Inaugurado em 1971 e projetado por Sérgio Bernardes, o Hotel Tambaú marcou João Pessoa com formato circular, integração direta com a praia, desafios de engenharia, status de patrimônio histórico e processo de reabertura
O Hotel Tambaú, edifício circular inaugurado em 1971 em João Pessoa, reuniu 170 apartamentos à beira-mar, marcou a arquitetura modernista no Nordeste e virou referência turística por unir vista, ventilação, praia e engenharia em uma obra incomum.
Hotel Tambaú rompeu o padrão dos hotéis à beira-mar
Projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes, o hotel nasceu com uma forma circular encravada nas areias da praia de Tambaú.
O desenho em anel afastou a obra do modelo tradicional de torres verticais comuns em áreas litorâneas.
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A proposta permitiu que todos os apartamentos tivessem vista, seja para o Oceano Atlântico, seja para os jardins internos.
A circulação da brisa marítima foi favorecida pelo formato, reduzindo a dependência de ar-condicionado em larga escala.
As rampas e a ligação direta com a areia reforçaram a integração entre hotel, praia e paisagem. Documentos de arquitetura histórica analisados pelo IPHAEP apontam a solução de aterrar a estrutura para que o mar tocasse as bordas na maré alta.

Engenharia enfrentou areia, maresia e marés
Construir um hotel sobre dunas e em contato permanente com a ação do mar exigiu soluções complexas. A fundação precisou lidar com instabilidade da areia, avanço das marés, erosão contínua e salinidade intensa no ambiente costeiro.
O concreto usado na obra teve de resistir à maresia agressiva e aos efeitos permanentes da umidade. A contenção estrutural também foi decisiva para manter o edifício firme em um terreno diferente dos hotéis separados da praia por avenidas ou calçadões.
Enquanto um hotel litorâneo padrão costuma ter ventilação e luz mais concentradas nos quartos frontais e laterais, o anel do Hotel Tambaú otimizou esses elementos em 360 graus, com pátio tropical central e piscinas.
Símbolo impulsionou turismo de luxo na Paraíba
O hotel ajudou a impulsionar o desenvolvimento do bairro de Tambaú e colocou João Pessoa no roteiro do turismo de luxo durante a década de 1970. Sua presença transformou a orla em referência visual da capital paraibana.
Em sua trajetória, recebeu presidentes, artistas, eventos, convenções internacionais e visitantes em busca da experiência litorânea modernista. O complexo passou a funcionar como ponto geográfico de referência em toda a orla.
Entre os dados centrais da obra estão o projeto assinado por Sérgio Bernardes, a capacidade original de 173 apartamentos, o formato circular com pátio tropical central e piscinas, além da proteção como patrimônio histórico.
Fechamento trouxe preocupação com degradação
Após a crise da antiga rede administradora, o hotel foi leiloado e fechou as portas na última década. O encerramento das atividades gerou preocupação com a degradação da estrtura de concreto, exposta ao ambiente salino e à maresia.
O abandono temporário de um complexo desse porte atingiu não apenas a economia local. Também levantou alerta sobre a preservação da memória arquitetônica nacional, já que o edifício representa uma das obras conhecidas do modernismo no Nordeste.
A revitalização em curso busca recuperar pilares, modernizar suítes e preparar a reabretura do complexo. O objetivo é devolver o espaço à sociedade paraibana como polo turístico e cultural, sem descaracterizar as linhas curvas concebidas por Bernardes.

Legado permanece na paisagem de João Pessoa
O Hotel Tambaú mostra que a arquitetura tropical pode ser monumental sem apagar a linha do horizonte da praia.
A obra valoriza ventos, topografia, integração com a areia e uma relação direta entre conforto, paisagem e desenho arquitetônico.
Para moradores e turistas, a silhueta circular na praia de Tambaú continua ligada à identidade de João Pessoa. O prédio de concreto e vidro abraça o mar e segue como orgulho do modernismo na Paraíba.
Com informações de BMC News.

