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Parece ficção, mas já foi criado: um pneu feito com arroz, óleo de girassol e resinas naturais promete durar até 500 mil km, enquanto outro conceito sem ar já nasceu com a proposta de ser infinitamente renovável

Escrito por Ana Alice
Publicado em 15/04/2026 às 22:34
Assista o vídeoPneu feito com arroz, óleo de girassol e resinas naturais pode durar 500 mil km; outro conceito sem ar mira uso renovável. (Imagem: Ilustrativa)
Pneu feito com arroz, óleo de girassol e resinas naturais pode durar 500 mil km; outro conceito sem ar mira uso renovável. (Imagem: Ilustrativa)
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Um pneu-conceito da Goodyear usa materiais como cinza da casca de arroz e mira uma durabilidade muito acima da média atual, enquanto a indústria testa caminhos para reduzir descarte, ampliar reaproveitamento e mudar a lógica de uso desse componente.

Um pneu com sílica de cinza de casca de arroz, óleo de girassol e resinas de pinheiro já foi apresentado pela Goodyear, mas ainda em fase de conceito.

Batizado de Eagle GO, o modelo foi desenvolvido para o carro-conceito Citroën oli e tem como meta alcançar até 500 mil quilômetros de vida útil.

Segundo a fabricante, essa marca não seria atingida apenas com um composto mais resistente.

A proposta combina materiais de origem menos fóssil, sensores de monitoramento e a possibilidade de renovar a banda de rodagem duas vezes ao longo da vida útil do produto.

Na prática, isso não significa que um único pneu sairia de fábrica e rodaria meio milhão de quilômetros nas condições de uso de um modelo convencional.

De acordo com a Goodyear, o objetivo depende do reaproveitamento da carcaça e da renovação da banda, parte que se desgasta no contato com o solo.

No caso do Eagle GO, a companhia informa que a profundidade de 11 milímetros da banda permitiria duas renovações.

Com isso, a quilometragem total do conjunto seria ampliada ao longo do tempo.

Como funciona o pneu Eagle GO da Goodyear

A referência ao arroz está no uso de sílica obtida da cinza da casca do grão, um resíduo do processamento industrial.

Segundo a Goodyear, esse material pode reduzir o descarte em aterros e substituir parte de insumos de origem fóssil empregados na composição tradicional dos pneus.

Ao lado desse componente, o conceito utiliza óleo de girassol, resinas de pinheiro e borracha natural.

De acordo com a fabricante, a banda de rodagem do Eagle GO foi formulada com materiais quase todos sustentáveis ou reciclados.

Esse desenvolvimento também está alinhado à proposta do Citroën oli, projeto criado para reduzir peso e simplificar componentes.

No carro-conceito, o pneu trabalha com uma roda híbrida de aço e alumínio.

A Stellantis informou, no lançamento do modelo, que essa solução é 15% mais leve do que uma roda equivalente produzida inteiramente em aço.

Goodyear Eagle GO aposta em várias frentes para 'esticar' sua longevidade (Imagem: Divulgação)
Goodyear Eagle GO aposta em várias frentes para ‘esticar’ sua longevidade (Imagem: Divulgação)

Segundo a empresa, a redução contribui para diminuir a massa total do veículo e aliviar o esforço sobre o conjunto pneu-roda.

Outro ponto do projeto é o monitoramento eletrônico.

O pneu foi apresentado com a tecnologia Goodyear SightLine, que usa sensor embarcado para acompanhar parâmetros de uso e condição da peça em tempo real.

Segundo a companhia, esse sistema permite identificar situações fora das condições ideais de rodagem e indicar com mais precisão o momento adequado para a renovação da banda.

A proposta também busca reduzir desperdícios e melhorar a gestão do desgaste.

Até agora, porém, o Eagle GO segue no campo conceitual.

A Goodyear apresentou o modelo em setembro de 2022, e não há anúncio oficial de produção em massa nem de lançamento comercial para o consumidor.

Por isso, a meta de 500 mil quilômetros deve ser entendida como um objetivo técnico vinculado ao estudo.

Não se trata, neste momento, de uma especificação de um pneu disponível no mercado.

Michelin Vision e a busca por pneus mais duráveis

A tentativa de ampliar a durabilidade dos pneus não se restringe à Goodyear.

Em outra frente, a Michelin desenvolveu o Vision Concept, um conjunto de roda e pneu sem ar que a empresa descreve como “infinitamente renovável”.

Apresentado como parte de uma visão de mobilidade sustentável para 2050, o conceito tem estrutura airless, uso de materiais renováveis ou reciclados e possibilidade de renovação da banda por impressão 3D.

A proposta é manter a estrutura e substituir apenas a parte sujeita ao desgaste.

Nesse ponto, a lógica se aproxima da adotada no Eagle GO.

Em ambos os casos, a indústria tenta reduzir a necessidade de descarte integral do pneu sempre que a área de contato com o solo perde eficiência.

Ainda assim, o Vision Concept também permanece em estágio experimental.

A Michelin não divulgou uma meta pública de quilometragem equivalente à informada pela Goodyear para o Eagle GO.

Enquanto essas soluções mais radicais seguem em desenvolvimento, os fabricantes avançam no mercado por caminhos menos disruptivos.

Um dos principais focos está na química dos compostos usados na fabricação.

Sílica, desgaste e novas tecnologias para pneus

Nesse contexto, ganha espaço a combinação entre sílica e agentes de acoplamento empregados para melhorar a interação desse material com a borracha.

Quando essa dispersão ocorre de forma eficiente, o resultado pode incluir menor perda energética e maior resistência ao desgaste, segundo a própria indústria.

Além da formulação química, entram nessa equação o desenho da banda de rodagem, a construção da carcaça e o controle do desgaste.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que algumas marcas passaram a oferecer garantias de rodagem superiores à média histórica dos pneus de passeio.

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Goodyear Assurance MaxLife 2 já está no mercado

Um exemplo citado pela Goodyear é o Assurance MaxLife 2, lançado pela empresa em 23 de julho de 2025 nos Estados Unidos e no Canadá.

A fabricante o apresenta como seu pneu de passeio mais durável até agora.

Segundo a companhia, o modelo tem garantia limitada de vida útil da banda de 85 mil milhas, o equivalente a cerca de 140 mil quilômetros.

A marca atribui esse desempenho à chamada TredLife Technology.

De acordo com a empresa, essa tecnologia reúne composto químico aprimorado, desenho de banda de rodagem e indicadores de desgaste.

Trata-se, portanto, de um avanço aplicado a um produto comercial, e não apenas a um protótipo.

A diferença entre esse tipo de pneu e os conceitos experimentais ajuda a situar o estágio atual da tecnologia.

De um lado, a indústria já oferece no mercado modelos com durabilidade ampliada e garantias superiores às de pneus convencionais.

De outro, projetos como Eagle GO e Vision Concept tentam redesenhar o ciclo de vida do produto.

A proposta inclui reaproveitamento estrutural, renovação programada e uso mais amplo de matérias-primas renováveis ou recicladas.

A adoção em larga escala, no entanto, ainda depende de fatores como viabilidade industrial, custo, logística de renovação e padronização.

No caso do Eagle GO, o que está confirmado até agora é a apresentação de um pneu-conceito voltado a ampliar a durabilidade e reduzir a dependência de derivados de petróleo.

Nesse cenário, o uso de cinza da casca de arroz aparece como parte da estratégia de incorporar resíduos industriais à composição da banda de rodagem.

A aplicação desse material foi divulgada pela Goodyear como um dos elementos centrais do projeto.

A promessa de maior durabilidade, portanto, está vinculada a uma proposta técnica já apresentada publicamente, mas ainda sem chegada ao mercado confirmada.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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