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Uma startup espanhola criou a bateria de estado sólido mais densa da Europa — 402 Wh por quilograma

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 29/06/2026 às 17:57 Atualizado em 29/06/2026 às 17:59
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A Basquevolt, uma startup de bateria de estado sólido nascida no País Basco espanhol, anunciou que sua célula mais recente atingiu densidade energética de 402 watt-hora por quilograma — um número que supera qualquer bateria de lítio-íon convencional disponível comercialmente hoje e que representa o recorde europeu em densidade energética para baterias de estado sólido em célula completa, não apenas em componente individual de laboratório.

O que é uma bateria de estado sólido e por que 402 Wh/kg importa

Toda bateria convencional de lítio-íon tem um eletrólito líquido — um solvente orgânico que permite que os íons de lítio se movam entre o ânodo e o cátodo durante a carga e descarga. Esse eletrólito líquido é ao mesmo tempo o que permite o funcionamento da bateria e seu maior ponto fraco: é inflamável, degrada com o tempo e limita a temperatura de operação.

Baterias de estado sólido substituem esse eletrólito líquido por um sólido — cerâmica, polímero ou vidro. O resultado teórico é uma bateria mais segura, mais densa energeticamente, com vida útil muito mais longa e capaz de operar em faixas de temperatura maiores.

O número 402 Wh/kg é o que os engenheiros chamam de densidade energética gravimétrica — energia por unidade de peso. Para referência: as melhores baterias de lítio-íon convencional para veículos elétricos — as células cilíndricas 4680 da Tesla — chegam a cerca de 280-300 Wh/kg. A Basquevolt está 30-40% acima disso numa célula de formato bolsa que pode ser empilhada em módulos de bateria.

Por que a Espanha e por que o País Basco

A Basquevolt foi fundada em Vitoria-Gasteiz em 2021, apoiada pelo governo basco e pelo CIC Energigune — Centro de Investigação Cooperativa de Energias, que é um dos principais centros de pesquisa de materiais de bateria da Europa. O País Basco tem uma tradição industrial metalúrgica e de materiais avançados que data do século XIX, quando a siderurgia basca alimentava a industrialização espanhola.

Essa infraestrutura de materiais — fornos especializados, equipamentos de processamento cerâmico, expertise em ligas metálicas — é essencial para a fabricação de baterias de estado sólido. O eletrólito sólido cerâmico da Basquevolt usa óxido de lítio e lantânio e zircônio — LLZO — que precisa ser processado a temperaturas acima de 1.100 graus Celsius com controle de atmosfera preciso.

A startup pretende ter uma linha-piloto de produção em escala semi-industrial funcionando em 2026, com capacidade de 100 megawatt-hora anuais — suficiente para equipar alguns milhares de veículos elétricos.

O que ainda falta resolver antes de chegar ao carro elétrico

A honestidade impõe admitir que existe um abismo entre atingir 402 Wh/kg num laboratório e produzir baterias de estado sólido em escala de gigafactory. O problema central é o custo: hoje, uma célula de estado sólido de alta performance custa entre vinte e cinquenta vezes mais por unidade de energia do que uma célula convencional de lítio-íon.

O segundo problema é a interface. Baterias de estado sólido têm uma resistência de contato na junção entre o eletrólito sólido e o ânodo/cátodo que gera calor e degrada a célula ao longo do tempo. A Basquevolt usa ânodo de lítio metálico — que tem a maior capacidade de todos os ânodos possíveis, mas é o mais difícil de trabalhar porque o lítio metálico é extremamente reativo.

O terceiro problema é a ciclagem: a célula precisa sobreviver a centenas de ciclos de carga/descarga mantendo mais de 80% da capacidade original. Resultados de 402 Wh/kg com boa retenção de capacidade após 500 ciclos seriam um marco muito significativo.

Quem está competindo e o que o Brasil tem a ver com isso

A corrida pelo estado sólido tem múltiplos concorrentes: a japonesa Toyota e a Panasonic trabalham juntas num desenvolvimento que promete células de estado sólido para veículos em 2027-2028. A chinesa CATL anunciou células semi-sólidas já disponíveis. A americana Solid Power tem parceria com BMW e Ford. A sul-coreana Samsung SDI tem projetos avançados. A Basquevolt entra como o competidor europeu mais promissor numa corrida que vai determinar quem domina a segunda geração de veículos elétricos.

Para o Brasil, a correlação direta é o lítio. Baterias de estado sólido usam mais lítio por unidade de energia do que as convencionais — o ânodo de lítio metálico é quase puro lítio. O Brasil tem a quinta maior reserva de lítio do mundo e ainda produz quase nada em escala industrial. Se o estado sólido vencer a corrida e a demanda por lítio disparar, o Brasil vai querer estar dentro da cadeia de valor — não apenas exportando minério bruto.

Leia também: a primeira fábrica de baterias lítio-enxofre do mundo | os data centers de IA que já contrataram reatores nucleares.

Você acha que as baterias de estado sólido vão chegar ao mercado de veículos elétricos em escala antes de 2030, ou ainda tem muitos obstáculos técnicos e de custo pela frente? Comenta aqui.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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