o projeto de intervenções feitas sem acompanhamento técnico, pois a participação da UFC permitiu registrar dados, observar as condições das estruturas e documentar a experiência em publicação científica.

Já a presença da Petrobras inseriu a iniciativa em uma região onde a empresa possui histórico de atuação ligado ao setor energético, à infraestrutura costeira e à relação com comunidades que utilizam o litoral como espaço de trabalho.

Pesca artesanal e uso tradicional do litoral

Guamaré dá peso à história por estar em uma área marcada pela convivência entre comunidades litorâneas, atividades econômicas e uso contínuo do mar como espaço de deslocamento, trabalho e organização da pesca artesanal.

Nesse cenário, a instalação de estruturas artificiais de concreto passou a ter valor tanto para a engenharia aplicada quanto para o debate sobre formas planejadas de apoiar trabalhadores que dependem diretamente do ambiente costeiro.

Embora a imagem de concreto lançado ao mar cause estranhamento à primeira vista, os casulos seguiram uma lógica simples: criar pontos fixos e reconhecíveis no ambiente marinho para apoiar uma atividade tradicional.

A intervenção, que poderia parecer arriscada sem contexto técnico, foi acompanhada por monitoramento científico e descrita em artigo acadêmico, com dados sobre a permanência das estruturas durante o período analisado pela universidade.

O termo “marambaia” também ajuda a entender a dimensão cultural da iniciativa, pois aparece no Nordeste ligado a estruturas usadas como referência para a pesca artesanal e construídas a partir de conhecimento prático acumulado nas comunidades costeiras.

Em Guamaré, esse conceito tradicional recebeu uma versão planejada com peças de concreto, instalação organizada e acompanhamento universitário, aproximando saber local, engenharia costeira e avaliação científica em um mesmo projeto.

Projeto Marambaia e estruturas artificiais no Brasil

A publicação da UFC enquadra o Projeto Marambaia dentro de um movimento mais amplo de implantação de recifes artificiais e estruturas de apoio à pesca artesanal no Brasil, com foco em soluções adaptadas ao ambiente costeiro.

No caso potiguar, a experiência combinou tradição local e engenharia sem depender de grandes obras visíveis da superfície, já que a parte mais importante do projeto permaneceu instalada no fundo do mar.

Justamente por estar fora do campo de visão da maior parte das pessoas, a iniciativa desperta curiosidade e se diferencia de obras costeiras vistas em praias, molhes, portos ou estruturas de contenção próximas à areia.

Ainda assim, a instalação exigiu planejamento, escolha de material, participação técnica e monitoramento posterior, elementos que reforçam o caráter estruturado do projeto descrito pela Universidade Federal do Ceará.

No artigo, os casulos não aparecem como solução improvisada, mas como parte de um programa organizado, com uso de estruturas de concreto e acompanhamento do comportamento das peças ao longo de quatro anos.

Entre os dados registrados, a ausência de modificação estrutural durante o período monitorado ajuda a explicar por que a experiência segue relevante para discussões sobre engenharia costeira e intervenções submersas no Brasil.

Petrobras, UFC e concreto no fundo do mar

Projetos brasileiros pouco conhecidos também podem envolver soluções de engenharia simples e com impacto local, especialmente quando partem de materiais comuns da construção civil adaptados a finalidades específicas no ambiente marinho.

Em Guamaré, essa combinação de concreto, mar e pesca artesanal criou um contraste capaz de despertar curiosidade, já que blocos submersos instalados por uma parceria entre Petrobras e universidade parecem, à primeira vista, uma intervenção pesada demais para o litoral.

O acompanhamento científico, porém, mostra que o projeto foi registrado, monitorado e analisado a partir de critérios técnicos, afastando a ideia de simples lançamento de material no fundo do mar.

A experiência também reforça a importância de diferenciar projetos planejados e acompanhados de descarte irregular, já que o caso descrito pela UFC envolve estruturas desenhadas para uma finalidade específica e avaliadas dentro de um programa ligado à pesca artesanal.

Ao transformar blocos de concreto em casulos instalados no fundo do mar, o Projeto Marambaia abriu espaço para uma discussão pouco conhecida sobre engenharia costeira brasileira, uso tradicional do oceano e soluções planejadas para comunidades litorâneas.

Você acha que projetos com blocos de concreto monitorados por universidades deveriam ser mais usados no litoral brasileiro ou esse tipo de intervenção ainda precisa ser tratado com cautela?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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