Registro aéreo feito em Garopaba mostra milhares de tainhas concentradas no mar durante a safra catarinense, enquanto outra captura em Imbituba alcançou volume histórico, segundo pescadores locais, em um período que movimenta a economia e a pesca artesanal no litoral de Santa Catarina.
Milhares de tainhas formaram uma grande mancha escura no mar cristalino da Praia da Vigia, em Garopaba, no Sul de Santa Catarina, durante uma captura registrada na manhã de segunda-feira (25).
Segundo a estimativa atribuída ao morador Luiz Henrique da Silva, autor das imagens aéreas, cerca de 20 mil peixes foram cercados pelos pescadores no lanço realizado próximo à faixa de areia.
No registro, o cardume aparece concentrado em formato circular, enquanto a rede envolve os peixes e mobiliza pescadores, moradores e pessoas que acompanhavam a movimentação na praia durante a retirada.
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Vistas do alto, as imagens mostram o contraste entre a concentração escura de tainhas e a transparência da água, o que permite observar a dimensão do cerco formado durante a pescaria.
A captura em Garopaba ocorreu dentro da temporada da pesca artesanal da tainha em Santa Catarina, iniciada em 1º de maio, conforme o calendário aplicado à atividade no litoral do estado.
No estado, a safra envolve famílias, ranchos de pesca, restaurantes, comércio local e comunidades que preservam práticas associadas à colonização açoriana há mais de dois séculos.
Cardume gigante mobiliza pescadores em Garopaba

Na Praia da Vigia, os peixes foram avistados no mar antes do cerco, etapa necessária para orientar a ação dos pescadores e definir o momento de lançar a rede.
Após o aviso dos vigias, pescadores se organizaram na areia, entraram no mar com a embarcação e conduziram a rede ao redor do cardume para reduzir a dispersão das tainhas.
A captura depende de uma sequência coordenada entre quem observa o mar, quem conduz o barco e quem permanece na faixa de areia para ajudar no recolhimento da rede.
Em diferentes pontos do litoral catarinense, moradores e visitantes também costumam participar da puxada, seguindo a orientação dos pescadores responsáveis pelo lanço.
As imagens feitas por Luiz Henrique da Silva registraram o momento em que o cardume ficou concentrado em uma área visível da praia, próximo ao trecho onde a rede foi recolhida.
O efeito visual descrito como uma mancha escura no mar foi provocado pela grande quantidade de tainhas reunidas dentro do cerco durante a operação de pesca.
Embora a contagem exata de peixes em capturas desse porte seja difícil, a estimativa divulgada pelo autor das imagens aponta aproximadamente 20 mil tainhas no lanço de Garopaba.
A informação apresenta a dimensão aproximada da captura, mas não substitui a medição técnica por pesagem, procedimento usado com frequência quando a quantidade retirada do mar é elevada.
Captura histórica de tainha em Itapirubá Norte
Além de Garopaba, a safra registrou outro resultado de grande volume no Sul catarinense, em uma área também ligada à pesca artesanal da tainha.

Na Praia de Itapirubá Norte, em Imbituba, pescadores retiraram cerca de 70 toneladas de tainha em dois lanços, quantidade tratada como histórica por trabalhadores da atividade.
Nesse caso, os peixes não foram contabilizados individualmente, mas pesados após a retirada do mar, segundo o procedimento usado em capturas com grande volume.
A pesagem permite medir a produção de maneira mais viável quando a quantidade de peixes é elevada e a contagem por unidade não atende à rotina operacional dos pescadores.
O resultado em Imbituba mostra a relevância econômica da tainha para cidades do litoral de Santa Catarina, especialmente durante os meses de maior presença dos cardumes na costa.
Durante a safra, a circulação do peixe abastece mercados, peixarias, restaurantes e vendas diretas, além de gerar renda para pescadores artesanais e suas famílias.
A concentração de grandes cardumes também altera a rotina das praias, principalmente em áreas onde a pesca artesanal ocupa espaço regular durante a temporada da tainha.
Em algumas regiões, ranchos, embarcações, redes e equipes de apoio permanecem na faixa de areia durante os períodos em que os peixes se aproximam da costa.
Safra da tainha movimenta o litoral catarinense
A tainha aparece em maior volume no litoral catarinense durante a migração reprodutiva, quando cardumes deixam a região da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e seguem em direção ao Norte.
Esse deslocamento está associado às frentes frias e à busca por águas adequadas à desova, dinâmica observada pelos pescadores durante a temporada da espécie.
Por causa desse comportamento, pescadores acompanham mudanças de vento, temperatura e maré antes de definir a possibilidade de entrada no mar e lançamento das redes.
Quando as condições favorecem a aproximação dos cardumes, os vigias passam a observar o mar a partir de costões, dunas ou pontos elevados próximos à praia.
Em Santa Catarina, a safra alcança diferentes cidades do litoral, com destaque para regiões como Florianópolis, Bombinhas, Laguna, Garopaba e Imbituba.
Cada localidade mantém formas próprias de organização, mas o arrasto de praia conserva elementos comuns, como o aviso dos olheiros e a puxada coletiva da rede.

A temporada de 2026 começou com limite maior de captura em Santa Catarina, de acordo com informações divulgadas pelo governo estadual sobre as regras da safra.
Para o arrasto de praia, modalidade associada à pesca artesanal, a autorização foi aberta em 1º de maio e segue o calendário definido para a gestão pesqueira.
Regras da pesca da tainha afetam praias e surfe
Em Florianópolis, a presença dos cardumes também interfere na prática de esportes no mar durante o período de maior atividade da pesca artesanal.
A Lei Municipal 10.020/2016 regulamenta o surfe durante a safra da tainha e foi considerada constitucional pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina em decisão divulgada em março de 2023.
Pela norma analisada pelo TJSC, o período de referência para a pesca da tainha na Ilha de Santa Catarina vai de 1º de maio a 10 de julho.
A regra permite o surfe em pontos determinados e prevê o uso de bandeiras verdes ou vermelhas em outras praias para indicar se a prática está liberada ou proibida.
A restrição tem como objetivo reduzir conflitos entre pescadores e surfistas durante os lanços, sobretudo quando os cardumes se aproximam da costa e exigem deslocamento rápido das embarcações.
Nos trechos onde a bandeira vermelha é instalada, a operação da pesca artesanal passa a ter prioridade, conforme a sinalização adotada durante a temporada da tainha.
Na decisão, o tribunal registrou que a regulamentação considera o interesse local, a subsistência dos pescadores, a economia ligada à atividade e a proteção do patrimônio cultural.
O entendimento também preservou a possibilidade de prática do surfe em áreas autorizadas e nos locais sem sinalização restritiva durante o período de vigência das regras.
Pesca artesanal depende de vigias e trabalho coletivo
A operação de pesca começa antes de a rede tocar a água, com a observação do mar pelos vigias posicionados em pontos estratégicos da praia ou dos costões.
Esses observadores acompanham sinais do cardume, como manchas, ondulações e alterações na superfície, para indicar aos pescadores o momento adequado de iniciar o cerco.
Quando a presença das tainhas é confirmada, o aviso chega aos pescadores que permanecem de prontidão na praia, onde barcos e redes ficam preparados para a saída.
Depois do alerta, a embarcação leva a rede para contornar os peixes e fechar o cerco, em uma ação que precisa ocorrer antes da dispersão do cardume.
A partir desse ponto, pescadores e ajudantes puxam as extremidades em direção à areia, em um trabalho que pode durar horas conforme o tamanho do cardume e as condições do mar.
Nas capturas maiores, como as registradas em Garopaba e Imbituba, a retirada exige coordenação entre a equipe do barco, os pescadores em terra e os apoiadores presentes na praia.
Esse trabalho coletivo integra a rotina da safra e reúne produção econômica, oferta de alimento fresco e preservação de práticas tradicionais do litoral catarinense.
A participação de moradores e curiosos na puxada da rede também ajuda a explicar a presença de público nas praias durante os lanços de tainha.
Mesmo quando não integram as equipes de pesca, algumas pessoas acompanham o trabalho de perto e auxiliam no recolhimento, sempre sob orientação dos pescadores responsáveis.
Ao fim do processo, os peixes são separados, pesados e destinados à comercialização ou ao consumo, conforme a organização de cada rancho de pesca.
Em capturas volumosas, a pesagem substitui a contagem individual e permite registrar a dimensão da safra com mais precisão operacional.
