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Com impacto de até US$ 2,9 bilhões, Air Products abandona megaprojeto ambicioso de hidrogênio limpo na Louisiana, corta unidade no Arizona e expõe a conta pesada da transição energética nos Estados Unidos

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 05/07/2026 às 20:00 Atualizado em 05/07/2026 às 20:02
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A decisão da Air Products freia um dos projetos mais ambiciosos de hidrogênio limpo nos Estados Unidos e vem acompanhada de encerramentos, amortizações e revisão de contratos no portfólio da empresa.

A Air Products anunciou em 30 de junho de 2026 que não seguirá adiante com o Louisiana Clean Energy Complex, conhecido pela sigla LCEC, um projeto de energia limpa na Louisiana que estava no radar do mercado de hidrogênio limpo.

A informação consta em comunicado divulgado pela própria companhia e anexado ao Form 8-K enviado à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos. No documento, a Air Products afirma que a saída do LCEC e outras ações no portfólio devem gerar encargos antes de impostos de até US$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2026.

A mudança atinge diretamente a estratégia da companhia para o setor e expõe a dificuldade de transformar grandes apostas em retorno financeiro. Além do cancelamento do projeto na Louisiana, o mesmo comunicado corporativo informa que a empresa também vai descontinuar uma unidade de hidrogênio líquido com emissões zero em Casa Grande, no Arizona, e outros projetos menores ligados à distribuição de energia limpa.

De acordo com a Air Products, a decisão de não avançar com o LCEC foi baseada na conclusão de que os retornos financeiros esperados não atenderiam aos critérios rígidos de rentabilidade da companhia.

Projeto bilionário perde força antes de sair do papel

O Louisiana Clean Energy Complex era uma das apostas mais ambiciosas da Air Products no campo do hidrogênio e da amônia de baixo carbono. No comunicado de 30 de junho de 2026, a companhia afirma que a revisão detalhada do projeto indicou retorno financeiro insuficiente para justificar sua continuidade.

Na prática, isso significa a reversão de compromissos ligados ao empreendimento e a necessidade de amortizar ativos e encerrar contratos já assumidos. A Air Products informou no documento enviado à SEC que os encargos antes de impostos não devem ultrapassar US$ 2,9 bilhões, o equivalente a aproximadamente US$ 2,2 bilhões após impostos.

A empresa também registrou no mesmo comunicado que os desembolsos de caixa relacionados a esses encargos não devem passar de US$ 925 milhões. Mesmo assim, a cifra mostra o tamanho da revisão feita em um portfólio que vinha sendo observado de perto pelo mercado de energia limpa.

Arizona também entra no corte de projetos

O movimento anunciado em 30 de junho de 2026 não ficou restrito à Louisiana. A própria Air Products informou no comunicado oficial que vai descontinuar uma unidade de hidrogênio líquido com emissões zero em Casa Grande, no Arizona, além de outras iniciativas de menor escala voltadas à distribuição de energia limpa.

A companhia atribuiu essas saídas a condições comerciais desafiadoras, fatores econômicos específicos de cada projeto e avanço mais lento do que o previsto em alguns mercados, principalmente no segmento de hidrogênio para mobilidade.

Esse ponto ajuda a explicar por que a decisão teve impacto além de um único empreendimento. A companhia não está apenas cancelando uma obra isolada, mas revendo uma parte da sua exposição a projetos de energia limpa que dependiam de demanda mais rápida e de contratos capazes de sustentar investimentos bilionários.

Air Products tenta preservar força no hidrogênio industrial

Mesmo com os cortes, a Air Products declarou no comunicado enviado ao mercado que continua comprometida com crescimento rentável na Louisiana. A empresa informou que opera 18 instalações de gases industriais no estado e mantém a maior rede de gasodutos de hidrogênio do mundo, usada para atender clientes de refinarias na Costa do Golfo dos Estados Unidos.

Esse detalhe mostra que a retirada do projeto não representa uma saída completa da região. A companhia afirmou que pretende realocar parte dos ativos para projetos existentes ou futuros e reduzir a exposição de contratos que permanecem em aberto.

A mensagem ao mercado é que a empresa quer separar projetos considerados pouco rentáveis de operações industriais já consolidadas. O corte atinge a aposta de baixo carbono, mas preserva a presença da companhia em gases industriais e hidrogênio convencional na região.

NEOM e Yara seguem no radar da companhia

No mesmo anúncio em que confirmou a desistência do Louisiana Clean Energy Complex, a Air Products informou que está finalizando um acordo de comercialização e distribuição com a Yara International ASA para o amoníaco renovável produzido no projeto NEOM Green Hydrogen, na Arábia Saudita.

Segundo o comunicado da Air Products anexado ao Form 8-K, esse acordo é independente da decisão de descontinuar o LCEC e permitirá que a amônia da primeira fábrica de amônia renovável em grande escala do mundo seja vendida e entregue globalmente pela cadeia de suprimentos da Yara.

A negociação com a Yara já havia sido apresentada publicamente em 8 de dezembro de 2025, em comunicado corporativo da própria Yara. Naquele anúncio, Air Products e Yara informaram que discutiam uma parceria para conectar projetos de amônia de baixa emissão nos Estados Unidos e na Arábia Saudita à rede global de distribuição da empresa norueguesa.

Reuters informou que Yara não seguirá com compra de ativos do LCEC

A posição da Yara sobre os ativos do projeto da Louisiana aparece com mais clareza em reportagem da Reuters publicada em 30 de junho de 2026 e assinada por Varun Sahay. A agência informou que a Yara decidiu não seguir com a aquisição planejada dos ativos de produção e distribuição de amônia ligados ao LCEC.

A Reuters também informou que a Yara pretende realocar capital para outras oportunidades de investimento em amônia nos Estados Unidos. Esse ponto é relevante porque, no comunicado de dezembro de 2025, a Yara havia mencionado a possibilidade de adquirir ativos de produção, armazenamento e transporte de amônia do projeto da Louisiana por cerca de 25% do custo total estimado do empreendimento.

Assim, a desistência da Air Products atinge não apenas o projeto de hidrogênio limpo em si, mas também uma estrutura comercial que vinha sendo discutida com a Yara para viabilizar a produção e distribuição de amônia de baixo carbono.

Cancelamento mostra o peso da conta final na transição energética

Os números revelam o tamanho da revisão em curso. De um lado, um megaprojeto de hidrogênio limpo engavetado e um encargo bilionário previsto para o terceiro trimestre fiscal de 2026. Do outro, a tentativa de manter viva uma parte da agenda de hidrogênio e amônia renovável por meio do projeto NEOM.

Para o mercado, o recado é direto: a transição energética continua em andamento, mas nem toda aposta bilionária resiste à análise de retorno financeiro. No caso da Air Products, a decisão anunciada em 30 de junho de 2026 colocou a rentabilidade no centro da estratégia e marcou uma das revisões mais relevantes do setor de hidrogênio limpo nos Estados Unidos.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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