A Jeddah Tower já ultrapassou o 97º andar em abril de 2026 após retomada em ritmo inédito, com a torre subindo um andar a cada três dias rumo aos 1.000 metros de altura e prometendo destronar o Burj Khalifa até 2028
Publicada em abril de 2026, a retomada da Jeddah Tower surpreendeu o setor de engenharia mundial. Segundo a revista New Atlas, o arranha-céu de 1 km em construção na Arábia Saudita voltou a crescer em ritmo recorde após sete anos completamente parado no deserto. De acordo com a Construction Digital, a torre superou os 80 andares em janeiro de 2026 e já ultrapassou o 97º andar em abril. A torre faz parte de um complexo avaliado em US$ 20 bilhões.
Sete anos abandonada no deserto saudita
A construção da Jeddah Tower começou em 2013, liderada pela Jeddah Economic Company (JEC), como peça central do Vision 2030 da Arábia Saudita para diversificar a economia além do petróleo. Porém, em 2018, a obra parou abruptamente.
A falência do principal construtor, o Binladin Group, aliada a problemas financeiros e desafios logísticos como bombeamento de concreto em alturas extremas, deixou o canteiro abandonado por sete anos no deserto. Naquele momento, a estrutura havia atingido apenas 157 metros de altura — cerca de 40 a 50 andares.
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Dessa forma, o projeto que prometia ser o primeiro arranha-céu de 1 km do mundo ficou congelado enquanto outros megaprojetos avançavam pelo planeta. Além disso, críticos questionavam se a torre algum dia seria concluída.
No final de 2024, no entanto, o projeto foi oficialmente relançado com novo contrato e suporte financeiro reforçado. Inspeções confirmaram que a estrutura existente permanecia segura, e os trabalhos foram retomados no início de 2025. Assim como outras obras que utilizam estacas profundas e tecnologia de fundação inédita, a Jeddah Tower emprega um sistema que distribui a carga por todo o terreno arenoso para sustentar 1 km de concreto e aço.
Um andar a cada três dias: o ritmo recorde do arranha-céu de 1 km
Desde a retomada, o ritmo de construção impressiona. Conforme reportado pela Newsweek, em janeiro de 2026 a Jeddah Tower já havia alcançado mais de 80 andares. Em abril de 2026, a torre já ultrapassou o 97º andar, com mais da metade do trabalho de concreto — centenas de milhares de metros cúbicos — finalizada.
O dado mais impressionante é o ritmo atual: um novo andar surge a cada três dias de operação, segundo engenheiros da Thornton Tomasetti, responsáveis pelo projeto estrutural. Se essa velocidade for mantida, o arranha-céu de 1 km poderá estar concluído até 2028.

Para efeito de comparação, o Burj Khalifa tem 828 metros. Portanto, a Jeddah Tower o superará em 172 metros — ou seja, será 21% mais alta que o atual recordista mundial. Ainda assim, a diferença entre o 97º andar atual e os mais de 150 andares finais mostra que o trecho mais desafiador ainda está por vir.
Engenharia extrema para erguer o arranha-céu de 1 km
Construir uma estrutura de 1.000 metros de altura não é apenas empilhar andares. Por consequência, os engenheiros enfrentam desafios técnicos inéditos em cada fase da obra.
O bombeamento de concreto a alturas extremas exige pressões na base que poucos sistemas suportam. Além disso, dezenas de milhares de toneladas de aço são necessárias para a estrutura, e o topo da torre deverá balançar “alguns metros” sob ventos fortes — um movimento perceptível, mas controlado por simulações extensivas em túnel de vento.
A logística diária exige sincronia perfeita entre equipes, materiais e testes, com monitoramento em tempo real por modelos 3D para evitar gargalos que possam comprometer o ritmo de um andar a cada três dias.
Contudo, o maior desafio pode estar nos andares superiores. Análises técnicas apontam que a fase acima do andar 130 pode trazer obstáculos estruturais adicionais que ainda não foram testados na prática.
Cidade vertical com hotel cinco estrelas e centenas de apartamentos

A Jeddah Tower não será apenas um prédio alto. O projeto prevê uma verdadeira cidade vertical, com centenas de apartamentos de luxo, hotel cinco estrelas, restaurantes, spa, piscinas e áreas de lazer distribuídos ao longo dos 1.000 metros.
O sistema de elevadores foi projetado em zonas — elevadores expressos levam passageiros a lobbies intermediários, evitando viagens diretas do térreo ao topo. Dessa forma, dezenas de elevadores operam simultaneamente, incluindo modelos de dois andares. Outros megaprojetos de transporte vertical pelo mundo também vêm redefinindo como pessoas se deslocam dentro de estruturas gigantes.
Por outro lado, o arranha-céu de 1 km é apenas o centro de um complexo ainda maior. A Jeddah Economic City, na costa do Mar Vermelho, reúne bairros comerciais, residenciais e atrações turísticas num investimento total de US$ 20 bilhões, conforme reportado pela Olhar Digital.
Arranha-céu de 1 km ainda enfrenta desafios para chegar ao topo
Apesar do otimismo com a retomada, especialistas pedem cautela. O histórico de sete anos de paralisação levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do projeto a longo prazo. Além disso, o ritmo de um andar a cada três dias exige sincronia perfeita — qualquer falha em equipes, materiais ou testes pode se transformar em atraso significativo.
A pergunta que analistas internacionais fazem é direta: estamos diante de um retorno histórico ou preparando mais um colapso em câmera lenta? A resposta só virá com o avanço da construção nos próximos dois anos.
Ainda assim, com mais de 97 andares prontos e o ritmo mais acelerado já registrado, a Jeddah Tower segue como a aposta mais ambiciosa da engenharia mundial em 2026. Se tudo correr conforme o planejado, o mundo terá seu primeiro arranha-céu de 1 km até 2028 — e o Burj Khalifa perderá o trono que ocupa desde 2010.

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