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Torre de Frank Gehry no sul da França recebeu mais de 4,000 painéis de sal e transformou um problema clássico da construção em acabamento arquitetônico

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 14/06/2026 às 18:21
Atualizado em 14/06/2026 às 18:23
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Torre de Frank Gehry no sul da França recebeu mais de 4,000 painéis de sal
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Na LUMA Arles, o sal da Camargue foi cultivado em painéis cristalizados pelo sol e pelo vento. A experiência mostra como um mineral associado à corrosão virou revestimento em uma torre assinada por Frank Gehry, sem assumir função estrutural no edifício.

A torre de Frank Gehry no sul da França recebeu mais de 4,000 painéis de sal e transformou um problema clássico da construção em acabamento arquitetônico. O sal, tão temido em obras próximas ao mar por causa da corrosão e do desgaste, apareceu na LUMA Arles como parte visual do prédio.

A aplicação chama atenção porque muda a leitura comum sobre o material. Em vez de atacar estruturas, o sal foi usado como revestimento interno, aplicado em áreas dos elevadores de nove dos doze andares da torre.

A informação foi publicada por Materially, plataforma especializada em materiais e design. A experiência foi desenvolvida pelo Atelier LUMA, laboratório de pesquisa e design ligado à LUMA Arles, com sal cultivado nos campos da Camargue, região do sul da França.

O sal que costuma preocupar obras litorâneas virou parte visual de uma torre famosa

O sal é conhecido na construção civil como um material problemático. Em cidades perto do mar, ele pode acelerar a corrosão de metais, prejudicar fachadas e aumentar a necessidade de manutenção em prédios, pontes e outras estruturas.

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Por isso, a ideia de usar sal em uma torre desenhada por Frank Gehry parece contraditória. O ponto central está no tipo de uso. O material não sustenta o edifício, não substitui concreto, aço, pilares ou vigas.

Na LUMA Arles, o sal aparece como acabamento arquitetônico. Isso significa que ele cobre superfícies e participa da aparência dos ambientes, mas não tem a função de segurar peso.

Essa diferença é essencial para evitar exageros. O projeto não mostra o sal como solução estrutural para construções. Ele mostra o sal como revestimento, em uma aplicação controlada e interna.

Mais de 4,000 painéis foram cultivados com sal da Camargue

Os painéis usados na torre foram produzidos com sal da Camargue, área do sul da França marcada por campos salinos. Essa ligação com a paisagem local é uma das partes mais importantes do projeto.

O processo aproveitou água salgada, sol e vento. Estruturas de malha metálica foram colocadas em contato com a água dos campos salinos, permitindo a formação dos cristais.

Esse processo se chama cristalização. Em linguagem simples, é quando o sal se forma em pequenos cristais sobre uma superfície. No caso da LUMA Arles, esse crescimento levou cerca de duas semanas.

Como o resultado depende do clima, cada painel tem aparência própria. A cor, a textura e a intensidade dos cristais podem variar, o que torna o revestimento menos padronizado e mais ligado ao ambiente onde nasceu.

Materially detalhou como o Atelier LUMA levou o sal para dentro da arquitetura

Materially, plataforma especializada em materiais e design, detalhou que o Atelier LUMA desenvolveu a parede de sal para a torre da LUMA Arles. O projeto envolve pesquisa de materiais locais e mostra uma forma diferente de pensar acabamento em edifícios.

A parede de sal cobre áreas dos elevadores em nove dos doze andares. Esse dado mostra que a aplicação não ficou restrita a uma peça decorativa pequena. Ela ganhou escala dentro do edifício.

Mesmo assim, a função continua sendo visual. Os painéis fazem parte da experiência do espaço, da textura das paredes e da relação entre arquitetura e paisagem.

O caso também ajuda a entender uma mudança importante na arquitetura contemporânea. Em vez de depender apenas de materiais industriais comuns, alguns projetos procuram recursos do próprio território para criar identidade e reduzir distâncias entre obra e lugar.

A torre usa sal como revestimento, não como estrutura

A parte mais importante para o leitor entender é simples: os painéis de sal não seguram a torre. Eles não fazem o papel de fundação, coluna, viga ou laje.

Na construção, a estrutura é aquilo que mantém o prédio em pé. O revestimento é a camada aplicada sobre paredes e superfícies, muitas vezes com função de proteção, acabamento ou aparência.

No caso da LUMA Arles, o sal está no segundo grupo. Ele entra como acabamento, em áreas internas, dentro de um projeto arquitetônico com controle técnico.

Esse cuidado evita uma interpretação errada. O sal continua sendo um material sensível, especialmente quando aparece em ambientes com umidade e maresia. A experiência francesa não elimina os riscos conhecidos, apenas mostra uma aplicação específica.

O projeto conversa com desafios vistos no litoral brasileiro

No Brasil, a salinidade é uma preocupação real em muitas obras litorâneas. Prédios, pontes, estruturas metálicas e fachadas em cidades perto do mar precisam lidar com maresia, umidade e desgaste acelerado.

Por isso, o caso da torre francesa provoca curiosidade. O mesmo elemento que causa dor de cabeça em obras costeiras foi usado como acabamento em um edifício de alto impacto visual.

A diferença está no controle. A experiência da LUMA Arles não sugere aplicar sal em qualquer construção. Ela mostra que materiais difíceis podem ganhar novos usos quando passam por pesquisa, teste e aplicação adequada.

Para o público brasileiro, a principal lição não é copiar o material sem critério. O ponto mais interessante é observar como recursos locais, muitas vezes vistos como comuns ou problemáticos, podem ser estudados para novas funções.

Campos salinos viraram parte da identidade do edifício

A Camargue não aparece apenas como origem do sal. A região ajudou a definir a aparência final do revestimento. O sol, o vento, a água salgada e o tempo de cristalização participaram diretamente do resultado.

Isso dá ao edifício uma ligação mais forte com o lugar onde ele está. Em vez de usar um acabamento totalmente distante da paisagem, a torre incorporou um material nascido nos arredores.

A ideia também amplia o debate sobre construção sustentável. Nem toda solução precisa parecer tecnológica ou futurista. Às vezes, a inovação está em olhar para um material antigo de outro jeito.

O sal usado na LUMA Arles mostra esse contraste. Ele é simples, conhecido e frágil, mas ganhou presença arquitetônica quando foi aplicado com uma função compatível com seus limites.

Um mineral frágil virou sinal de pesquisa, mas não solução para tudo

A torre de Frank Gehry no sul da França mostra que a arquitetura pode transformar a percepção de um material. O sal, normalmente associado a corrosão e desgaste, virou acabamento arquitetônico em uma obra marcada por pesquisa e ligação com a paisagem local.

Torre de Frank Gehry no sul da França
Torre de Frank Gehry no sul da França

Ao mesmo tempo, o projeto exige leitura cuidadosa. Os mais de 4,000 painéis de sal não tornam o mineral uma solução universal para obras. Eles mostram uma aplicação visual, interna e controlada, com função bem diferente da parte estrutural de um edifício.

Se até o sal, conhecido por danificar construções perto do mar, pode virar revestimento quando usado no lugar certo, quais outros materiais comuns no Brasil ainda poderiam ser repensados pela engenharia e pela arquitetura?

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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