O protesto de 24 de março de 2025 colocou parques solares, desapropriações, oliveiras e trabalho rural no mesmo debate em Lopera. A disputa envolve áreas arrendadas, linhas de energia e números que usam bases diferentes.
Mais de 60 tratores tomaram as ruas de Lopera, na Andaluzia, em 24 de março de 2025. A mobilização reuniu produtores rurais contrários às desapropriações ligadas a parques solares e às linhas que levam a eletricidade gerada até a rede.
Cadena SER, rede espanhola de rádio e jornalismo local, registrou a presença de cerca de 50 proprietários no protesto, que também envolveu agricultores de Arjona e Marmolejo. A preocupação envolve a continuidade dos olivais e da renda rural que depende da produção de azeite.
A controvérsia não tem um número único e fechado. A conta de 13 mil oliveiras está ligada a áreas alcançadas pela desapropriação, enquanto grupos contrários aos parques solares falam em até 100 mil árvores dentro de uma estimativa mais ampla.
-
Sem decreto, o hidrogênio verde espera há 18 meses para destravar projetos bilionários no Nordeste, enquanto empresas aguardam para avançar com investimentos e contratos
-
Brasil fecha maior leilão de energia da história, contrata 18,97 GW e movimenta R$ 64,5 bilhões para garantir abastecimento até 2031
-
Como a Noruega gera mais energia do que consome usando quase 1.800 hidrelétricas e mais de 1.100 reservatórios
-
Axia Energia investe R$ 1,4 bilhão no 1º trimestre, amplia aportes em 36% e reverte prejuízo com lucro de R$ 3,7 bilhões
Linhas de energia colocaram propriedades rurais no centro da disputa
O protesto não tratava apenas do espaço ocupado pelos painéis solares. A discussão também alcançou as linhas de alta tensão, estruturas usadas para levar a eletricidade produzida nos parques solares até a rede elétrica.
Essas linhas precisam cruzar propriedades rurais. Quando não há acordo entre o dono da terra e quem executa o projeto, a área pode entrar em um processo de desapropriação.

Em linguagem simples, desapropriação é um procedimento que pode permitir o uso de uma propriedade particular em uma infraestrutura considerada de interesse público. Para os moradores de Lopera, esse ponto virou o principal motivo de insegurança sobre o futuro das terras.
Por que 13 mil e até 100 mil oliveiras aparecem em cálculos diferentes na disputa pelos parques solares
El País, jornal espanhol de circulação nacional e cobertura internacional, detalhou que a estimativa de 13 mil oliveiras está vinculada à Declaração de Utilidade Pública. Esse ato pode abrir caminho para a desapropriação de áreas usadas na implantação das estruturas.
A previsão apresentada pelo governo regional e pela empresa promotora indicava 36.022 oliveiras afetadas nos municípios de Lopera, Arjona e Marmolejo. Dentro desse total, as 13 mil árvores se referem à parcela ligada ao processo de desapropriação.
Já a estimativa de até 100 mil oliveiras reúne uma projeção maior apresentada por grupos que se opõem aos parques solares. A diferença mostra por que esse número não pode ser tratado como quantidade definitiva de árvores removidas.
Arrendamento voluntário separa parte das áreas da desapropriação
Arrendamento é o aluguel da terra por meio de contrato. Nessa situação, o proprietário permite que a área seja utilizada por um período definido e recebe uma remuneração pelo uso do terreno.
Uma parte importante dos projetos em Lopera avançou por esse caminho. Nos seis parques detalhados pelas autoridades regionais, 86% da área destinada às instalações teve acordo voluntário entre proprietários e empresa promotora.
Nas linhas de energia, os contratos voluntários alcançaram 80,5% da superfície prevista. A disputa ficou concentrada na parcela restante, onde produtores não aceitaram a utilização de suas terras.
Trabalho rural e parques solares produzem impactos diferentes
Os olivais não representam apenas árvores em uma paisagem agrícola. Eles sustentam colheitas, trabalho no campo, cooperativas e uma atividade econômica que faz parte da vida de muitas famílias da região.
Para agricultores que rejeitam os projetos, a retirada das oliveiras pode reduzir postos de trabalho e mudar a fonte de renda local. O temor cresce porque o olival tradicional depende de mão de obra em várias etapas do cultivo e da colheita.
Para proprietários que assinam contratos de arrendamento, o parque solar pode virar uma fonte de receita ligada ao aluguel da terra. Essas duas realidades ajudam a explicar por que não existe uma posição única entre quem vive na região.
Energia solar e agricultura disputam o mesmo espaço em Lopera
A expansão da energia solar exige áreas amplas para receber painéis, equipamentos e linhas de transmissão. Em Lopera, essas áreas coincidem com terras usadas há décadas para o cultivo de oliveiras.

O conflito não coloca apenas agricultura de um lado e eletricidade do outro. A discussão envolve o local escolhido para os parques solares, o direito de quem vive da terra e a forma como os projetos tratam áreas sem acordo voluntário.
A mobilização de tratores mostrou que a transição para fontes renováveis também passa por decisões sobre território. O desafio está em ampliar a geração de energia sem ignorar o impacto sobre trabalhadores, produtores e paisagens rurais.
Os mais de 60 tratores em Lopera transformaram uma disputa sobre parques solares em um debate maior sobre renda, propriedade e permanência no campo. O protesto ocorreu em 24 de março de 2025 e colocou pequenos proprietários diante de projetos que avançam sobre uma região marcada pelos olivais.
O dado que exige mais cuidado é o número de árvores. As 13 mil oliveiras estão relacionadas à desapropriação, enquanto até 100 mil aparece como estimativa contestada de impacto mais amplo.
Na sua opinião, como a energia solar pode crescer sem transformar agricultores e olivais em parte de uma disputa sobre o próprio território? Deixe um comentário e compartilhe esta publicação.
