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Patrimônio histórico em SP está abandonado há 8 anos: vila com 7 casas dos anos 1920 trava disputa judicial e espera tombamento desde 2006

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 24/11/2025 às 17:54
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Vila histórica na Zona Sul de São Paulo segue fechada há anos e aguarda decisão sobre tombamento, enquanto disputa judicial e falta de manutenção ampliam o risco de deterioração do conjunto.

Há oito anos, um dos últimos conjuntos residenciais históricos de São Paulo permanece fechado, em disputa judicial e sem definição sobre o tombamento.

A chamada Vilinha da Vila Mariana, na Rua Conselheiro Rodrigues Alves, 289, reúne sete casas erguidas entre as décadas de 1920 e 1930 e está vazia desde 2017, quando os moradores deixaram o local após a venda do terreno a uma incorporadora interessada em construir um novo empreendimento.

Arquitetura histórica e abandono prolongado

A vila, atualmente cercada por tapumes, mantém características arquitetônicas típicas das primeiras décadas do século 20, como sobrados geminados, fachadas alinhadas e um pátio interno.

A presença de vegetação e o formato do conjunto eram apontados por antigos moradores como elementos que favoreciam a convivência entre as famílias da área.

Com a retirada dos moradores e o fechamento dos acessos, o espaço deixou de receber manutenção.

O pátio antes utilizado pela vizinhança permanece vazio, e as estruturas seguem sem uso definido enquanto aguarda-se uma decisão administrativa e judicial sobre seu futuro.

Venda, desocupação e tentativa de demolição

Até 2017, toda a área pertencia a um único proprietário.

A venda do conjunto a uma incorporadora levou à notificação dos moradores para desocupação dos imóveis.

Após a saída das famílias, a empresa responsável pelo terreno iniciou preparativos para demolir as casas, etapa que, segundo os ex-residentes, incluía a abertura parcial de muros externos.

A demolição, porém, foi interrompida por decisão judicial obtida por antigos moradores, que pediram a suspensão dos trabalhos até que fosse analisado o valor histórico do conjunto.

Desde então, o imóvel permanece em condição de espera, sem autorização para intervenções significativas.

Tombamento solicitado e processo sem conclusão

A solicitação de tombamento da Vilinha foi apresentada pela primeira vez em 2006 por moradores que buscavam o reconhecimento do conjunto como patrimônio histórico.

O processo foi formalmente aberto pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) após a desocupação de 2017.

A abertura desse procedimento garante proteção provisória, mas a análise definitiva segue pendente.

Enquanto não há decisão, a área não pode ser demolida nem restaurada sem autorização.

Técnicos e representantes de entidades de preservação alertam que, nesse período, é comum que imóveis históricos sofram deteriorações devido à impossibilidade de obras estruturais.

Documentário registra trajetória da Vilinha

A trajetória da vila foi registrada pela atriz e cineasta Ana Petta, que viveu durante 14 anos em um dos sobrados.

Ela dirigiu o documentário “Amora”, produzido após a saída dos moradores.

A obra acompanha o olhar de seu filho, Pedro, que passou a infância no local, e utiliza relatos pessoais para contextualizar o impacto da desocupação e das mudanças no espaço.

“Amora” estreou na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, em 2025, e foi exibido posteriormente em festivais no México e no Uruguai.

Segundo organizadores e pesquisadores de patrimônio presentes nos eventos, o filme contribuiu para ampliar o debate sobre formas tradicionais de moradia e sobre a preservação de conjuntos arquitetônicos de pequeno porte na capital.

Especialistas em urbanismo apontam que obras audiovisuais como essa ajudam a documentar aspectos sociais de áreas em transformação, embora não substituam estudos técnicos sobre tombamento ou análise de impacto urbano.

Mobilização por preservação e incerteza sobre o futuro

Mesmo com o imóvel fechado, moradores da Vila Mariana, antigos residentes e entidades de preservação seguem realizando ações de sensibilização pública.

As iniciativas incluem campanhas, encontros e divulgação de informações sobre o processo administrativo.

Grupos que defendem a proteção afirmam que a Vilinha reúne elementos arquitetônicos e urbanísticos representativos do período de formação do bairro.

A incorporadora que adquiriu o terreno aguarda a decisão do Conpresp para definir se poderá executar o projeto original, adaptá-lo ou se estará impedida de realizar novas construções.

Até que haja definição, o imóvel segue sem utilização, situação que causa preocupação entre técnicos e instituições dedicadas ao patrimônio, que citam risco de deterioração progressiva quando edificações antigas ficam longos períodos sem manutenção.

Com estruturas expostas ao tempo, infiltrações e desgaste visível, o conjunto permanece em condição de indefinição.

A dúvida de moradores da região e de pesquisadores da área é se a decisão sobre o tombamento chegará a tempo de permitir a recuperação das casas ou se o conjunto perderá características essenciais antes de qualquer intervenção autorizada.

Qual será o destino da Vilinha da Vila Mariana após quase duas décadas de espera por uma decisão definitiva?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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