Pênis bovino chega a US$ 6 mil por tonelada no mercado chinês e reforça a exportação de carne, aumentando a rentabilidade do boi brasileiro.
A exportação de pênis bovino tem ganhado relevância na pauta da carne brasileira destinada ao mercado chinês, tornando-se um dos subprodutos mais valorizados do boi. O item, conhecido tecnicamente como vergalho, é comercializado de forma contínua, segue protocolos sanitários rigorosos e pode alcançar até US$ 6 mil por tonelada.
O movimento ocorre principalmente a partir de Mato Grosso, onde a cadeia produtiva se reorganizou para aproveitar integralmente o animal e ampliar a rentabilidade da exportação.
Esse avanço é impulsionado por hábitos culturais asiáticos, especialmente na China, onde o consumo integral do boi faz parte da tradição alimentar.
-
Indonésia compra frango, carne e grãos do Brasil para abastecer 280 milhões de habitantes, mas o presidente do quarto país mais populoso do mundo declarou autossuficiência em arroz, zerou importações que chegaram a 4,52 milhões de toneladas e agora mira açúcar, soja e trigo em uma virada alimentar que pode mudar o que o agro brasileiro vende ao gigante asiático
-
Drones jogarão sementes do céu nos Emirados Árabes para tentar plantar 100 milhões de manguezais até 2030: máquinas voadoras carregam até 6 mil sementes por voo, disparam mudas na lama das marés e transformam o litoral de Abu Dhabi em uma muralha verde contra carbono, calor e avanço do mar
-
Egito importa 12 milhões de trigo da Rússia, Ucrânia, Romênia, França e Bulgária e comprou 6,5 milhões de toneladas de milho brasileiro, mas agora quer criar um império agrícola no deserto: plano de autossuficiência mira lavouras irrigadas, ameaça fornecedores globais de grãos e acende alerta para o Brasil no tabuleiro alimentar da África
-
O que fez a China olhar para a carne brasileira sem desmatamento, transformar a soja sustentável em peça valiosa dessa nova corrida verde e colocar alimentos rastreáveis no centro do consumo premium
Assim, cortes pouco valorizados no mercado interno brasileiro encontram demanda consistente no exterior.
Como resultado, a exportação de pênis bovino passou a representar uma fonte adicional de receita para frigoríficos e pecuaristas.
Veja mais: Pronara mira defensivos ultraperigosos e reacende debate sobre agrotóxicos

Mercado chinês valoriza aproveitamento integral do boi
No mercado chinês, a lógica de consumo difere da observada no Brasil. Enquanto por aqui o foco costuma estar em cortes nobres, como picanha e maminha, na China há espaço para praticamente todas as partes do boi.
O pênis bovino é utilizado em pratos cozidos, ensopados e receitas tradicionais, sendo apreciado pela textura e pela capacidade de absorver temperos e caldos.
Esse padrão de consumo sustenta uma demanda estável. Segundo o Instituto Mato-Grossense da Carne, a estratégia contribui para reduzir desperdícios e aumentar a eficiência econômica da cadeia produtiva da carne.
Dessa forma, o aproveitamento integral do boi se transforma em vantagem competitiva para o Brasil no comércio internacional.
Veja mais: Preços do açúcar em baixa freiam investimentos na cana de açúcar
Exportação regular e mercado consolidado
De acordo com o gerente de marketing da SulBeef, Alan Gutierrez, a exportação do subproduto ocorre de maneira contínua.
“A comercialização do vergalho in natura é contínua, com volume médio mensal entre quatro e cinco toneladas”, afirma.
Segundo ele, a regularidade indica que o pênis bovino já possui um mercado consolidado no exterior.
Enquanto isso, no mercado interno brasileiro, o produto tem destino bem diferente. Normalmente, é utilizado como petisco para cães e comercializado a preços mais baixos, com valor médio de cerca de R$ 21 por quilo.
Essa diferença evidencia o potencial de valorização do item quando direcionado à exportação de carne para a China.
Valor agregado amplia rentabilidade da carne brasileira
No comércio internacional, o pênis bovino pode atingir preços significativamente mais elevados. Exportado in natura, o produto segue exigências sanitárias específicas impostas pelos países importadores, o que agrega valor e garante segurança alimentar.
Com isso, a carne brasileira amplia sua competitividade e diversifica o portfólio de itens destinados ao mercado chinês.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-Grossense da Carne, Bruno de Jesus Andrade, esse movimento reflete a maturidade do setor.
“Mato Grosso tem uma pecuária robusta, eficiente e cada vez mais alinhada às exigências internacionais. A capacidade de acessar diferentes mercados, inclusive para subprodutos, mostra o nível de organização da cadeia produtiva”, afirma.
Diversificação reduz riscos e fortalece a exportação
Além de aumentar a rentabilidade, a diversificação de produtos e destinos reduz a exposição do setor a oscilações de mercado.
Ao atender diferentes perfis de consumo, a carne brasileira ganha resiliência e amplia sua presença global.
Nesse contexto, o pênis bovino deixa de ser um subproduto marginal e passa a integrar uma estratégia mais ampla de exportação.
Segundo Andrade, essa lógica fortalece toda a cadeia produtiva. “Quando ampliamos o portfólio e atendemos mercados com diferentes perfis de consumo, aumentamos a competitividade da carne produzida em Mato Grosso no cenário global”, conclui.
Tendência reforça protagonismo do Brasil no mercado chinês
Com a China mantendo a posição de principal destino da carne bovina brasileira, a valorização de subprodutos como o pênis bovino tende a ganhar ainda mais espaço.
A combinação entre tradição cultural asiática, eficiência produtiva e capacidade logística coloca o Brasil em posição estratégica.
Assim, ao transformar o aproveitamento integral do boi em oportunidade de negócio, a exportação brasileira reforça sua relevância no mercado chinês e amplia as fronteiras da carne nacional no comércio internacional.

-
1 pessoa reagiu a isso.