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Pesquisadores descobrem que quanto mais gelo derrete na Antártida, mais a água quente consegue chegar à base das plataformas e derreter ainda mais, cientista diz que ponto de inflexão climático pode chegar mais cedo do que os modelos atuais preveem

Publicado em 16/05/2026 às 12:54
Atualizado em 16/05/2026 às 12:58
Pesquisadores da Universidade de Maryland descobriram que o derretimento na Antártida enfraquece a barreira fria oceânica e permite que água quente derreta ainda mais gelo por baixo. O ciclo pode antecipar o ponto de inflexão climático e afetar 680 milhões de pessoas.
Pesquisadores da Universidade de Maryland descobriram que o derretimento na Antártida enfraquece a barreira fria oceânica e permite que água quente derreta ainda mais gelo por baixo. O ciclo pode antecipar o ponto de inflexão climático e afetar 680 milhões de pessoas.
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Pesquisadores da Universidade de Maryland descobriram que o derretimento das plataformas de gelo na Antártida cria um ciclo de retroalimentação que acelera o próprio derretimento: a água doce do degelo enfraquece a barreira fria no fundo do oceano e permite que correntes quentes alcancem a base do gelo. O estudo, publicado na revista Nature Geoscience pela cientista Madeleine Youngs, sugere que os alertas sobre elevação do nível do mar podem ser conservadores.

Quem conduziu a pesquisa foi Madeleine Youngs, da Universidade de Maryland, com resultados publicados na Nature Geoscience, nesta semana, com repercussão imediata na comunidade científica que estuda as mudanças climáticas na Antártida. Como o ciclo funciona: a água fria e densa que normalmente afunda e forma uma barreira protetora no fundo do oceano é diluída pela água doce do degelo, que é mais leve e enfraquece essa barreira; com a proteção rompida, correntes profundas e mais quentes alcançam a base das plataformas de gelo e as derretem por baixo. Isso importa porque os modelos atuais do IPCC tratam o derretimento como fator fixo e ignoram esse ciclo de retroalimentação, o que pode significar que as projeções de elevação do nível do mar estão subestimadas e que o ponto de inflexão climático pode chegar mais cedo do que se imaginava.

Youngs foi direta ao explicar as implicações: “É um ciclo de retroalimentação positiva, onde mais derretimento leva a água mais quente chegando ao gelo, o que causa ainda mais derretimento. Se continuarmos agindo como de costume, é bem possível que alcancemos o ponto de inflexão climático mais cedo do que imaginamos.” O IPCC estima que, em cenários de altas emissões, o derretimento antártico pode contribuir com 28 a 34 centímetros adicionais de elevação do nível do mar até 2100, mas qualquer aceleração expandiria o alcance de tempestades e inundações permanentes em cidades costeiras de Miami a Mumbai, afetando mais de 680 milhões de pessoas em zonas baixas.

A barreira fria que protegia o gelo da Antártida

O mecanismo descoberto pelos pesquisadores começa com um processo natural que funciona como escudo protetor. Normalmente, a água fria e densa ao redor da Antártida afunda até o fundo do oceano e forma uma camada que impede as correntes profundas mais quentes de atingirem a base das plataformas de gelo. Essa barreira fria é o que mantém as plataformas estáveis: enquanto ela existir, o gelo é derretido apenas pela superfície, em ritmo que os modelos climáticos conseguem prever com razoável precisão.

O problema surge quando o próprio derretimento começa a destruir essa proteção natural. A água que resulta do degelo das plataformas é doce e mais leve que a água salgada do oceano. Quando essa água doce entra no mar, ela dilui a camada fria e densa que forma a barreira protetora. Com a barreira enfraquecida, correntes quentes que antes ficavam confinadas nas profundezas conseguem subir e alcançar a base do gelo. Mais gelo derrete, mais água doce é liberada, mais a barreira enfraquece e mais água quente chega. O ciclo se autoalimenta.

O ciclo que os modelos do IPCC não calculam

A descoberta publicada na Nature Geoscience tem implicações diretas sobre a confiabilidade das projeções climáticas atuais. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) trata o derretimento das plataformas de gelo da Antártida como um fator fixo em suas simulações, não como um processo interativo que altera o próprio ambiente oceânico ao seu redor. Em outras palavras, os modelos assumem que o ritmo de derretimento é constante e previsível, quando na realidade ele se acelera à medida que a barreira protetora é destruída.

Youngs argumenta que essa omissão pode levar a subestimativas significativas sobre a elevação do nível do mar. Se o ciclo de retroalimentação for incorporado aos modelos, as projeções de 28 a 34 centímetros adicionais até 2100 podem ser apenas o cenário otimista. Qualquer centímetro a mais de elevação do nível do mar se traduz em extensões maiores de inundação costeira, alcance maior de tempestades e pressão permanente sobre infraestruturas de cidades que já enfrentam problemas com marés excepcionais.

Mar de Weddell: onde o ciclo acelera perigosamente

O estudo revela que o efeito do ciclo de retroalimentação varia conforme a região da Antártida. No Mar de Weddell, o processo se amplifica de forma preocupante: o derretimento das plataformas a montante erode a barreira fria e abre caminho para que água quente avance continuamente, acelerando o derretimento numa espiral que se intensifica a cada temporada. Nessa região, a retroalimentação é positiva no sentido científico do termo, ou seja, cada etapa do ciclo reforça a seguinte.

O Mar de Weddell é uma das maiores bacias oceânicas ao redor da Antártida e abriga plataformas de gelo cuja estabilidade é crucial para o equilíbrio do continente gelado. Se a barreira fria nessa região continuar sendo erodida pelo degelo, o volume de gelo exposto a correntes quentes aumenta progressivamente, liberando quantidades cada vez maiores de água doce no oceano e elevando o nível do mar em ritmo que os modelos atuais não capturam.

A Geleira do Apocalipse e a proteção temporária

Nem todas as regiões da Antártida seguem o mesmo padrão do Mar de Weddell. Na Península Antártica Ocidental e no Mar de Amundsen, onde fica a chamada “Geleira do Apocalipse” (Thwaites), o estudo identificou um ciclo oposto: a água do degelo que flui de áreas mais altas forma uma barreira fria que protege temporariamente o gelo das correntes quentes. Nessas regiões, a retroalimentação é negativa, ou seja, o derretimento de uma área cria proteção para a área vizinha.

Youngs reconhece que essa descoberta contraria a percepção dominante sobre a Thwaites, geralmente considerada a geleira mais vulnerável do planeta. “Nosso estudo sugere que essas regiões estão, na verdade, mais protegidas do que pensávamos a curto prazo, devido a esse ciclo de retroalimentação negativa”, explicou. No entanto, a cientista fez uma ressalva fundamental: “Essa proteção depende de um derretimento maciço a montante, e esse derretimento a montante tem suas próprias consequências graves para o nível do mar.” A proteção da Thwaites existe porque o gelo ao redor já está derretendo em volume suficiente para criar a barreira. É uma proteção alimentada pela destruição.

680 milhões de pessoas em zonas de risco

As implicações práticas da descoberta sobre a Antártida ultrapassam a comunidade científica e chegam diretamente às cidades costeiras do mundo inteiro. O IPCC estima que mais de 680 milhões de pessoas vivem em zonas costeiras baixas, e qualquer aceleração na elevação do nível do mar expande o alcance de inundações permanentes e tempestades que já ameaçam cidades como Miami, Mumbai, Jacarta, Xangai e dezenas de capitais litorâneas. Os 28 a 34 centímetros projetados até 2100 são suficientes para redesenhar mapas de risco em todo o planeta.

Se o ciclo de retroalimentação identificado por Youngs for confirmado por simulações de alta resolução, as projeções podem subir significativamente. A equipe da Universidade de Maryland já desenvolve modelos que incorporam os ciclos da água de degelo, com foco em identificar quais plataformas de gelo estão mais próximas do ponto de não retorno. “O próximo passo é entender exatamente quando e onde as coisas mudam, e o que isso significa para todos nós”, concluiu a cientista.

Um ciclo que se alimenta da própria destruição

Pesquisadores da Universidade de Maryland descobriram que o derretimento na Antártida enfraquece a barreira fria oceânica e permite que água quente derreta ainda mais gelo por baixo, num ciclo que os modelos do IPCC não calculam. Se essa retroalimentação for incorporada às projeções, as estimativas de elevação do nível do mar podem ser revisadas para cima, e o ponto de inflexão climático pode chegar mais cedo do que se pensava. Mais de 680 milhões de pessoas em zonas costeiras baixas seriam diretamente afetadas.

O que você acha dessa descoberta sobre o derretimento na Antártida? Conte nos comentários se acredita que os modelos climáticos atuais são confiáveis, como avalia o risco para cidades litorâneas brasileiras e se essa notícia muda a forma como você pensa sobre as mudanças climáticas. Queremos ouvir a sua opinião.

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José Cláudio Bruno
José Cláudio Bruno
23/05/2026 17:10

Não cresce porque os empresários das indústrias menores estão ainda na idade da pedra, querendo a propriedade da indústria para si e para sua família, em vez de transformá-la logo numa Sociedade Anônima e, qto contínuo, ABRIR O CAPITAL, vendendo parte substancial das ações em Underwritings da Bolsa de Valores, DEMOCRATIZANDO assim o Capital e mantendo para si e sua família um percentual mínimo da propriedade de ações Ordinárias, e suficiente para lhe garantir o COMANDO do negócio, até então, bem sucedido. Isso é o Capitalismo que eu aprendi e acredito. O resto, é uma combinação de empresários medíocres, que acreditam no “blend” de sonegação com elisão fiscal para crescerem à margem da Lei e com eterno risco de, um dia, se deparar com uma fiscalizacão das mais básicas, que é a verificação de sinais exteriores de riquesa comparada com o efetivo e proporcional pagamento de impostos. Abram o olho, porque, a matéria “Sinais Exteriores de Riqueza” é uma das primeiras aulas que os Concursados que passam no Concurso da Receita Federal têm na Escola Fazendária e, portanto, estão tecnicamente habilitados para enquadar na Lei os sonegadores contumazes que não têm como justificar tais acréscimos patrimoniais ilícitos, enquanto cobram e retêm rigorosamente nas folhas de pagamentos os impostos de seus empregados trabalhadores, únicos que pagam seus impostos corretamente. Pronto! Falei!

Tarcizio João sacutti
Tarcizio João sacutti
23/05/2026 06:40

Sim conta muito.eu estou como os cientistas .. mórbido pálido assombrado com tamanha ANESTESIA COLETIVA MUNDIAL…falar que são só o Brasileiros que estão mortos …seria o Terceiro mundo… más e o primeiro mundo … TAMBÉM NÃO TOMA STITUDE…CADE OS UNIVERSITÁRIOS…OS JOVENS ERAM SINÔNIMOS DE REVOLUÇÃO MUDANÇA ATITUDE…SOCORRO…..

Paulinho Shilika
Paulinho Shilika
21/05/2026 18:28

Isso que eu chamo de alarmismo puro. Se a a Antártida teve um aumento de milhões de toneladas de gelo e agora vem com essa desinformação. Falar da transição planetária que interessa a todos no planeta isso eles não aceitam porque são manipulados pela Matrix.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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