Paralisação de ônibus em São Paulo expõe disputa pelo 13º salário, afeta 3,3 milhões de passageiros, faz congestionamento bater 1.486 km, suspende o rodízio municipal e obriga Metrô e CPTM a segurar o pico nesta terça-feira caótica em tarde de 2025, ampliando atrasos nas conexões de terminais estratégicos da capital.
A paralisação de ônibus em São Paulo nesta terça-feira (9) paralisou parte da frota em plena tarde, deixou 3,3 milhões de passageiros sem atendimento regular e pressionou o sistema viário a um recorde de 1.486 km de congestionamento em 2025, segundo monitoramento do trânsito. Ônibus passaram a desembarcar passageiros nos terminais e retornar vazios para as garagens, criando um vácuo imediato no transporte coletivo de superfície.
Ao mesmo tempo, o impasse trabalhista entre empresas, motoristas e cobradores em torno do pagamento do 13º salário e do vale-refeição das férias até o dia 12 expôs um conflito direto com a Prefeitura, que afirma estar com todos os repasses em dia. A crise levou à suspensão do rodízio de veículos nesta terça-feira (9) e obrigou Metrô e CPTM a reforçar trens e intervalos para absorver parte da demanda desviada dos ônibus.
O que motivou a paralisação de ônibus em São Paulo
De acordo com o Sindimotoristas, a paralisação de ônibus em São Paulo foi deflagrada após as empresas informarem, nesta terça-feira (9), que não fariam o pagamento do 13º salário e do vale-refeição das férias até o dia 12, apesar de terem assumido esse compromisso anteriormente.
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O sindicato afirma que a categoria foi surpreendida pela mudança de posição das concessionárias, o que levou à paralisação parcial em 15 empresas e ao impacto imediato sobre milhões de passageiros.
O protesto se dá no contexto da negociação de direitos trabalhistas básicos, em um setor com forte dependência de mão de obra em turnos fracionados e jornadas prolongadas.
A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, informou que “os repasses às empresas de ônibus estão em dia” e que a responsabilidade pelo pagamento do 13º salário e demais benefícios é exclusiva das concessionárias, afastando qualquer hipótese de atraso financeiro por parte do município.
O que disse a Prefeitura e como o conflito foi enquadrado
Em entrevista à TV Globo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que as empresas “não têm nenhuma justificativa” para atrasar o 13º de motoristas e cobradores e classificou a paralisação como resultado de uma “ação irresponsável” das concessionárias.
Segundo o prefeito, “não tem em atraso nenhum centavo da Prefeitura de São Paulo para as empresas”, e cabe às operadoras manter 13º salário e férias em dia com os trabalhadores.
Nunes informou ainda que conversou com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para reforçar o apoio do Metrô e da CPTM durante a interrupção parcial do serviço, tentando mitigar os efeitos sobre os 3,3 milhões de passageiros afetados.
Na prática, o recado do Executivo municipal busca isolar politicamente as empresas, transferindo para elas a pressão da opinião pública pelo colapso parcial da oferta de ônibus em plena tarde de um dia útil.
Como a paralisação afetou passageiros, terminais e o dia a dia
A paralisação de ônibus em São Paulo afetou diretamente 3,3 milhões de pessoas, segundo levantamento divulgado ao longo da tarde.
Na operação, ônibus passaram a desembarcar passageiros nos terminais e retornar imediatamente às garagens, esvaziando a oferta em corredores estruturais e linhas de grande demanda.
Nos terminais de bairro e nas estações integradas, a consequência foi imediata: plataformas cheias, longas esperas e disputa por espaço em poucos veículos circulando.
No Terminal Jardim Ângela, o designer gráfico Fabio Miranda Vidal relatou ter aguardado ônibus desde 16h30, enquanto um carro por aplicativo para sua casa chegava a R$ 200, contra menos de R$ 70 em condições normais, evidenciando o salto de preço no transporte individual por aplicativo.
Imagens de terminais estratégicos, como Pinheiros e Itaquera, mostraram passageiros aglomerados, painéis de linha sem previsão clara de saída e coletivos ausentes das plataformas.
Em alguns pontos, terminais chegaram a ficar quase vazios de ônibus, com usuários espalhados pelas calçadas à espera de alternativas, criando um cenário de colapso parcial da mobilidade em horários de pico estendidos.
Trânsito recorde, rodízio suspenso e pressão sobre Metrô e CPTM
Com a paralisação de ônibus em São Paulo e a corrida por alternativas, a capital registrou 1.486 km de congestionamento às 19h, o maior índice de trânsito de 2025.
A combinação de frota de ônibus reduzida, migração maciça para carros, aplicativos e lotações fez os eixos viários travarem em praticamente todas as zonas da cidade.
Diante do cenário, a Prefeitura suspendeu o rodízio de veículos nesta terça-feira (9), em tentativa de aliviar o impacto sobre motoristas que dependem do carro para substituir linhas de ônibus paralisadas.
Paralelamente, as linhas do Metrô e da CPTM reforçaram a frota em operação, ampliando trens em circulação para absorver a demanda adicional, especialmente em conexões com grandes terminais de ônibus e estações de transferência.
Os trilhos, porém, também sentiram os efeitos: com trens mais cheios, plataformas congestionadas e aumento do tempo de embarque, a sobrecarga se espalhou para todo o sistema de transporte metropolitano, tornando a viagem mais lenta em praticamente todas as direções.
Empresas e corredores mais atingidos pela paralisação
A paralisação de ônibus em São Paulo se concentrou em 15 empresas de concessão, atingindo bairros densamente povoados, terminais estruturais e importantes ligações com o Centro e áreas de escritórios.
Entre os principais grupos afetados estão Gatusa, Transunião, Movebuss, KPBX e Mobibrasil, com dezenas de linhas estratégicas paradas.
Na Gatusa, foram paralisadas, entre outras, linhas que conectam a zona sul ao centro expandido e a polos empresariais:
- N702-11 Terminal Santo Amaro x Terminal Parque Dom Pedro II
- 637P-10 Terminal Santo Amaro x Terminal Pinheiros
- 675N-10 Terminal Santo Amaro x Metrô Ana Rosa
- 709G-10 Terminal Guarapiranga x Itaim Bibi
- 709M-10 Terminal Santo Amaro x Terminal Pinheiros
- 709P-10 Estação Santo Amaro / Av. Guido Caloi x Terminal Pinheiros
- 5154-10 Terminal Santo Amaro x Terminal Princesa Isabel
- 5300-10 Terminal Santo Amaro x Terminal Parque Dom Pedro II
- 6200-10 Terminal Santo Amaro x Terminal Bandeira
- 6291-10 Inocoop Campo Limpo x Terminal Bandeira
- 6414-10 Socorro x Terminal Bandeira
- 6422-10 Vila Cruzeiro x Terminal Bandeira
- 7245-10 Terminal Santo Amaro x Hospital das Clínicas
- 7550-10 Terminal Santo Amaro x Metrô Santa Cecília
Na Transunião, a lista atinge conexões essenciais da zona leste com CPTM e Metrô:
- 3006-10 Jardim Fanganielo x CPTM Guaianases
- 3008-10 Jardim Miriam x CPTM Itaim Paulista
- 3009-10 Itaim Paulista x CPTM Itaim Paulista
- 3010-10 Cemitério da Saudade x Terminal A. E. Carvalho
- 3026-10 Vila Iolanda II x CPTM Guaianases
- 3064-10 Cidade Tiradentes x CPTM Guaianases
- 3754-10 Inácio Monteiro x Metrô Itaquera
- 3756-10 Barro Branco x Metrô Itaquera
- 3768-10 Vila Yolanda x CPTM José Bonifácio
- 4051-10 Jardim São Paulo x CPTM Guaianases
- 4052-10 CPTM Guaianases x Metrô Itaquera
- 4053-10 Guaianases x CPTM Guaianases
- 4055-10 CPTM Guaianases x Vila Solange
- 4506-10 Jardim Maria Estela x Metrô Vila Mariana
E ainda:
- 2008-10 Jardim Nossa Senhora do Caminho x CPTM Itaim Paulista
- 2009-10 Jardim Robru x CPTM Guaianases
- 2021-10 Jardim Bandeirantes x CPTM Guaianases
- 2201-10 Divisa de Ferraz de Vasconcelos x CPTM Guaianases
- 2590-10 União de Vila Nova x Parque Dom Pedro II
- 2702-10 Vila Americana x Metrô Artur Alvim
- 2703-10 Jardim Etelvina x Metrô Itaquera
- 2704-10 Jardim Robru x Metrô Itaquera
- 2705-10 Jardim Fanganielo x Metrô Itaquera
- 2707-10 Chabilândia x Metrô Itaquera
- 2708-10 Jardim Lajeado x Metrô Itaquera
- N333-11 Terminal São Miguel x Cidade Kemel
- 407T-10 Jardim Redil x Metrô Itaquera
- 476G-10 Jardim Elba x Ibirapuera
- 476G-41 Vila Industrial x Metrô Ana Rosa
- 573A-10 Metrô Bresser x Vila Alpina (Circular)
- 574C-10 São Mateus x Divisa de São Caetano
- 574R-10 Terminal Sapopemba x Metrô Belém
- 575A-10 Divisa de São Caetano x Shopping Metrô Tatuapé
- 2004-10 Jardim Nossa Sra. do Caminho x CPTM Guaianases
- 2005-10 Jardim Romano x São Miguel
- 2006-10 Cidade Kemel x CPTM Itaim Paulista
- 2007-10 Cidade Kemel II x CPTM Itaim Paulista
Na Movebuss, que atua em importantes eixos da zona leste e sudeste, foram afetadas linhas como:
- 4028-10 Hospital São Mateus x Divisa de Mauá
- 4029-10 São Mateus x Terminal Vila Prudente (Via Avenida Vila Ema)
- 4030-10 Fazenda da Juta x Shopping Aricanduva
- 4031-10 Parque Santa Madalena x Metrô Tamanduateí
- 4032-10 Vila das Mercês x Objetivo Unip
- 4716-10 Metrô Tamanduateí x Metrô Santa Cruz
- 4729-10 Parque Bancário x Metrô Belém
- 4734-10 Vila Moraes x Metrô Saúde
- 4734-21 Vila Moraes x Metrô Saúde (Via Avenida do Cursino)
- 4735-10 São Mateus x Jardim Vera Cruz
- 5020-10 Hospital Heliópolis x Terminal Sacomã
- 5025-10 Jardim Guairacá x Metrô Tamanduateí
- 5031-10 Vila Arapuá x Terminal Sacomã
- 5032-10 Vila Arapuá x Terminal Sacomã (Via Metrô Tamanduateí)
- 5035-10 Vila Arapuá x Terminal Sacomã (Via São João Clímaco)
E ainda:
- N534-11 Terminal Sacomã x Vila Arapuá
- N536-11 Terminal Sacomã x Jardim Itápolis
- N539-11 Terminal Sacomã x Hospital Heliópolis
- 364A-10 Hospital Ipiranga x Shopping Aricanduva
- 373T-10 Jardim Itápolis x Metrô Bresser
- 414P-10 Vila Industrial x Metrô Carrão
- 514T-10 Terminal Sacomã x Conjunto Habitacional Teotônio Vilela
- 524L-10 Parque São Lucas x Metrô Tatuapé
- 573H-10 Hospital Sapopemba x Metrô Bresser
- 574W-10 Jardim Walkiria x Metrô Belém
- 3098-10 Jardim São Francisco x Shopping Aricanduva
- 3099-10 Hospital São Mateus x Jardim da Conquista
- 3112-10 Vila Industrial x Metrô Belém
- 4025-10 Sítio das Figueiras x Metrô Tatuapé
- 4726-10 Mooca x Metrô Tatuapé
- 4027-10 Hospital São Mateus x Jardim Santo André
Na KPBX, linhas importantes da zona sul e sudoeste foram atingidas:
- N742-11 Terminal João Dias x Terminal Pinheiros
- N745-11 Terminal Capelinha x Terminal Campo Limpo
- 647A-10 Valo Velho x Pinheiros
- 647P-10 COHAB Adventista x Terminal Pinheiros
- 669A-10 Terminal Santo Amaro x Terminal Princesa Isabel
- 675A-10 Parque Santo Antônio x Metrô São Judas
- 695T-10 Terminal Capelinha x Metrô Vila Mariana
- 695V-10 Terminal Capelinha x Metrô Ana Rosa
- 707K-10 Terminal Guarapiranga x Metrô Jabaquara
- 857A-10 Terminal Campo Limpo x Metrô Santa Cruz
- 857C-10 Terminal Campo Limpo x Metrô Conceição
- 5185-10 Terminal Guarapiranga x Terminal Parque Dom Pedro II
- 6049-10 Valo Velho x Santo Amaro
- 6475-10 Jardim Vaz de Lima x Terminal Bandeira
- 7050-10 Jardim das Rosas x Terminal Campo Limpo
- 8605-10 Terminal Campo Limpo x Terminal Bandeira
Na Mobibrasil, o impacto atingiu ligações chave com Jabaquara, Santo Amaro, Ibirapuera e eixo aeroporto:
- 6338-10 Jardim Miriam x Parque Ibirapuera
- 6358-10 Jardim Luso x Terminal Bandeira
- 637J-10 Vila São José x Pinheiros
- 675M-10 Centro Sesc x Metrô Jabaquara
- 675P-10 Shopping SP Market x Metrô Conceição
- 875A-10 Aeroporto x Perdizes
- 574A-10 Americanópolis x Largo do Cambuci
- 574A-21 Americanópolis x Metrô Vila Mariana
- 576C-10 Metrô Jabaquara x Terminal Santo Amaro
- 576M-10 Vila Clara x Pinheiros
- 577T-10 Jardim Miriam x Metrô Ana Rosa
- 5791-10 Eldorado x Metrô Vergueiro
- 5791-21 Eldorado x Metrô Jabaquara
- 6000-10 Terminal Parelheiros x Terminal Santo Amaro
- 605A-10 Centro Paralímpico x Metrô Jabaquara
- 607C-10 Jardim Miriam x Itaim Bibi
- 609J-10 Aeroporto x Metrô São Judas
O conjunto dessas linhas mostra que a paralisação de ônibus em São Paulo atingiu corredores estruturais, integrações com Metrô e CPTM e conexões entre bairros periféricos e o centro, ampliando o efeito em cascata sobre mobilidade, trabalho e serviços.
Orientações ao usuário e cenário imediato
Com a liberação gradual de parte da frota ao longo da noite, a recomendação das autoridades é que os passageiros acompanhem as atualizações em tempo real e verifiquem se suas linhas continuam totalmente paradas ou já operam em regime parcial.
A paralisação de ônibus em São Paulo expôs a fragilidade de uma rede que depende fortemente de concessões privadas para garantir o transporte diário de milhões de pessoas.
Enquanto o impasse sobre o 13º salário não for resolvido, permanece o risco de novos movimentos de paralisação, atrasos adicionais e incerteza para quem depende do sistema de ônibus para estudar, trabalhar ou acessar serviços essenciais.
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