Petrobras realiza operação inédita e abastece navios da Transpetro com o bunker renovável B24, ampliando o uso de biodiesel e fortalecendo a sustentabilidade na navegação brasileira
Entre os dias 10 e 17 de novembro de 2025, a Petrobras realizou uma operação considerada um marco para o setor marítimo brasileiro: o abastecimento de três navios da Transpetro com o combustível marítimo bunker renovável B24, composto por 24% de biodiesel e 76% de óleo bunker tradicional. Segundo matéria publicada pelo site Portos e Navios, a operação foi realizada no Terminal Aquaviário de São Sebastião (Tebar), no litoral de São Paulo, e faz parte da estratégia nacional de descarbonização do transporte marítimo.
Abastecimento dos navios da Transpetro com bunker renovável B24
A iniciativa sinaliza um avanço real na transição energética no Brasil. O uso do bunker renovável B24 fortalece o compromisso da Petrobras com soluções mais limpas e tecnológicas para navegação, além de posicionar o país entre os principais desenvolvedores de combustíveis alternativos no setor.
Durante a operação, três embarcações foram abastecidas: o navio tanque Zumbi dos Palmares recebeu cerca de 1.300 toneladas de combustível, enquanto os navios Rômulo Almeida e Carlos Drummond de Andrade receberam, respectivamente, aproximadamente 400 e 300 toneladas do bunker renovável B24.
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Esse combustível marítimo foi fornecido pela PBio, subsidiária da Petrobras especializada em biocombustíveis. Por ser uma solução classificada como “drop-in”, o B24 pode ser utilizado diretamente em motores existentes, sem a necessidade de adaptações técnicas ou substituição de equipamentos — um fator decisivo para viabilidade imediata e redução de custos operacionais.
Essa característica tem sido considerada um dos pontos-chave para acelerar a transição energética no transporte marítimo, já que navios existentes podem operar com menor intensidade de carbono ao longo das rotas nacionais e internacionais.
Iniciativa da Petrobras: características técnicas e certificações ambientais
O bunker renovável B24 é formado por 76% de óleo bunker convencional e 24% de biodiesel do tipo FAME (Fatty Acid Methyl Ester). Além de atender às especificações técnicas de desempenho, o combustível possui certificação internacional pelo padrão ISCC EU RED, que garante rastreabilidade e conformidade com rigorosos critérios socioambientais.
Essa certificação é fundamental para ampliar a aceitação global e possibilita que o combustível seja comercializado também em portos internacionais. A adoção de combustíveis certificados demonstra a preocupação das empresas com os requisitos ambientais de órgãos reguladores e com normas estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).
Outra característica relevante é que o bunker renovável B24 tem menor teor de enxofre quando comparado ao combustível marítimo tradicional. Isso contribui para a redução de poluentes atmosféricos, garantindo mais conformidade com políticas de descarbonização e metas ambientais que já vêm sendo implementadas mundialmente.
Histórico da adoção de combustíveis sustentáveis no setor marítimo
A autorização para a comercialização do bunker renovável com até 24% de biodiesel foi emitida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em 2024. Desde então, Petrobras e Transpetro vêm realizando testes e operações graduais com combustíveis marítimos de conteúdo renovável.
Em 2025, a Petrobras obteve certificação internacional para comercializar formalmente o combustível com baixo teor de enxofre e conteúdo renovável em terminais brasileiros, consolidando o uso da mistura B24 em operações comerciais. Antes disso, testes já haviam sido conduzidos em diferentes navios, avaliando parâmetros como estabilidade, combustão e desempenho dos motores.
Essas iniciativas colocam o Brasil em posição estratégica, acompanhando tendências de sustentabilidade que já avançam em mercados marítimos de grande porte na Ásia, Europa e América do Norte.
Sustentabilidade e redução de emissões de carbono
A importância ambiental da adoção do bunker renovável B24
A utilização do bunker renovável B24 representa um passo relevante para a redução das emissões marítimas de gases de efeito estufa. O setor naval é historicamente associado a elevados índices de emissões, em razão do transporte mundial de cargas. O uso do biodiesel reduz a emissão de carbono na comparação com combustíveis fósseis puros.
Segundo informações divulgadas pela Petrobras, a adoção dessa mistura renovável pode reduzir em até 20% as emissões de gases de efeito estufa ao longo da operação dos navios. A redução eleva a competitividade ambiental das empresas e contribui para atender normas e exigências internacionais impostas pela IMO.
Além disso, o B24 favorece a sustentabilidade porque permite a inclusão de matérias-primas recicláveis ou de origem sustentável na cadeia de produção, como óleo de cozinha usado ou subprodutos agroindustriais. Dessa forma, contribui também para o fortalecimento da bioeconomia e da economia circular.
Impacto da iniciativa da Petrobras para o setor naval brasileiro
Liderança nacional na transição energética da navegação
O abastecimento dos navios da Transpetro com o bunker renovável B24 demonstra que a transição energética no setor marítimo brasileiro já está em curso. Essa operação não apenas representa um marco tecnológico, mas abre caminho para que o Brasil fortaleça sua posição no mercado global de combustíveis renováveis.
O uso de combustível marítimo sustentável também favorece a competitividade portuária e pode atrair mais empresas e rotas marítimas para operar no país. O domínio dessa tecnologia permite desenvolver capacidades logísticas e industriais ligadas à produção de biocombustíveis, gerando impacto direto na economia e na cadeia produtiva.
Além disso, iniciativas desse tipo reforçam políticas públicas e privadas voltadas à redução de carbono, ao cumprimento de metas ambientais nacionais e à modernização da infraestrutura portuária brasileira.
Desafios e limitações para uso em larga escala
Apesar dos avanços, a adoção do bunker renovável ainda enfrenta obstáculos. Entre os principais desafios estão:
- Produção e oferta de matéria-prima sustentável em volume suficiente para atender à demanda crescente.
- Infraestrutura portuária e logística ainda em desenvolvimento para abastecimento regular de combustíveis renováveis.
- Custo e competitividade do combustível, que podem variar conforme o mercado de biocombustíveis.
Mesmo diante dessas limitações, especialistas consideram que iniciativas como essa tornam o combustível renovável cada vez mais acessível e competitivo, favorecendo investimentos e políticas públicas para ampliar o uso de alternativas de baixo carbono.
O que esse avanço da Petrobras significa agora para o Brasil
A operação realizada pela Petrobras com os navios da Transpetro mostra que o Brasil possui capacidade técnica e industrial para liderar a adoção de combustíveis renováveis na navegação. A mistura B24 se coloca como uma solução viável, imediata e escalável para reduzir emissões no setor marítimo.
Esse movimento demonstra que a sustentabilidade pode caminhar lado a lado com eficiência operacional, competitividade e inovação. Ao optar pelo bunker renovável B24, as empresas brasileiras do setor naval assumem protagonismo em um mercado global cada vez mais comprometido com a descarbonização.
O desafio agora é transformar essa iniciativa em padrão, ampliar o abastecimento para outras embarcações, desenvolver infraestrutura e seguir avançando em combustíveis de baixo carbono para o futuro da navegação.

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