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Pesando 820 toneladas no transporte, o maior transformador de corrente contínua já fabricado no mundo deixou a Suécia rumo à China no carregamento mais pesado já realizado pela fábrica da Hitachi Energy, para equipar uma linha que vai transmitir energia renovável por mais de 2.300 km

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 02/06/2026 às 21:01
Atualizado em 02/06/2026 às 21:05
Assista o vídeoO maior transformador de corrente contínua do mundo, com 820 t no transporte, saiu da Suécia rumo à China para equipar uma linha de energia renovável de 2.370 km.
O maior transformador de corrente contínua do mundo, com 820 t no transporte, saiu da Suécia rumo à China para equipar uma linha de energia renovável de 2.370 km.
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Para tirar o gigante da fábrica e levá-lo ao porto, foi preciso montar um comboio de quase 100 metros sobre dezenas de eixos. O destino é uma das linhas de energia mais avançadas do planeta, que levará energia solar e eólica do deserto chinês até as cidades do litoral, a milhares de quilômetros de distância.

Pesando 820 toneladas no transporte, o maior transformador de corrente contínua já fabricado no mundo deixou a Suécia rumo à China. Segundo a fabricante, o equipamento saiu da fábrica da Hitachi Energy, na cidade de Ludvika, no carregamento mais pesado já realizado pela unidade, e vai equipar uma linha de transmissão que levará energia renovável por mais de 2.300 quilômetros dentro do território chinês, ligando regiões desérticas produtoras aos grandes centros consumidores.

A partida foi celebrada pela empresa em maio de 2026, encerrando uma etapa de fabricação que, segundo a Hitachi Energy, representou um marco em sua história. Vale um esclarecimento técnico logo de início: as 820 toneladas referem-se ao peso total do transporte, somando o transformador e toda a estrutura do veículo usado para movê-lo, e o título de “maior do mundo” diz respeito a uma categoria específica desse tipo de equipamento, o transformador conversor de corrente contínua de alta tensão com tecnologia VSC, conforme detalharemos a seguir.

O que é esse transformador gigante

Por trás do recorde há um equipamento de altíssima complexidade tecnológica. 

Trata-se do maior transformador conversor de corrente contínua de alta tensão com tecnologia VSC já construído, com capacidade de 750 MVA e projetado para operar em uma tensão de mais ou menos 800 kV, o que, segundo a Hitachi Energy, o torna incomparável em potência, tamanho e peso dentro de sua categoria.

Esse tipo de transformador é peça-chave nos sistemas de transmissão em corrente contínua de alta tensão, conhecidos pela sigla HVDC, que permitem levar grandes quantidades de energia por longas distâncias com perdas reduzidas.

De acordo com a equipe de engenharia responsável, formada por 16 pessoas, o novo equipamento é cerca de duas vezes mais potente e tem 60% mais tensão do que os últimos transformadores do gênero entregues pela fábrica, o que dá a dimensão do salto tecnológico envolvido.

Um transporte que virou recorde

Se construir o transformador já foi um desafio, levá-lo até o porto foi uma operação à parte. 

Com peso total de 820 toneladas, incluindo o veículo, este foi o transporte mais pesado a deixar a fábrica de Ludvika, exigindo uma combinação de equipamentos que chegou a cerca de 100 metros de comprimento para vencer a estrada estreita e sinuosa até o litoral sueco, num trajeto cuidadosamente planejado.

Para conseguir fazer as curvas mais fechadas e trafegar por estradas estreitas, a equipe precisou adaptar a solução de transporte, redistribuindo a carga sobre dezenas de eixos especiais.

O transformador seguiu por terra até um porto na Suécia e de lá embarcou em navio rumo a Xangai, na China.

A própria empresa destacou que o sucesso da operação dependeu da colaboração entre diferentes equipes e parceiros de logística, um elogio que, vindo de material da fabricante, deve ser lido com o devido contexto.

O destino: uma das linhas mais avançadas do mundo

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O transformador não viaja por acaso: ele tem um destino estratégico. 

O equipamento integrará o projeto Gansu-Zhejiang, uma linha de transmissão de mais ou menos 800 kV e cerca de 2.370 km de extensão, projetada e construída pela estatal chinesa State Grid Corporation of China para levar energia das regiões desérticas do noroeste do país até a província de Zhejiang, no leste, onde se concentram milhões de consumidores.

O grande objetivo do projeto é aproveitar o enorme potencial de energia solar e eólica de áreas áridas como o Deserto de Gobi, transportando essa eletricidade limpa por milhares de quilômetros até os centros urbanos e industriais.

Segundo as informações divulgadas, a linha deve entregar mais de 36 bilhões de kWh por ano a Zhejiang, o suficiente para atender à demanda anual de cerca de 10 milhões de residências, sendo apontada como o primeiro projeto do tipo a usar a tecnologia VSC nas duas extremidades.

Por que essa tecnologia importa para a transição energética

O caso ilustra um dos maiores desafios da energia limpa no mundo todo. 

As melhores fontes de energia renovável, como grandes parques solares e eólicos, costumam ficar em regiões remotas e distantes das cidades, e é justamente aí que entram as linhas de transmissão em corrente contínua de alta tensão, capazes de levar essa energia a milhares de quilômetros com perdas muito menores do que as linhas convencionais.

A tecnologia VSC, mencionada no projeto, permite controlar o fluxo de energia com grande precisão e ajuda a estabilizar a rede elétrica diante das oscilações típicas da geração solar e eólica.

Não por acaso, há hoje uma forte demanda global por esse tipo de equipamento, impulsionada pela transição energética e pelo crescimento de setores como os data centers, o que tem gerado até escassez mundial de transformadores de grande porte, segundo a própria indústria.

O que isso tem a ver com o Brasil

Embora a obra seja na China, a tecnologia é velha conhecida dos brasileiros. 

O Brasil é uma das referências mundiais no uso de transmissão em corrente contínua de alta tensão, justamente por ter o mesmo desafio chinês: gerar energia longe dos grandes centros, como nas hidrelétricas da Amazônia, e precisar levá-la a milhares de quilômetros até o Sudeste consumidor, como acontece nas linhas que escoam a energia de Belo Monte.

Por isso, acompanhar avanços como esse transformador recorde ajuda a entender o futuro da infraestrutura elétrica também por aqui.

À medida que o país amplia sua geração renovável, sobretudo solar e eólica no Nordeste, soluções de transmissão eficientes se tornam cada vez mais estratégicas para levar essa energia limpa a todo o território nacional, conectando a abundância de recursos de uma região às necessidades de outra.

A jornada do maior transformador de corrente contínua já fabricado no mundo, da Suécia até a China, é uma daquelas histórias que unem engenharia de ponta, logística ousada e o esforço global pela transição energética.

Mais do que um recorde de peso e tamanho, o equipamento simboliza o desafio de levar energia renovável a longas distâncias, um problema que o Brasil conhece bem.

Em contrapartida o mundo corre para eletrificar tudo com fontes limpas, peças colossais como essa mostram que, por trás de cada tomada, há uma engenharia gigantesca e invisível trabalhando para manter as luzes acesas.

E você, já imaginava o tamanho dos equipamentos por trás das linhas de energia que abastecem as cidades? O que achou dessa façanha de engenharia e transporte? Deixe seu comentário, conte o que mais te impressionou nessa história e compartilhe a matéria com quem se interessa por energia, tecnologia e grandes obras de infraestrutura.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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