Restaurado em Moffett Field, perto de Mountain View, o Hangar Um passou por descontaminação, novo revestimento e acordo de 60 anos com a Planetary Ventures, subsidiária imobiliária do Google, enquanto NASA, comunidade e preservacionistas disputam o futuro educativo, tecnológico e histórico da estrutura erguida para o dirigível militar USS Macon.
O hangar gigante conhecido como Hangar Um voltou ao centro das atenções no Vale do Silício após a conclusão de sua restauração em Moffett Field, perto de Mountain View, na Califórnia. Em 20 de março de 2026, autoridades e integrantes da comunidade se reuniram dentro da estrutura restaurada para marcar uma etapa aguardada havia anos.
As informações foram divulgadas em 03 de abril de 2026 pelo New Atlas, em reportagem de Michael Franco. O hangar, que hoje está sob controle da Planetary Ventures, subsidiária imobiliária do Google, carrega uma história incomum: nasceu em 1933 para abrigar o dirigível USS Macon, enfrentou contaminação por materiais tóxicos e agora pode entrar em uma nova fase ligada a drones, robôs, balões e tecnologias aéreas.
Hangar Um nasceu para receber um “porta-aviões voador”

O Hangar Um foi construído pela Marinha dos Estados Unidos em 1933 para servir como base da Costa Oeste do USS Macon, um dirigível de 239 metros de comprimento. A aeronave era conhecida pela capacidade de lançar aviões menores em pleno ar, o que lhe rendeu a comparação com um “porta-aviões voador”.
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O Macon caiu em 1935 durante uma tempestade perto de Point Sur, na Califórnia, mas o hangar permaneceu de pé e se tornou um dos marcos mais reconhecíveis da região da Baía de São Francisco. A estrutura deixou de ser apenas abrigo de aeronave e passou a simbolizar uma época de ambição extrema na engenharia aérea.
Estrutura caberia oito campos de futebol em seu interior
O tamanho do Hangar Um ajuda a explicar por que ele se tornou tão marcante em Moffett Field. A estrutura ocupa cerca de oito acres, mede aproximadamente 345 metros de comprimento e 94 metros de largura, com teto que chega a 60 metros de altura.
Segundo a fonte, oito campos de futebol caberiam dentro do espaço interno. Esse volume gigantesco é parte do que torna o hangar tão raro, principalmente em uma área próxima ao coração do Vale do Silício, onde terrenos estratégicos e estruturas industriais desse porte são cada vez mais disputados.
Legado tóxico quase levou o ícone à demolição

A fase mais crítica do Hangar Um começou depois que a NASA descobriu, em 1997, bifenilos policlorados, conhecidos como PCBs, na bacia de drenagem pluvial do centro. Em 2002, análises apontaram que o revestimento externo original do hangar era uma das fontes da contaminação, junto com amianto e tinta à base de chumbo.
O hangar foi desativado em 2003. Quando a Marinha propôs demolir a estrutura, ambientalistas, preservacionistas e veteranos se mobilizaram para impedir a perda do edifício histórico. A disputa transformou o Hangar Um em um caso raro de preservação envolvendo memória militar, risco ambiental e patrimônio arquitetônico.
Google entrou quando a NASA não tinha recursos para recuperar o espaço
Com restrições orçamentárias, a NASA não tinha condições de conduzir sozinha uma recuperação ampla do local. A agência colocou Moffett Field, uma área de cerca de 1.000 acres, em um processo competitivo de arrendamento, com a restauração do Hangar Um como uma das exigências.
A Planetary Ventures, subsidiária imobiliária do Google, assumiu um acordo de 60 anos que inclui o campo aéreo, três hangares, duas pistas e um campo de golfe. O contrato envolve US$ 1,16 bilhão em aluguel e economia anual de US$ 6,3 milhões para a NASA, além do compromisso de investir mais de US$ 200 milhões na propriedade e criar uma instalação educacional aberta ao público.
Restauração preservou aparência histórica e removeu materiais perigosos
O trabalho físico de restauração começou em 2022 e foi concluído em 1º de dezembro de 2025. O projeto enfrentou décadas de contaminação e deterioração estrutural, removendo materiais tóxicos, tratando a armação de aço e instalando novo revestimento, janelas e portas.
O novo acabamento usou painéis metálicos em tom de alumínio prateado, buscando recuperar a aparência histórica associada ao visual original da década de 1930. A fonte informa que a EPA certificou a remediação completa em 2026, mas não detalha a data exata dessa certificação. O resultado devolveu ao Vale do Silício uma estrutura que chegou a parecer condenada.
Futuro pode envolver drones, robôs, balões e pesquisa aérea
O uso exato do interior do Hangar Um ainda não está totalmente definido. A Planetary Ventures afirmou apenas estar comprometida com inovação, enquanto a fonte aponta que o espaço é especialmente adequado para testar drones, balões e sistemas aéreos de grande escala.
O Google também planeja usar Moffett Field para pesquisa e desenvolvimento em exploração espacial, aviação, robótica e outras tecnologias. A combinação entre volume interno gigantesco, campo aéreo ativo e proximidade da sede do Google cria uma condição difícil de replicar por concorrentes no Vale do Silício.
Comunidade ainda cobra museu e acesso público à história do Hangar Um
Apesar do potencial tecnológico, parte da comunidade defende que o Hangar Um também preserve sua memória pública. A proposta de um museu sobre o USS Macon e a história dos voos mais leves que o ar ganhou força entre apoiadores da preservação do local.
A ex-congressista Anna Eshoo, apresentada pela fonte como uma das principais defensoras políticas do hangar, tratou a criação de um museu como prioridade. O contrato do Google exige uma instalação educacional, mas a formulação deixa margem para interpretação sobre formato, conteúdo e acesso.
Hangar Um vira símbolo entre memória, contaminação e tecnologia
O Hangar Um chega à nova fase carregando camadas muito diferentes de significado. Ele nasceu como base de uma aeronave militar gigantesca, tornou-se ícone visual de Moffett Field, enfrentou uma crise de contaminação e agora aparece associado ao futuro de tecnologias aéreas no Vale do Silício.
A pergunta que fica é qual destino faria mais sentido para uma estrutura desse porte: virar laboratório fechado de inovação do Google, museu aberto ao público, centro educacional ou uma combinação entre tecnologia e memória histórica? Deixe sua opinião nos comentários.

