Pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Bergen, da NASA Goddard e da Universidade de Oxford revela que estruturas giratórias semelhantes a plumas no interior da camada de gelo da Groenlândia são provocadas por convecção térmica, fenômeno que pode reduzir incertezas em modelos de balanço de massa e projeções do nível do mar
Pesquisadores identificaram que as estruturas giratórias semelhantes a plumas, ocultas nas profundezas da camada de gelo da Groenlândia, são provocadas por convecção térmica, segundo estudo da Universidade de Bergen, NASA Goddard e Universidade de Oxford publicado na revista The Cryosphere.
Estruturas giratórias e o mistério nas profundezas do gelo
Durante anos, glaciologistas investigaram estruturas giratórias semelhantes a plumas escondidas na camada de gelo da Groenlândia. As formações foram descritas como grandes estruturas em forma de pluma, localizadas em regiões profundas do manto de gelo.
O novo estudo aponta que essas estruturas giratórias resultam de convecção térmica, processo geralmente associado ao manto terrestre. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Bergen, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA e da Universidade de Oxford.
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et al ., doi: 10.1038/s41467-018-07083-3 / Law
et al ., doi: 10.5194/tc-20-1071-2026.
Convecção térmica dentro da camada de gelo
Segundo o professor Andreas Born, da Universidade de Bergen, a descoberta é surpreendente. Ele afirmou que normalmente o gelo é considerado um material sólido, mas partes da camada de gelo da Groenlândia sofrem convecção térmica, semelhante a uma panela de macarrão fervendo.
O autor principal, Dr. Robert Law, também da Universidade de Bergen, declarou que identificar convecção térmica dentro de uma camada de gelo contraria expectativas. Ele destacou que o gelo é pelo menos um milhão de vezes mais macio que o manto da Terra.
Implicações para modelos e nível do mar
Os pesquisadores informaram que o gelo profundo pode ser cerca de dez vezes mais macio do que se supõe normalmente. Ainda assim, isso não significa necessariamente que ele derreterá mais rapidamente.
O professor Born afirmou que a descoberta pode ser fundamental para reduzir incertezas nos modelos de balanço de massa das calotas polares e na elevação do nível do mar no futuro. Já o Dr. Law ressaltou que mais estudos são necessários para isolar completamente essa questão.
Ele explicou que compreender melhor a física do gelo é essencial para aumentar a certeza sobre o futuro. Contudo, o fato de o gelo ser mais macio não implica automaticamente maior elevação do nível do mar.
Groenlândia, dinamismo planetário e publicação científica
De acordo com o Dr. Law, os resultados não preveem um desastre na Groenlândia ou em qualquer outro lugar, mas evidenciam a complexidade e o dinamismo do planeta. Ele classificou a Groenlândia como verdadeiramente especial.
A camada de gelo da região tem mais de mil anos e é a única na Terra com cultura e população permanente em suas margens. O pesquisador afirmou que, quanto mais se aprende sobre os processos ocultos no gelo, melhor preparados estaremos para mudanças nas zonas costeiras.
Os resultados foram publicados neste mês na revista The Cryosphere, consolidando novas evidências sobre estruturas giratórias e processos de convecção térmica no interior da camada de gelo da Groenlândia, ampliando a compreensão cientifica sobre o comportamento do gelo profundo.
Os resultados aparecem este mês em The Cryosphere.
