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Pessoas ricas com ideais ambientais são as maiores emissoras, aponta estudo com 5 mil pessoas no Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 29/05/2026 às 12:00
Atualizado em 29/05/2026 às 12:05
Pessoas ricas com ideais ambientais são as maiores emissoras, aponta estudo com 5 mil participantes em 6 países
Pessoas ricas com ideais ambientais são as maiores emissoras, aponta estudo com 5 mil participantes em 6 países
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Entre pessoas de maior renda e escolaridade, gostar da natureza não significou emitir menos. O estudo mostra que quem mais fala de meio ambiente também pode manter um padrão de viagens e consumo que pesa mais no clima.

Mesmo entre pessoas que dizem valorizar a natureza, a pegada ambiental pode continuar alta — e, em alguns casos, até maior. É o que aponta um estudo citado por newscientist, ao mostrar que, entre os grupos de maior renda, escolaridade e prestígio profissional, os mais alinhados ao discurso ecológico também aparecem entre os que mais emitem carbono.

A pesquisa chamou atenção por contrariar uma ideia comum: a de que a preocupação com o meio ambiente, por si só, mudaria o comportamento de consumo. Na prática, o estudo indica que valores verdes não bastam quando o estilo de vida segue dependente de voos frequentes, casas maiores e outros hábitos de alto impacto.

Os cientistas envolvidos defendem que o foco precisa sair do indivíduo e avançar para mudanças mais duras em políticas públicas. Para eles, campanhas que apostam apenas em consciência ambiental tendem a ter efeito limitado diante da falta de alternativas realmente acessíveis para muita gente.

O que os pesquisadores encontraram em 5 mil pessoas

O levantamento ouviu 5 mil pessoas no Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos. Os participantes responderam sobre renda, riqueza, escolaridade e prestígio no trabalho, numa tentativa de medir o status socioeconômico de cada um.

Depois, os pesquisadores perguntaram o que essas pessoas pensavam sobre natureza, clima e desperdício. Em seguida, cruzaram as respostas com informações sobre consumo de carne e laticínios, tamanho da casa, geração de lixo, uso de veículos e horas de voo, para estimar uma pegada ecológica mais ampla.

Entre a maior parte dos entrevistados, apareceu uma relação esperada: quanto mais importância alguém dava à preservação da natureza, menor era sua pegada ambiental. Mas essa lógica mudou entre os 30% mais ricos e escolarizados.

Quando o amor pela natureza não reduz as emissões

Mesmo entre quem diz defender a natureza, a pegada de carbono pode ser maior: entre os 30% mais ricos e escolarizados, o hábito de voar mais ajudou a elevar as emissões.
Mesmo entre quem diz defender a natureza, a pegada de carbono pode ser maior: entre os 30% mais ricos e escolarizados, o hábito de voar mais ajudou a elevar as emissões.

No topo da escala socioeconômica, as pessoas mais simpáticas à causa ambiental acabaram apresentando uma pegada maior do que os próprios pares. Segundo os pesquisadores, o principal motivo foi simples: esse grupo viaja mais de avião.

E o avião segue como uma das formas mais intensivas de emissão de carbono por pessoa. A pesquisa sugere que, nesse recorte, o hábito de voar com frequência pesa muito mais do que ações como reciclagem, que ajudam, mas têm efeito bem menor sobre o total de emissões.

Para Malte Dewies, da Universidade de Cambridge, um dos autores do trabalho, não se trata de colocar toda a responsabilidade sobre indivíduos. Ele lembra que alternativas de baixo carbono ainda são difíceis de encontrar para atividades como voar, o que limita a mudança de comportamento mesmo entre quem quer reduzir o impacto.

Pressão sobre governos, não só sobre consumidores

O estudo também contraria a chamada curva de Kuznets ambiental, hipótese que sugeria uma queda da pressão sobre o meio ambiente depois de certo nível de riqueza. Os autores afirmam que os resultados não sustentam essa leitura quando o recorte é feito entre pessoas, e não apenas entre países.

Na avaliação da equipe, tentar mudar emissões só com campanhas voltadas à atitude individual não resolve o problema. Micha Kaiser, também da Universidade de Cambridge, foi direto ao dizer que, em algum momento, será preciso adotar medidas mais fortes.

Isso aparece num momento em que alguns governos já tentam mexer no preço das viagens aéreas, com taxas mais altas sobre aviação em países como Reino Unido e Alemanha. Ainda assim, os pesquisadores avaliam que aumentos recentes de tarifas provavelmente não são suficientes para afastar passageiros de alta renda.

A mensagem final do estudo é menos sobre hipocrisia e mais sobre limite. Mesmo quem se diz comprometido com o planeta pode continuar preso a hábitos que puxam as emissões para cima — e, para os autores, é a política pública que vai dizer se isso muda de verdade. Se o tema te interessa, compartilhe a matéria e deixe sua opinião.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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