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Centenas de cabines telefônicas vermelhas aparecem abandonadas em floresta

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 08/06/2026 às 18:19
Atualizado em 08/06/2026 às 18:54
Cabines telefônicas vermelhas aparecem abandonadas em floresta após décadas como símbolo urbano do Reino Unido.
Cabines telefônicas vermelhas aparecem abandonadas em floresta após décadas como símbolo urbano do Reino Unido.
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Cabines telefônicas vermelhas, símbolo urbano do Reino Unido desde 1926, ainda resistem como patrimônio visual britânico, mas o registro de centenas de unidades abandonadas em uma floresta mostra o contraste entre a memória cultural, a queda do uso público e a substituição tecnológica.

Centenas de cabines telefonicas vermelhas, um dos símbolos urbanos mais conhecidos do Reino Unido, foram encontradas abandonadas em uma área de floresta no sul de Londres, formando uma espécie de cemitério do antigo mobiliário público britânico.

O registro foi publicado em vídeo pelo canal VacantHaven no dia 24 de maio e mostra dezenas de estruturas empilhadas, cobertas pela vegetação e cercadas por veículos antigos, máquinas e outros objetos deixados no local.

Em poucos segundos, a cena revela uma quantidade incomum de cabines acumuladas, algumas empilhadas em grandes blocos, outras isoladas no meio da vegetação.

O achado chama atenção porque as cabines vermelhas fazem parte da identidade visual britânica há quase um século.

Mesmo após a queda no uso dos telefones públicos, provocada pela popularização dos celulares, elas continuam associadas à paisagem urbana do Reino Unido, principalmente em áreas turísticas e centros históricos.

Na floresta mostrada pelo VacantHaven, porém, o símbolo aparece fora de contexto: sem ruas, sem calçadas, sem usuários e sem função aparente.

Um ícone britânico fora das ruas

O modelo vermelho mais famoso teve origem em Londres. A cabine K2 foi introduzida em 1926 e instalada inicialmente na capital britânica. Antes dela, os Correios britânicos, responsáveis pela rede telefônica desde 1912, utilizavam o modelo K1, com estrutura branca e vermelha. A mudança visual consolidou uma imagem que atravessou décadas e se tornou reconhecida internacionalmente.

A partir do K2, novos modelos foram lançados, como K3, K4, K5, K6, K7 e K8. Cada versão trazia mudanças de tamanho, material, ventilação, formato e custo, mas manteve a associação com a cor vermelha. Entre as décadas de 1930 e 1985, mais de 300.000 cabines vermelhas foram fabricadas, espalhando o desenho por cidades, vilarejos, estações, estradas e áreas públicas.

Grande parte das cabines era feita de ferro fundido, material resistente e pesado, instalado sobre uma base retangular de concreto. A porta costumava usar madeira de teca, enquanto uma placa branca com a palavra “Telephone” identificava o serviço. No topo, a coroa Tudor representava a ligação com o governo britânico e com o Serviço Postal, responsável pela estrutura telefônica pública por décadas.

No vídeo, algumas cabines ainda exibem esses detalhes históricos. Os exploradores observam as coroas no alto das estruturas e identificam inscrições como “G R” e “E R”, associadas a diferentes períodos da monarquia britânica. Esses elementos ajudam a indicar que o conjunto não reúne apenas modelos recentes ou padronizados, mas unidades de épocas distintas.

Floresta guarda pilhas de cabines e veículos antigos

A cena registrada pelo VacantHaven mostra as cabines espalhadas e empilhadas em vários pontos da mata. Em determinado trecho, os exploradores apontam estruturas com cerca de cinco unidades de altura. Em outro momento, observam que o material se estende por uma faixa maior do terreno, com pilhas que avançam entre árvores, galhos e arbustos.

Além das cabines telefonicas, o local guarda outros objetos abandonados. O vídeo mostra uma antiga carroceria de coleta de lixo, uma plataforma elevatória, máquinas agrícolas, estruturas metálicas, janelas empilhadas, pallets, abrigos e veículos tomados pela ferrugem e pela vegetação. Em um dos veículos, os exploradores evitam entrar depois de notar um ninho com ovos, preservando o local e interrompendo a inspeção interna.

A presença de máquinas, veículos e materiais diversos reforça a aparência de um depósito abandonado ou área de armazenamento desativada. No entanto, o vídeo não confirma quem é o proprietário, por quanto tempo as cabines estão ali ou qual seria o destino original das estruturas. Também não há informação sobre venda, restauração, reciclagem ou descarte oficial das unidades.

O estado de conservação varia. Algumas cabines parecem manter parte da estrutura externa, com pintura vermelha ainda visível. Outras aparecem desgastadas, sujas, parcialmente cobertas por plantas ou cercadas por entulho. A imagem geral é de abandono prolongado, com o contraste entre o vermelho das cabines e o verde da floresta criando uma cena incomum.

Do uso público ao abandono

As cabines telefonicas vermelhas perderam espaço à medida que o telefone celular se tornou dominante. O equipamento, antes essencial para ligações em ruas e áreas públicas, passou a ser usado cada vez menos. A manutenção de estruturas antigas também se tornou mais difícil, principalmente em locais onde quase não havia chamadas.

Em 1985, a British Telecom decidiu substituir o desenho clássico por cabines KX, com frente de vidro e visual mais moderno. A mudança marcou o início de uma transição que retirou muitas unidades vermelhas das ruas. Algumas foram preservadas como patrimônio, outras vendidas, reaproveitadas ou removidas.

Apesar da redução, o Reino Unido ainda mantinha cerca de 20.000 cabines telefônicas em 2023. Desse total, aproximadamente 3.000 eram cabines vermelhas clássicas. Muitas deixaram de funcionar como telefones públicos e passaram a receber novos usos. Em diferentes cidades e vilarejos, cabines antigas foram transformadas em pequenas bibliotecas comunitárias, pontos de desfibrilador, espaços de informação turística, estufas decorativas, mini galerias e elementos de preservação histórica.

O conjunto encontrado na floresta mostra um lado diferente dessa trajetória. Em vez de restauração ou reaproveitamento, as unidades aparecem acumuladas e sem destino visível. A quantidade chama atenção justamente porque cada cabine representa um objeto robusto, pesado e associado a uma fase importante da comunicação pública no Reino Unido.

Símbolo britânico também chegou a outros países

Embora seja imediatamente associada ao Reino Unido, a cabine vermelha também apareceu em outros territórios e países. Modelos semelhantes foram instalados em Gibraltar, Ilhas Malvinas, Chipre, Malta, Hong Kong, Canadá, Nova Zelândia, Israel, Normandia, Bélgica e Alemanha. Em muitos desses lugares, a estrutura preserva a memória da presença britânica, de antigas redes de comunicação ou de influências urbanas herdadas do período colonial e pós-colonial.

Por isso, o abandono de tantas unidades em uma floresta gera impacto visual e histórico. As cabines não são apenas peças antigas de telefonia. Elas representam uma época em que a comunicação pública dependia de estruturas fixas, moedas, cartões telefônicos e pontos de chamada espalhados pelas cidades.

O vídeo também mostra como objetos criados para durar décadas podem perder função rapidamente quando a tecnologia muda. O ferro fundido, a porta robusta, a placa branca e a cor vermelha permanecem, mas o serviço que justificava sua presença nas ruas praticamente desapareceu em muitos pontos.

A cena registrada em 24 de maio pelo VacantHaven transforma esse processo em imagem concreta: pilhas de cabines telefonicas vermelhas, empurradas para fora do cotidiano urbano e deixadas em meio à mata, cercadas por ferrugem, árvores, veículos antigos e silêncio.

Este artigo foi elaborado com base no vídeo publicado pelo canal VacantHaven em 24 de maio, que mostra a exploração de uma área de floresta no sul de Londres com centenas de cabines telefônicas vermelhas abandonadas, além das informações históricas fornecidas sobre os modelos britânicos K1 a K8, sua fabricação, materiais, substituição e presença atual no Reino Unido.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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