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China encontra sob uma cidade de pedra de 4.500 anos seis túneis secretos que descem 6 metros, atravessam muralhas concêntricas e reaparecem fora dos portões em um complexo fortificado de 138 hectares

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Escrito por Ana Alice Publicado em 12/07/2026 às 19:42 Atualizado em 12/07/2026 às 19:44
Assista o vídeoArqueólogos descobrem seis túneis sob uma cidade de pedra de 4.500 anos na China, revelando engenharia defensiva no Neolítico chinês. (Imagem: Ilustrativa)
Arqueólogos descobrem seis túneis sob uma cidade de pedra de 4.500 anos na China, revelando engenharia defensiva no Neolítico chinês. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma descoberta arqueológica no norte da China revela como planejamento urbano, defesa e engenharia subterrânea se combinaram em uma cidade neolítica, ampliando o conhecimento sobre sociedades que viveram há mais de quatro milênios.

Arqueólogos identificaram seis passagens subterrâneas sob as ruínas de Houchengzui, uma cidade de pedra construída há cerca de 4.200 a 4.500 anos no norte da China.

Distribuídos a até 6 metros de profundidade, os túneis atravessam setores fortificados e se conectam a áreas situadas dentro e fora das muralhas, formando parte de um sistema defensivo que ocupava 138 hectares.

O sítio fica no condado de Qingshuihe, pertencente à cidade de Hohhot, na Região Autônoma da Mongólia Interior.

Erguida na margem norte do rio Hun, a antiga ocupação apresentava muralhas, fossos, portões, plataformas elevadas e estruturas projetadas para controlar a entrada e a circulação de pessoas.

As escavações sistemáticas começaram em 2019 e avançaram até 2023, sob responsabilidade do Instituto de Relíquias Culturais e Arqueologia da Mongólia Interior.

O trabalho permitiu reconstruir parte da organização da cidade e mostrou que as construções visíveis na superfície eram apenas uma camada de um projeto mais amplo.

Sob o solo, os pesquisadores encontraram corredores com tetos arqueados, diferentes níveis de profundidade e trajetos que acompanhavam a disposição das fortificações.

Os seis túneis estavam entre 1,5 e 6 metros abaixo da superfície e se distribuíam de forma radial a partir da região central do assentamento.

Túneis subterrâneos ampliavam a defesa da cidade

As passagens mediam, em geral, entre 1 e 2 metros de altura e cerca de 1,5 metro de largura, segundo informações divulgadas a partir dos resultados arqueológicos.

Algumas seções maiores, documentadas nas primeiras etapas da pesquisa, alcançavam 3,4 metros de largura, 2,4 metros de altura interna e pouco mais de 6 metros de profundidade.

Essas diferenças indicam que os corredores não seguiam um único padrão em toda a extensão.

A largura permitia a movimentação de pessoas, enquanto a inclinação das entradas e os percursos sob as estruturas defensivas dificultavam a visualização a partir da superfície.

Os arqueólogos ainda não estabeleceram uma função definitiva para cada passagem.

A posição dos túneis, porém, sustenta a interpretação de que eles integravam o sistema de circulação e proteção da cidade.

Parte dos corredores poderia ser usada para deslocar pessoas, ferramentas ou outros materiais sem depender dos portões principais.

Sun Jinsong, diretor do Instituto de Relíquias Culturais e Arqueologia da Mongólia Interior, explicou que duas das passagens inicialmente localizadas apresentavam conexões diferentes.

“Uma leva da barbacã interna para fora da cidade e a outra está ligada ao fosso”, afirmou o arqueólogo ao China Daily.

Ele ressaltou que seriam necessários novos estudos para determinar o uso exato das estruturas.

A descoberta, portanto, não comprova que todos os túneis fossem rotas de fuga nem que tivessem sido construídos para enfrentar um inimigo específico.

Também não há evidência suficiente para afirmar que funcionavam exclusivamente como depósitos, vias comerciais ou corredores militares.

Três linhas de proteção cercavam Houchengzui

A área arqueológica tem aproximadamente 1.150 metros de largura por 1.200 metros de comprimento.

Seu formato aproveitava o relevo: o rio Hun ficava ao sul, enquanto canais naturais cercavam os lados leste, oeste e norte.

A principal ligação terrestre com o exterior ocorria por uma área elevada a nordeste.

Sobre esse terreno, os construtores ergueram três linhas sucessivas de defesa.

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A primeira incluía a muralha principal, o portão de acesso e projeções laterais que permitiam controlar a aproximação.

A segunda reunia outra muralha, plataformas, torres e um fosso interno.

Mais adiante, uma terceira barreira combinava a muralha externa, novas plataformas e um fosso ligado às formações naturais da região.

Entre esses elementos estavam estruturas semelhantes a barbacãs, espaços fortificados colocados diante dos acessos principais.

Quem tentasse entrar precisaria atravessar áreas estreitas e controladas antes de alcançar o núcleo urbano.

Os túneis acrescentavam uma dimensão subterrânea ao planejamento defensivo.

Em vez de depender apenas de muralhas altas e fossos abertos, os habitantes criaram percursos que passavam sob pontos estratégicos e ligavam diferentes setores do complexo.

O conjunto ajuda os pesquisadores a estudar como comunidades do fim do período Neolítico organizavam grandes obras.

A construção exigiu conhecimento do terreno, escavação em profundidade, sustentação dos tetos e coordenação entre os corredores subterrâneos e as edificações da superfície.

Tecnologia ajuda a reconstruir a cidade de pedra

Além da escavação manual, a equipe empregou sensoriamento remoto, levantamentos geofísicos, prospecção do terreno e abertura de áreas selecionadas.

A combinação dessas técnicas permitiu identificar vestígios sem remover toda a camada de solo que cobre o sítio.

Esse tipo de investigação ajuda a reconhecer alterações na composição do subsolo, localizar estruturas enterradas e definir onde uma escavação deve ser realizada.

Mapa sobreposto à área escavada mostra a posição dos túneis, portões, muralhas e fossos de Houchengzui - Imagem: Chinese Academy of Social Sciences/China Archaeology Network/Reprodução.
Mapa sobreposto à área escavada mostra a posição dos túneis, portões, muralhas e fossos de Houchengzui – Imagem: Chinese Academy of Social Sciences/China Archaeology Network/Reprodução.

Em Houchengzui, os dados obtidos foram comparados com paredes, portões, fossos, plataformas, sepultamentos e objetos recuperados durante o trabalho de campo.

As pesquisas também revelaram cerâmicas, peças de jade, ferramentas de pedra e objetos feitos de ossos.

Esses materiais fornecem informações sobre alimentação, produção agrícola, criação de animais, caça e circulação cultural entre comunidades que viviam em diferentes áreas do norte da China.

Segundo os estudos divulgados pela equipe, a população cultivava principalmente milheto e combinava a agricultura com criação de animais e atividades de caça.

Ossos de porcos, ovelhas, cães, animais da família dos cervos e outras espécies foram encontrados no sítio.

Os vestígios arquitetônicos apresentam semelhanças com elementos observados em cidades antigas como Shimao, na província de Shaanxi, e Bicun, na província de Shanxi.

Ainda assim, os pesquisadores identificaram diferenças na disposição dos portões e nos trajetos usados para entrar nas áreas fortificadas.

Para Sun Jinsong, algumas características dos acessos de Houchengzui também se aproximam de construções de terra que surgiram posteriormente nas planícies centrais chinesas.

Na avaliação do arqueólogo, essas correspondências constituem indícios de contato e circulação de técnicas entre populações de regiões distintas.

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Estrutura subterrânea ainda guarda questões

A antiga cidade é considerada um dos maiores e mais fortificados assentamentos de pedra do período Longshan já identificados na Mongólia Interior.

O período corresponde à fase final do Neolítico em partes da China e antecede a consolidação de formações políticas mais complexas na região.

Houchengzui não era formada apenas por muralhas.

Investigações recentes localizaram uma área interpretada pelos pesquisadores como um setor de construções de alto nível, com portão, paredes, plataformas, fundações de casas e outros vestígios.

Também foi delimitada uma zona de sepultamentos.

Esses achados ampliam o estudo sobre a divisão dos espaços dentro do assentamento.

Áreas residenciais, estruturas defensivas, possíveis edifícios de maior importância e corredores subterrâneos parecem ter sido planejados como partes relacionadas de uma mesma ocupação.

Apesar do avanço das escavações, não foi encontrada uma explicação conclusiva para a construção dos seis túneis.

A arqueologia consegue documentar dimensões, trajetos, técnicas e conexões, mas a função cotidiana de cada corredor depende de novos vestígios e comparações.

Também permanece sem resposta se as passagens foram abertas durante uma única etapa ou ampliadas ao longo do tempo.

Não se sabe, com segurança, quantas pessoas participavam das obras, quanto tempo a construção exigiu nem quais ferramentas foram empregadas em cada trecho.

A rede subterrânea mostra que o planejamento da cidade alcançava espaços invisíveis para quem se aproximava das muralhas.

Depois de mais de quatro milênios, as escavações ainda tentam determinar como os moradores utilizavam esses corredores e por que investiram tantos recursos em uma estrutura escondida sob uma das cidades mais protegidas de seu período.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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