Inovação da Embrapa Cerrados, o pequi sem espinho impulsiona a produção de pequi no Brasil e consolida o cultivo comercial no Cerrado.
A produção de pequi no Brasil vive um momento de transformação com a chegada do pequi sem espinho, que começa a ganhar espaço como alternativa de cultivo comercial de pequi no Cerrado.
A mudança ocorre principalmente no Centro-Oeste, em estados como Goiás e Mato Grosso, onde agricultores familiares adotam novas variedades desenvolvidas pela Embrapa Cerrados em parceria com instituições estaduais.
O avanço responde à demanda por maior previsibilidade produtiva, praticidade para a indústria alimentícia e geração de renda sustentável, mantendo a preservação ambiental como eixo central.
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Nos últimos anos, produtores passaram a substituir o extrativismo tradicional por sistemas agrícolas planejados.
Assim, o pequi sem espinho surge como uma solução que alia inovação, regularidade de safra e valorização da agricultura familiar no Cerrado, abrindo novas perspectivas econômicas para regiões historicamente dependentes da coleta sazonal do fruto.
Do extrativismo ao cultivo planejado no Cerrado
Durante décadas, a produção de pequi no Brasil esteve associada quase exclusivamente ao extrativismo.
Esse modelo sustentou comunidades rurais e movimentou economias locais, mas também impôs limitações, como a imprevisibilidade de safra e restrições de manejo.
Segundo Elainy Pereira, pesquisadora da Emater-GO, desde o início dos anos 2000 o cultivo do pequi ocorre em áreas de reserva legal.
“É uma opção que atende às exigências ambientais e garante uma renda ao agricultor, mas, com o lançamento do pequi sem espinho, novas modalidades de plantio começam a se intensificar”, explica.
Com isso, o cultivo comercial de pequi deixa de ser exceção e passa a integrar estratégias produtivas alinhadas à legislação ambiental e ao planejamento agrícola.
Variedades sem espinho ampliam mercado e praticidade
As novas cultivares desenvolvidas pela Embrapa Cerrados mantêm cor, aroma e sabor tradicionais, mas eliminam o principal obstáculo ao consumo: os espinhos.
A polpa mais grossa e suculenta facilita o processamento industrial e o uso doméstico.
Além disso, a ausência de espinhos torna o fruto mais atrativo para novos mercados.
“O produtor hoje sabe o que vai colher e em quanto tempo. Isso muda completamente o cenário”, destaca a pesquisadora.
Portanto, o pequi sem espinho amplia o potencial de inserção do fruto em cadeias produtivas mais sofisticadas e competitivas.
Viveiros impulsionam o cultivo comercial de pequi
A demanda crescente reflete diretamente nos viveiros especializados.
Em Inhumas (GO), o produtor e viveirista Mauro Filho, sócio da Plant Roots Viveiro Ambiental, comercializa entre 60 mil e 70 mil mudas por ano.
Segundo ele, o valor da muda sem espinho chega a R$ 150, dez vezes superior à variedade tradicional.
“Comercializamos anualmente entre 60 mil e 70 mil mudas de pequi sem espinho”, afirma.
Além disso, o produtor investiu em uma lavoura própria com quatro mil plantas, das quais duas mil já estão em produção.
“Ela é mais precoce, começa a produzir após quatro anos e rende uma safra boa a cada dois anos”, relata.
Agricultura familiar no Cerrado mantém papel estratégico
Mesmo com o avanço do cultivo comercial de pequi, o extrativismo ainda exerce papel central na agricultura familiar no Cerrado.
Em Mato Grosso, Ribeirão Cascalheira se destaca como principal polo estadual.
Durante a safra, entre outubro e dezembro, o pequi se torna a principal fonte de renda de cerca de 1,5 mil famílias.
“O pequi sustenta essas famílias nesse período do ano. Em 2025, estamos chegando a uma média de 1,2 mil caixas por dia”, afirma Carlos Alberto Quintino, extensionista da Empaer.
Cerca de 80% da produção local ainda vem de plantas nativas, favorecidas pelas condições naturais do Cerrado.
Plantios comerciais avançam em Mato Grosso
Enquanto isso, municípios como Gaúcha do Norte, Querência e Canarana ampliam áreas destinadas ao pequi sem espinho.
“Em Gaúcha do Norte, por exemplo, já existem cerca de 60 hectares cultivados”, explica Clodoaldo Maccari, também da Empaer.
Os pomares utilizam mudas enxertadas, técnica que reduz o tempo de entrada em produção e garante maior uniformidade.
A planta começa a produzir entre quatro e cinco anos, com estabilidade a partir do oitavo ano.
Produção nacional e novos usos do pequi
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que Mato Grosso e Goiás produziram juntos cerca de 3,4 mil toneladas em 2024.
Minas Gerais lidera o ranking nacional, com mais de 42 mil toneladas, ainda majoritariamente extrativistas.
Além do consumo in natura, o fruto abastece indústrias de conservas, cosméticos, óleos e produtos medicinais.
“O pequi ainda é visto como uma fruta exótica e tem nos mercados do Sudeste e do Sul grande potencial de exploração”, avalia Maccari.
Inovação redefine a produção de pequi no Brasil
Assim, o pequi sem espinho simboliza uma virada histórica na produção de pequi no Brasil.
Ao unir ciência, sustentabilidade e mercado, o fruto deixa de ser apenas símbolo cultural e passa a ocupar papel estratégico no agronegócio regional, fortalecendo a agricultura familiar no Cerrado e abrindo novas fronteiras para o cultivo comercial de pequi.

Um pé de pequi com 5 anos produz 30 litros de óleo. Com 400 pés serão 12.000 litros de óleo medicinal e alimentício!!! É o Rei do Cerrado!!!