A equipe da Universidade Charles Darwin avalia misturas de borracha triturada e plásticos reciclados para criar pavimentos mais resistentes ao calor extremo, reduzindo custos, ampliando a vida útil das vias e impulsionando a economia circular no Território do Norte
No Território do Norte da Austrália, milhões de pneus descartados continuam acumulando grande volume anual, com cerca de metade chegando a aterros sanitários e o restante seguindo para reciclagem em outros estados, situação que motiva pesquisas sobre pavimentação resistente.
A Universidade Charles Darwin conduz testes com betume e asfalto combinados a pneus triturados de caminhões e veículos de passeio, além de plásticos reciclados, buscando criar superfícies capazes de suportar estresses ambientais típicos da região.
A pesquisa examina o comportamento dessas misturas sob calor intenso, radiação UV e outras condições adversas que afetam o pavimento local, porque estradas projetadas para ambientes frios falham com facilidade no Território do Norte.
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Adaptação de materiais ao calor extremo
Ramin Shahbazi, doutorando da CDU e autor principal do estudo, afirmou que o clima quente provoca reações químicas diferenciadas no pavimento, tornando o material mais duro ou quebradiço e gerando falhas prematuras nas vias.
Ele explicou que a incorporação de borracha e plásticos reciclados busca igualar ou até superar o desempenho de composições tradicionais, permitindo eventualmente reduzir custos associados a polímeros caros exigidos para tráfego e clima locais.
Shahbazi argumentou que investir em polímeros apenas para atender às demandas ambientais do Território adiciona um custo ambiental ao total da infraestrutura, realidade que incentiva alternativas sustentáveis.
Avaliação de durabilidade dos ligantes reciclados
O estudo analisa a durabilidade de ligantes modificados com borracha granulada, conhecidos como CRMB, que apresentam resistência ao envelhecimento oxidativo, térmico e aos efeitos dos raios UV, ampliando a vida útil potencial do asfalto.
Em contraposição, o desempenho de ligantes modificados com plástico reciclado, chamados RPMB, varia conforme polímero utilizado, dosagem aplicada e condições ambientais, indicando necessidade de novas pesquisas para garantir confiabilidade.
Os danos induzidos por umidade compõem outro ponto crítico, pois o CRMB pode melhorar a adesão entre agregado e ligante devido a interações químicas, embora partículas de borracha não dissolvidas prejudiquem alguns resultados.
O asfalto com plásticos reciclados apresenta comportamento considerado aceitável diante da umidade, mas cientistas investigam como ponto de fusão e estrutura química desses plásticos influenciam a mistura, evitando surpresas na aplicação prática.
Estruturação de economia circular regional
Shahbazi afirmou que a padronização do uso de materiais reciclados pode estimular investimentos em instalações especializadas de reciclagem no Território do Norte, fortalecendo uma economia circular focada em resíduos locais.
Ele destacou em comunicado que ampliar a infraestrutura de reciclagem permitirá aproveitar recursos regionais, reduzindo impactos ambientais e criando soluções economicamente viáveis para estradas expostas a calor intenso.
O relatório anual 2023-2024 da Tire Stewardship Australia registra que 500 mil toneladas de pneus chegam ao fim da vida útil no país a cada ano, dado que reforça o potencial de reaproveitamento desses materiais.
Ao transformar resíduos em insumos para pavimentação, o projeto busca mitigar impactos ambientais e oferecer infraestrutura resiliente às mudanças climáticas, com durabilidade ajustada às exigências do Território do Norte.
A iniciativa reúne a Universidade Charles Darwin e o Departamento de Logística e Infraestrutura do Governo do Território do Norte, parceria que pretende tornar realidade estradas mais sustentáveis e duráveis na região australiana.
O estudo foi publicado no Journal of Traffic and Transportation Engineering, consolidando resultados que podem guiar futuras normas técnicas destinadas ao reaproveitamento de pneus e plásticos na construção viária.
Como informação complementar, pesquisadores mencionam que testes continuam em andamento para aperfeiçoar combinações de materiais reciclados, garantindo desempenho consistente e ampliando o interesse de investidores públicos e privados.
O projeto ainda revisa dados históricos sobre descarte de pneus no país, indicando que o volume acumulado pressiona sistemas de gestão de resíduos e reforça a busca por alternativas, apesar de algum detalhe parecer confuo durante análises preliminares.
As equipes também avaliam impactos econômicos secundários, como redução de transporte de resíduos para outros estados, elemento que pode diminuir custos operacionais e fortalecer a infraestrutura local, mesmo que ocurra variacao sazonal nos resultados.

Os pneus usados têm aproveitamento total, sendo a borracha, fios de aço de sua estrutura e também o tecido de seu interior. A borracha além do asfalto ecológico, tem outras inúmeras aplicações. Os fios de aço estruturais, recicla-se 100%.
A borracha, também, porém nao pode ser revulcanizada.