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‘Impossível’, diziam os especialistas: USS Nautilus, primeiro submarino nuclear do mundo, navegou 62 mil milhas, passou 4 dias sob o gelo do Polo Norte com 116 homens a bordo e mudou a história naval

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 16/02/2026 às 18:33
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O primeiro submarino nuclear do mundo provou que a tecnologia que parecia ficção científica poderia conquistar o impossível e inaugurou uma nova era na guerra nos oceanos.

Em 21 de janeiro de 1954, diante de uma multidão que incluía a Primeira-Dama Mamie Eisenhower, um submarino diferente de tudo que já havia sido construído deslizou para as águas do rio Thames em Groton, Connecticut. Seu nome: USS Nautilus. Seu segredo: um reator nuclear que permitiria fazer coisas que especialistas juravam ser impossíveis. “Submarinos nucleares são pura fantasia”, diziam engenheiros navais conservadores. “Jamais funcionarão de forma confiável”, previam os céticos. “O risco de radiação é grande demais”, alertavam os críticos.

Quatro anos depois, em 3 de agosto de 1958, às 23h15 (horário do leste dos EUA), o Comandante William Anderson anunciou calmamente pelo sistema de som do Nautilus: “Para o mundo, nosso país e a Marinha — o Polo Norte.

Com 116 homens a bordo, o Nautilus havia conquistado o impossível: tornar-se o primeiro navio da história a cruzar sob o Polo Norte geográfico, 90 graus Norte, completamente submerso sob uma camada de gelo que variava entre 3 e 15 metros de espessura.

Nos seus primeiros dois anos de operação, o Nautilus navegou 62 mil milhas náuticas (cerca de 115 mil quilômetros) sem precisar reabastecer uma única vez. Fazia jus ao nome, igualando a distância das míticas 20 mil léguas submarinas do romance de Júlio Verne. A história do USS Nautilus não é apenas sobre um submarino revolucionário. É sobre como uma tecnologia que parecia ficção científica mudou para sempre o equilíbrio de poder nos oceanos do mundo e inaugurou a era da guerra submarina moderna.

A corrida contra o tempo e os soviéticos

A década de 1950 foi um período de rápidos avanços tecnológicos e crescentes tensões diplomáticas. A Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética intensificava-se a cada dia. Através da tecnologia, ambas as superpotências tentavam superar uma à outra, evitando ao mesmo tempo uma guerra aberta e direta.

Em outubro de 1957, os soviéticos chocaram o mundo ao colocar o Sputnik 1 em órbita, o primeiro satélite artificial da história. O público americano ficou alarmado. Se os russos podiam enviar satélites ao espaço, significava que tinham foguetes capazes de lançar mísseis nucleares em território americano.

O Presidente Eisenhower sentiu a necessidade urgente de mostrar ao povo americano e ao mundo que os Estados Unidos não eram apenas tão tecnologicamente avançados quanto os soviéticos, mas superiores. A capacidade da Marinha de se destacar no desenvolvimento de submarinos era exatamente o que ele precisava para demonstrar a supremacia tecnológica americana.

Foi nesse contexto que nasceu a Operation Sunshine, o plano secreto para fazer o Nautilus conquistar o Polo Norte submerso.

O ‘pai da Marinha Nuclear’ e seu sonho impossível

O homem por trás dessa revolução era um personagem controverso e obstinado: o Almirante Hyman G. Rickover, conhecido como o “Pai da Marinha Nuclear”. Engenheiro brilhante mas de personalidade difícil, Rickover acreditava apaixonadamente que a propulsão nuclear transformaria completamente a guerra submarina.

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Submarinos convencionais da época dependiam de motores diesel para navegação de superfície e baterias elétricas para operação submersa. Isso significava que precisavam emergir regularmente — geralmente a cada 48 horas — para recarregar as baterias e renovar o ar. Eram, na prática, “navios que podiam mergulhar” e não verdadeiros submarinos.

Um reator nuclear mudaria tudo. Ele não consome oxigênio, não produz emissões e pode operar por meses ou até anos sem reabastecimento. Um submarino nuclear seria um verdadeiro habitante das profundezas — capaz de permanecer submerso por tempo limitado apenas pela necessidade de alimentos para a tripulação.

Mas havia enormes desafios técnicos. Como compactar um reator nuclear em um espaço limitado? Como proteger a tripulação da radiação? Como fazer o sistema funcionar de forma confiável sob água, onde qualquer vazamento poderia ser fatal?

Em março de 1953, um protótipo chamado Mark I completou com sucesso uma viagem simulada de 96 horas — um recorde extraordinário para a época. Isso abriu caminho para o Mark II, o modelo final que seria instalado no Nautilus.

O reator foi projetado para operar usando urânio enriquecido, com alta concentração do isótopo urânio-235 para compactá-lo e obter vida útil mais longa. Como o urânio enriquecido é uma substância altamente controlada, tornava mais fácil gerar eletricidade por longos períodos, possibilitando melhor navegabilidade.

A construção de um sonho

A quilha do Nautilus foi lançada em 14 de junho de 1952 na Electric Boat Division da General Dynamics, em Groton, Connecticut, a mesma empresa que vendeu o primeiro submarino à Marinha dos EUA em 1900. O presidente Harry S. Truman estava presente na cerimônia.

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O projeto foi autorizado pelo Congresso em julho de 1951 como SCB 64. O nome “Nautilus” foi escolhido em homenagem tanto ao submarino fictício de Júlio Verne em “Vinte Mil Léguas Submarinas” quanto ao USS Nautilus (SS-168) que serviu com distinção na Segunda Guerra Mundial.

Os projetistas se inspiraram no design hidrodinâmico avançado do U-boat alemão Tipo XXI desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial. O Tipo XXI apresentava formato aerodinâmico que permitia maior velocidade e eficiência submarina em comparação com projetos anteriores otimizados principalmente para viagem de superfície.

O Nautilus tinha 98 metros (320 pés) de comprimento e 8,2 metros de largura máxima. Seu deslocamento de superfície era de cerca de 3.530 toneladas. A tripulação consistia em cerca de 13 oficiais e 92 subalternos. O submarino foi projetado para operar em profundidades superiores a 100 metros e estava armado com 6 tubos de torpedos.

Em 30 de dezembro de 1954, o reator Mark II tornou-se operacional dentro do submarino. Menos de um mês depois, em 21 de janeiro de 1954 (data do lançamento oficial), a Primeira-Dama Mamie Eisenhower quebrou a tradicional garrafa de champanhe na proa.

Em 30 de setembro de 1954, o Nautilus foi oficialmente comissionado como o primeiro navio movido a energia nuclear da Marinha dos EUA. Seu número de casco: SSN-571.

Os primeiros recordes: fazendo jus a Júlio Verne

O Nautilus rapidamente começou a quebrar recordes. Em seus primeiros testes, demonstrou capacidades que pareciam saídas da ficção científica.

Submarinos diesel-elétricos da época podiam permanecer submersos por cerca de 48 horas antes de precisarem emergir para recarregar baterias. O Nautilus podia ficar submerso por semanas. Submarinos convencionais tinham velocidade submarina de 8-10 nós. O Nautilus atingia mais de 20 nós (cerca de 37 km/h) — e podia manter essa velocidade indefinidamente.

Em 4 de fevereiro de 1957, o Nautilus registrou sua 60.000ª milha náutica (110.000 km), igualando a resistência do Nautilus fictício descrito no romance de Júlio Verne “Vinte Mil Léguas Submarinas”. Havia levado apenas dois anos para percorrer essa distância épica — tudo sem reabastecer o reator uma única vez.

Em maio de 1957, o Nautilus partiu para a Costa do Pacífico para participar de exercícios costeiros e da operação “Home Run”, que familiarizou unidades da Frota do Pacífico com as capacidades dos submarinos nucleares. A Marinha estava aprendendo rapidamente que tinha em mãos uma arma revolucionária.

Em agosto de 1957, o Nautilus realizou sua primeira viagem de 1.200 milhas náuticas sob o gelo polar — um teste preliminar para a missão que mudaria a história.

O desafio “impossível”: conquistar o Polo Norte

Não bastava que os Estados Unidos tivessem construído um submarino nuclear. O Nautilus precisava ser testado para mostrar o quão mais avançada a tecnologia era em comparação com qualquer coisa que os soviéticos possuíssem.

Várias ideias foram discutidas, incluindo fazer o Nautilus e o USS Skate (SSN-578) completarem uma volta submersa ao redor da Terra. Até que o Comandante William Anderson, capitão do Nautilus, sugeriu algo que nunca havia sido considerado: uma travessia submersa sob o Polo Norte.

A ideia parecia loucura. Nenhum navio na história havia conseguido alcançar o Polo Norte devido à profundidade e espessura do gelo na região. As águas eram rasas em muitas áreas — havia risco real de que o submarino ficasse preso entre o fundo do oceano e a camada de gelo acima.

Além disso, a navegação seria extremamente difícil. Tanto as bússolas magnéticas quanto os giroscópios normais se tornam imprecisos acima de 85° Norte. O norte magnético não está exatamente no Polo Norte, mas ao sul dele — então bússolas magnéticas apontam em direção quase oposta ao norte verdadeiro naquelas latitudes.

Sem GPS (que ainda não existia), sem possibilidade de usar rádio ou navegação astronômica enquanto submerso, e com instrumentos de navegação não confiáveis, como encontrar o caminho através de milhares de quilômetros de oceano coberto de gelo na escuridão absoluta?

“Impossível”, disseram os especialistas. “Suicida”, alertaram os pessimistas.

Mas Anderson e sua tripulação estavam determinados a tentar.

A primeira tentativa: o gelo vence

Em 19 de agosto de 1957, o Nautilus partiu de Groton, Connecticut, em sua primeira tentativa de navegar sob o Polo. A missão era secreta, a tripulação tinha ordens de alcançar 83° Norte.

Mas um acidente ao emergir entre o gelo danificou os periscópios, forçando o submarino a retornar à base. O gelo havia provado ser um oponente poderoso. A tentativa fracassou.

Apenas dois meses depois, em outubro de 1957, a União Soviética colocou o Sputnik em órbita. A pressão sobre os americanos para demonstrar superioridade tecnológica aumentou dramaticamente.

Seria necessário tentar novamente no verão seguinte, quando as condições de gelo fossem potencialmente melhores.

Operation Sunshine: a missão que mudaria a história

Em 25 de abril de 1958, o Nautilus partiu novamente em direção à Costa Oeste sob o comando de William Anderson. Parou em San Diego, San Francisco e Seattle. Em 9 de junho, deixou Seattle e começou sua jornada histórica sob o codinome “Operation Sunshine”, um nome apropriado para uma expedição que operaria durante 24 horas de luz solar do verão ártico.

Em 19 de junho, o Nautilus entrou no Mar de Chukchi, mas foi forçado a recuar devido ao gelo profundo nas águas relativamente rasas. O gelo se estendia até 18 metros abaixo do nível do mar. Em muitos lugares, não havia espaço suficiente entre o gelo e o fundo marinho.

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Em 28 de junho, chegou a Pearl Harbor para aguardar melhores condições de gelo. A frustração era enorme, mas a missão era importante demais para ser abandonada.

Finalmente, em 23 de julho de 1958, as condições pareciam favoráveis. O Nautilus partiu de Pearl Harbor rumo ao norte em direção ao Estreito de Bering. Desta vez, esperava-se que os níveis de gelo no Ártico estivessem em seu ponto mais baixo, facilitando a navegação.

A bordo estavam 116 homens, incluindo quatro cientistas especialmente escolhidos para esta viagem. O cientista-chefe e piloto de gelo era o Dr. Waldo Lyon do Naval Electronics Laboratory. Um giroscópio especial construído pela Sperry Rand foi instalado pouco antes da jornada.

Sob o gelo: quatro dias na escuridão

Em 1° de agosto, o Nautilus submergiuem Point Barrow, Alaska — o ponto mais ao norte dos Estados Unidos — a uma profundidade de 150 metros. À frente deles: mais de 1.800 milhas náuticas (2.940 km) de oceano Ártico coberto por uma camada de gelo sólido.

A tripulação fotografou a área e procurou pelo vale marinho no fundo do oceano que permitiria uma viagem suave. Então, silenciosamente, desapareceram sob o gelo.

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Durante quatro dias, o Nautilus navegou através das águas gélidas do Ártico sem contato com o mundo exterior. Não havia rádio funcionando. Não havia GPS. As bússolas magnéticas eram inúteis. O giroscópio especial era sua única esperança de navegação precisa — e mesmo este se tornava cada vez mais impreciso à medida que se aproximavam do Polo.

O Comandante Anderson havia considerado usar torpedos para explodir um buraco no gelo caso o submarino precisasse emergir em emergência. Era literalmente uma aposta de “roleta de longitude” — havia risco real de que o submarino ficasse desorientado sob o gelo.

A tensão era palpável. O submarino navegava através de uma camada de gelo que variava entre 3 e 15 metros de espessura. Um erro de navegação, uma falha mecânica, qualquer problema poderia ser fatal.

“Nautilus 90 North”

Às 23h15 (horário do leste) de 3 de agosto de 1958, o momento histórico chegou. O Comandante Anderson anunciou calmamente pelo sistema de som: “Para o mundo, nosso país e a Marinha — o Polo Norte.”

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O USS Nautilus havia se tornado o primeiro navio da história a cruzar sob o Polo Norte geográfico — 90 graus Norte. A tripulação não pausou para celebrar. Simplesmente continuou navegando.

Anderson não notificou Washington até 36 horas depois, quando emergiram no Mar da Groenlândia, a nordeste da Groenlândia. A mensagem enviada ao Presidente Eisenhower foi breve e direta: “Nautilus 90 North.”

O submarino havia percorrido 1.830 milhas (2.940 km) em 96 horas completamente submerso sob o gelo polar. Havia atingido velocidades de até 25 nós durante partes da jornada — algo que nenhum submarino convencional jamais poderia fazer enquanto submerso.

A Operation Sunshine foi um sucesso total. O impossível havia sido conquistado.

O herói volta para casa

Em 7 de agosto, Anderson foi transportado de avião da Islândia de volta aos Estados Unidos para se encontrar com o Presidente Eisenhower. O comandante recebeu a Legião do Mérito, e o Nautilus recebeu uma Citação Presidencial de Unidade, a primeira já concedida em tempos de paz.

Uma vez que Anderson retornou à tripulação, o USS Nautilus começou sua jornada de volta para New London, Connecticut. Entrou no porto de Nova York com uma recepção de herói e um desfile espetacular.

Barcos de bombeiros borrifaram enormes jatos de água como boas-vindas. Uma escolta de 25 navios acompanhou o Nautilus. Horns e apitos soaram. Multidões se reuniram nas margens para ver o submarino que havia conquistado o impossível.

Em 27 de agosto, a tripulação desfilou pela Lower Broadway em Manhattan diante de uma multidão estimada em centenas de milhares de pessoas. Atores e celebridades visitaram o submarino. O Nautilus e sua tripulação se tornaram símbolos instantâneos da superioridade tecnológica americana.

O impacto geopolítico: mudando o equilíbrio de poder

O sucesso da Operation Sunshine teve implicações profundas que iam muito além de um simples recorde de navegação.

Primeiro, foi uma resposta poderosa ao sucesso soviético do Sputnik. Demonstrou que os Estados Unidos não apenas possuíam tecnologia nuclear avançada, mas podiam aplicá-la de formas que a União Soviética ainda não conseguia. Os soviéticos não possuíam um submarino de propulsão nuclear próprio na época.

Segundo, abriu a possibilidade de uma nova rota comercial — uma Passagem do Noroeste entre os principais oceanos do mundo. Submarinos de carga movidos a energia nuclear poderiam, no futuro, usar essa rota para vantagem do comércio mundial.

Terceiro, e mais importante estrategicamente, demonstrou que submarinos nucleares poderiam operar em qualquer parte dos oceanos do mundo, incluindo sob as calotas polares onde submarinos convencionais jamais poderiam ir. Isso mudou completamente o cálculo estratégico da Guerra Fria.

Submarinos nucleares armados com mísseis balísticos poderiam agora esconder-se sob o Ártico, invulneráveis à detecção, prontos para lançar um contra-ataque nuclear mesmo se o território americano fosse completamente destruído. Essa capacidade de “segunda retaliação” tornou-se um pilar fundamental da estratégia de dissuasão nuclear.

O Ártico, que havia sido uma região de pouca importância estratégica, tornou-se subitamente um campo de batalha potencial da Guerra Fria. Submarinos nucleares americanos e soviéticos passariam as próximas décadas jogando um jogo mortal de gato e rato sob o gelo polar.

O impacto na tecnologia submarina moderna

O Nautilus estabeleceu muitos padrões para futuros submarinos nucleares. Seu design incluía proteção extensiva contra possível contaminação por radiação e energia auxiliar diesel-elétrica como backup — características que se tornariam padrão em todos os submarinos nucleares subsequentes.

A tecnologia desenvolvida para o Nautilus, incluindo o sistema de navegação inercial N6A-1 da North American Aviation, pavimentou o caminho para os sistemas avançados usados em submarinos modernos.

Hoje, existem 130 submarinos nucleares no mundo, operados por apenas seis países: Estados Unidos (66 unidades, mais do que o dobro do número russo), Rússia, Reino Unido, França, China e Índia. Todos são descendentes diretos ou indiretos da tecnologia pioneira desenvolvida para o USS Nautilus.

A rota aberta pelo Nautilus em 1958 através do Polo Norte é um caminho que submarinos nucleares modernos frequentam regularmente, escondidos em silêncio sob o gelo ártico. O que parecia impossível em 1954 é rotina hoje.

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Francisco Rondinelli
Francisco Rondinelli
22/02/2026 21:19

Mas o que pouca gente sabe é que há a impressão digital de um brasileiro no USS Nautilus.
À época do desenvolvimento do projeto os USA precisavam de um composto muito especial para a fabricação do combustível para o reator nuclear do submarino.
Era o óxido de európio, não somente pelo material em si, mas também pelo grau de pureza e pela quantidade, eram necessários 30 kg desse composto para a fabricação da primeira carga do núcleo do reator.
Nenhum laboratório do mundo tinha capacidade para produzir essa quantidade na pureza exigida pelo projeto.
Depois de algumas consultas aos melhores laboratórios reconhecidos na época apenas um respondeu positivamente.
Foi o laboratório da empresa Orquima, de São Paulo, chefiado pelo professor Alcídio Abraão, brasileiro, e que produziu e forneceu os 30 Kg necessários para a Marinha dos USA.
O Professor Alcídio Abraão veio a desenvolver, mais tarde, toda a tecnologia nacional para a produção dos compostos de urânio utilizados na fabricação dos elementos combustíveis de nossa usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2.
E mais, desenvolveu também várias várias abordagens laboratoriais para o beneficiamento de terras raras, hoje tão em voga nas discussões que abordam o tema da transição energética.
O Professor Alcídio Abraão é um desses heróis anônimos brasileiros que tanto contribuíram para o desenvolvimento tecnológico do País.

ADIR FAGUNDES
ADIR FAGUNDES
18/02/2026 21:20

Ótimo Artigo!!! Os desafios vencidos e Engenharia em busca do chamado desenvolvimento!

Alain Gonçalves de Almeida
Alain Gonçalves de Almeida
18/02/2026 14:54

Foi impressionante até para os padrões de hoje, quem dirá para aquela época!

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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