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Mais de 60 tratores tomaram as ruas de Lopera quando parques solares passaram a disputar espaço com olivais e o número de árvores afetadas foi de 13 mil a até 100 mil nas contas rivais

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 05/07/2026 às 14:15 Atualizado em 05/07/2026 às 14:41
Mais de 60 tratores tomaram as ruas de Lopera, na Andaluzia
Mais de 60 tratores tomaram as ruas de Lopera, na Andaluzia
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O protesto de 24 de março de 2025 colocou parques solares, desapropriações, oliveiras e trabalho rural no mesmo debate em Lopera. A disputa envolve áreas arrendadas, linhas de energia e números que usam bases diferentes.

Mais de 60 tratores tomaram as ruas de Lopera, na Andaluzia, em 24 de março de 2025. A mobilização reuniu produtores rurais contrários às desapropriações ligadas a parques solares e às linhas que levam a eletricidade gerada até a rede.

Cadena SER, rede espanhola de rádio e jornalismo local, registrou a presença de cerca de 50 proprietários no protesto, que também envolveu agricultores de Arjona e Marmolejo. A preocupação envolve a continuidade dos olivais e da renda rural que depende da produção de azeite.

A controvérsia não tem um número único e fechado. A conta de 13 mil oliveiras está ligada a áreas alcançadas pela desapropriação, enquanto grupos contrários aos parques solares falam em até 100 mil árvores dentro de uma estimativa mais ampla.

Linhas de energia colocaram propriedades rurais no centro da disputa

O protesto não tratava apenas do espaço ocupado pelos painéis solares. A discussão também alcançou as linhas de alta tensão, estruturas usadas para levar a eletricidade produzida nos parques solares até a rede elétrica.

Essas linhas precisam cruzar propriedades rurais. Quando não há acordo entre o dono da terra e quem executa o projeto, a área pode entrar em um processo de desapropriação.

O protesto de 24 de março de 2025 colocou parques solares, desapropriações, oliveiras e trabalho rural no mesmo debate em Lopera
O protesto de 24 de março de 2025 colocou parques solares, desapropriações, oliveiras e trabalho rural no mesmo debate em Lopera

Em linguagem simples, desapropriação é um procedimento que pode permitir o uso de uma propriedade particular em uma infraestrutura considerada de interesse público. Para os moradores de Lopera, esse ponto virou o principal motivo de insegurança sobre o futuro das terras.

Por que 13 mil e até 100 mil oliveiras aparecem em cálculos diferentes na disputa pelos parques solares

El País, jornal espanhol de circulação nacional e cobertura internacional, detalhou que a estimativa de 13 mil oliveiras está vinculada à Declaração de Utilidade Pública. Esse ato pode abrir caminho para a desapropriação de áreas usadas na implantação das estruturas.

A previsão apresentada pelo governo regional e pela empresa promotora indicava 36.022 oliveiras afetadas nos municípios de Lopera, Arjona e Marmolejo. Dentro desse total, as 13 mil árvores se referem à parcela ligada ao processo de desapropriação.

Já a estimativa de até 100 mil oliveiras reúne uma projeção maior apresentada por grupos que se opõem aos parques solares. A diferença mostra por que esse número não pode ser tratado como quantidade definitiva de árvores removidas.

Arrendamento voluntário separa parte das áreas da desapropriação

Arrendamento é o aluguel da terra por meio de contrato. Nessa situação, o proprietário permite que a área seja utilizada por um período definido e recebe uma remuneração pelo uso do terreno.

Uma parte importante dos projetos em Lopera avançou por esse caminho. Nos seis parques detalhados pelas autoridades regionais, 86% da área destinada às instalações teve acordo voluntário entre proprietários e empresa promotora.

Nas linhas de energia, os contratos voluntários alcançaram 80,5% da superfície prevista. A disputa ficou concentrada na parcela restante, onde produtores não aceitaram a utilização de suas terras.

Trabalho rural e parques solares produzem impactos diferentes

Os olivais não representam apenas árvores em uma paisagem agrícola. Eles sustentam colheitas, trabalho no campo, cooperativas e uma atividade econômica que faz parte da vida de muitas famílias da região.

Para agricultores que rejeitam os projetos, a retirada das oliveiras pode reduzir postos de trabalho e mudar a fonte de renda local. O temor cresce porque o olival tradicional depende de mão de obra em várias etapas do cultivo e da colheita.

Para proprietários que assinam contratos de arrendamento, o parque solar pode virar uma fonte de receita ligada ao aluguel da terra. Essas duas realidades ajudam a explicar por que não existe uma posição única entre quem vive na região.

Energia solar e agricultura disputam o mesmo espaço em Lopera

A expansão da energia solar exige áreas amplas para receber painéis, equipamentos e linhas de transmissão. Em Lopera, essas áreas coincidem com terras usadas há décadas para o cultivo de oliveiras.

Energia solar e agricultura disputam o mesmo espaço em Lopera
Energia solar e agricultura disputam o mesmo espaço em Lopera

O conflito não coloca apenas agricultura de um lado e eletricidade do outro. A discussão envolve o local escolhido para os parques solares, o direito de quem vive da terra e a forma como os projetos tratam áreas sem acordo voluntário.

A mobilização de tratores mostrou que a transição para fontes renováveis também passa por decisões sobre território. O desafio está em ampliar a geração de energia sem ignorar o impacto sobre trabalhadores, produtores e paisagens rurais.

Os mais de 60 tratores em Lopera transformaram uma disputa sobre parques solares em um debate maior sobre renda, propriedade e permanência no campo. O protesto ocorreu em 24 de março de 2025 e colocou pequenos proprietários diante de projetos que avançam sobre uma região marcada pelos olivais.

O dado que exige mais cuidado é o número de árvores. As 13 mil oliveiras estão relacionadas à desapropriação, enquanto até 100 mil aparece como estimativa contestada de impacto mais amplo.

Na sua opinião, como a energia solar pode crescer sem transformar agricultores e olivais em parte de uma disputa sobre o próprio território? Deixe um comentário e compartilhe esta publicação.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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